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30 março 2026

"Computação é algo importante demais para ser um assunto apenas de homens".




Você pode até não perceber, mas usa o BM25 todo dia. O Okapi BM25 ou, simplesmente, BM25, sendo o "BM" a abreviação de "best match" (melhor correspondência), é uma função de classificação usada por mecanismos de busca para estimar a relevância e aderência de documentos ante uma determinada consulta. Desde o Google até o Consensus se valem dessa criação genial.
Os fundamentos que levaram ao BM25 vieram da abordagem de recuperação probabilística. Essa abordagem foi concebida e desenvolvida, entre os anos de 1970 e 1980, principalmente por Karen Spärck Jones (foto acima) e Stephen E. Robertson.
Karen era uma ativista em defesa do envolvimento das mulheres na computação. Foi quem cunhou uma frase que se tornou uma verdadeira bandeira a esse respeito: 
"Computação é algo importante demais para ser um assunto apenas de homens".
("Computing is too important to be left to men.") 

Podemos e devemos manter esse importante recado vivo e atual, trocando "computação" por "inteligência artificial".




You might not even realize it, but you use BM25 every single day. Okapi BM25—or simply BM25, where "BM" stands for "best match"—is a ranking function used by search engines to estimate the relevance and fit of documents relative to a given search query. Everything from Google to Consensus relies on this brilliant creation.

The fundamentals that led to BM25 originated from the probabilistic retrieval approach. This approach was conceived and developed between the 1970s and 1980s, primarily by Karen Spärck Jones and Stephen E. Robertson.

Karen was an activist for women's involvement in computing. She was the one who coined a phrase that became a true rallying cry for the cause:

"Computing is too important to be left to men."

We can and should keep this important message alive and relevant today by swapping "computing" for "artificial intelligence."











O Brasil precisa de uma opinião pública melhor informada, atenta e democrática.
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19 março 2026

Para que servem os conceitos?



Sem definir conceitos, simplesmente não sabemos do que estamos falando.
Em pesquisa que faça uso de metodologia científica, eles são cruciais para definir problemas e produzir explicações. Fome, doenças crônicas, pobreza, analfabetismo funcional, violência, política, Estado, democracia, o que significam esses termos? 

Parece uma tarefa trivial, mas não é. O mais comum é uma babel de termos que supostamente servem de conceitos, quando, de fato, são palavras muitas vezes polissêmicas, que variam conforme o interlocutor, e não um conceito definidor e operacionalizável em uma pesquisa. Portanto, para uma palavra ser tomada como um conceito, existe um passo importante a ser dado.

Em Dez erros recorrentes em artigos acadêmicos, o professor Adriano Codato relata sua experiência de editor, por mais de três décadas, da Revista de Sociologia e Política. Um dos problemas crônicos é justamente o mal uso de conceitos.

Por exemplo, conceitos que ficam no nível retórico. São, no muito, palavras descritivas, sem potencial analítica. O pulo do gato entre um conceito retórico, meramente descritivo, e um conceito propriamente dito está no fato de que ele deve ser uma ferramenta para qualificar e especificar um objeto ou fenômeno. 
Na prática, é o conceito que permite dizer o que  que se inclui e exclui. Um bom conceito traz o que Codato (não só ele) chama de "critérios de fronteira", usados para "distinguir empiricamente casos que pertencem ou não àquilo que o conceito descreve". Essa distinção permite o passo seguinte: operacionalizar a análise, por exemplo, deduzindo a partir do conceito os "indicadores observáveis e mensuráveis coerentes com a definição analítica".

Exemplos dados por Codato: 
"A noção de 'populismo' é usada para rotular candidatos sem critérios claros. O que foi analisado? Discurso? Estratégia de campanha? Ideologia? O conceito de 'capacidade estatal' aparece como sinônimo de 'eficiência administrativa' e sem indicadores definidos. Ou 'polarização' é 'o' assunto do artigo, mas não há medidas de distância (ideológica, afetiva, discursiva)."

Um exemplo de operacionalização de um conceito está no famoso artigo de Kenneth BollenDemocracia política: armadilhas conceituais e de mensuração.

No tópico "Conceptual Issues" (Questões Conceituais), Bollen exemplifica: 
"O ponto de partida na avaliação da validade das medidas de democracia política é a definição teórica do conceito. Claramente, fornecer uma definição de democracia política que todos aceitem é impossível. Eu me contentarei com o objetivo menos ambicioso de fornecer uma definição de trabalho de democracia política e contrastá-la com outras definições.
Eu defino democracia política como a medida em que o poder político das elites é minimizado e o das não-elites é maximizado (Bollen 1980:372). Por poder político, refiro-me à capacidade de controlar o sistema de governo nacional. As elites são os membros de uma sociedade que detêm uma quantidade desproporcional do poder político. Estes incluem os membros dos ramos executivo, judiciário e legislativo do Estado, bem como líderes de partidos políticos, governos locais, empresas, sindicatos, associações profissionais ou órgãos religiosos."

O artigo vale a pena como inspiração do exercício essencial e necessário de definir e operacionalizar um conceito para se chegar em evidências. A jornada é longa. A definição conceitual é apenas o primeiro e um dos mais importantes passos. 















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04 agosto 2024

COMO VOCÊ COMUNICA informações e dados técnicos?

Minha apresentação na Conferência Nacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre Comunicação na Era Digital: produção, disseminação e certificação de informações.


 

Os órgãos públicos produzem diversas informações sobre o ciclo de políticas públicas, incluindo não apenas perspectivas aprofundadas sobre a expansão dos direitos de cidadania, mas também dados sobre o relacionamento das pessoas com o poder público. 
As oportunidades de disseminação de tais informações podem ser incrementadas com o auxílio de novos formatos e suportes, que tornam cada vez mais necessária a garantia da proteção e autenticidade dos dados.

Coordenação do grupo de trabalho: Luciana Ferreira Lau, Gerência de Biblioteca, Informação e Memória – IBGE

Participantes:
• Danilo Rothberg, Universidade Estadual Paulista - Unesp
• Iluska Coutinho, Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF
• Diana Paula de Souza, Gerência de Conteúdo e Promoção - IBGE
• Ana Laura Moura dos Santos Azevedo, Gerência de Conteúdo e Promoção - IBGE



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19 julho 2024

OS DOIS HEMISFÉRIOS DO MESMO MUNDO DA PESQUISA

A Interação e as Diferenças entre Análise Exploratória de Dados (EDA) e Análise Confirmatória de Dados (CDA)

E atenção: jamais confunda Análise Exploratória de Dados com análise inicial de dados.




"A diferença entre Análise Exploratória de Dados (EDA) e Análise Confirmatória de Dados (CDA) é mais proeminente no início de uma análise. A EDA começa com os dados. Lendo o texto clássico de Tukey, encontra-se repleto do puro prazer de simplesmente 'rabiscar números' (hoje os dados são mais do que números). Essa é a essência da EDA, uma essência que se perdeu na maior parte do que hoje é chamado de EDA. O que a maioria das pessoas chama de EDA hoje (resumido em Staniak & Biecek, 2019) deve ser considerado como análise inicial de dados (IDA), que emerge da escola britânica de análise de dados, com o termo cunhado por Chatfield (1985). Chatfield enfatiza "a necessidade de ver a IDA e a inferência clássica como complementares e não como rivais" [...]. Para Chatfield, a IDA é o quarto passo no processo de análise, após clarificar os objetivos, coletar dados de forma apropriada, investigar a estrutura e a qualidade dos dados, sendo seguida pela realização de uma análise estatística formal, comparando os resultados com descobertas anteriores e, por fim, comunicando os resultados. Assim, a IDA é preliminar à análise estatística formal, embora Chatfield argumente que às vezes a IDA é tudo o que é necessário. Isso é muito diferente da EDA de Tukey, que é mais a do descobridor, que recebe uma criatura exótica e tem a tarefa de nos informar sobre sua magia, ou a falta dela.

Quando você começa com os dados, o primeiro passo é a abstração (que pode parecer um passo para trás) para definir quais tipos de variáveis estão presentes, como os dados foram coletados. Os tipos de variáveis informarão os tipos de gráficos que são apropriados, os tipos de agregações ou modelos que podem ser ajustados para entender os padrões dentro de uma variável e entre variáveis. (Isso é o que Tukey poderia chamar de ‘rabiscar números’.) Também é um bom momento para sentar e ponderar, e delinear explicitamente o que se pode esperar ver quando aplicarmos as técnicas aos dados. Porque isso ajuda a explicitar o que seria interessante (hipótese alternativa) e não interessante (hipótese nula ou conjuntos de referência). Na realidade, a taxonomia fornecida pela Figura 1 não reflete que na prática as linhas entre EDA e CDA podem ser muito mais borradas. Muitas vezes, pode-se começar com CDA, fazer um desvio ortogonal ao objetivo e encontrar padrões inesperados nas medições. Inversamente, alguém começando com EDA pode usar a riqueza das ferramentas computacionais de hoje para calcular a probabilidade de se ver um determinado padrão. A introdução de Cook e Swayne (2007) fornece um exemplo claro e simples de EDA e CDA lado a lado, e uma discussão sobre a interação entre os dois, e sobre questões de investigação de dados, descoberta falsa versus a tragédia da não descoberta. Deve-se notar que a construção de modelos não é sinônimo de CDA e é frequentemente um empreendimento da EDA. Todas as críticas de investigação de dados direcionadas aos gráficos de dados são adequadamente direcionadas também à construção de modelos.

Um exemplo da estreita conexão entre modelagem e EDA pode ser encontrado em Hand et al. (2000), descrevendo uma análise de transações de cartões de crédito para compras em postos de gasolina no Reino Unido. Um padrão interessante de modos em £10, £15, £20, ... é visto a partir de um histograma, e isso é seguido pela construção de um modelo de mistura para capturar esse padrão, que se espera possa ser usado no futuro com novos dados.

O estreito acoplamento de modelagem e gráficos interativos tem sido o objetivo da pesquisa em gráficos estatísticos desde o início. Isso se reflete no trabalho mais antigo de Tukey e pode ser visto repetidamente em vídeos históricos disponíveis na biblioteca de vídeos da ASA (ASA Statistical Graphics Section, 2021). Os padrões de ouro são XLispStat (Tierney, 1991) e DataDesk (Velleman, 2012). O surgimento do R (R Core Team, 2018) como o próximo nível a partir do S (Becker et al., 1988), na verdade, reflete o estreito acoplamento de modelagem e gráficos. O que falta no R são os gráficos interativos de alto nível — uma área de esforço muito ativa agora por vários pesquisadores.

Além disso, formalismos recentes, incluindo dados organizados (Wickham, 2014) e a gramática dos gráficos (Wickham, 2016; L. Wilkinson, 2005), fortalecem a inferência a partir da EDA usando gráficos.


COOK, Dianne; REID, Nancy; TANAKA, Emi. The foundation is available for thinking about data visualization inferentially. Harvard Data Science Review, n. 3.3, 2021. Available at:
https://hdsr.mitpress.mit.edu/pub/mpdasaqt/release/2
 











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17 julho 2024

VOCÊ JÁ COMETEU ALGUM CRIME GRÁFICO QUE PODERIA TER SIDO EVITADO FACILMENTE?

Como fazer e como NÃO fazer gráficos? Eis a questão.


A revista The Economist mostra alguns de seus arrependimentos e as devidas revisões das formas de visualização de gráficos que não eram as mais adequadas para expor informações a seu público leitor.

Diz a revista:
Erros, cometemos alguns.
Aprendendo com nossos erros na visualização de dados.
(Mistakes, we’ve drawn a few. Learning from our errors in data visualisation)

Os erros mais comuns detectados foram: 
  • Truncar a escala; 
  • Forçar uma correlação selecionando dados de forma tendenciosa (o famoso cherry-picking, ou seja, escolher o que mais convém); 
  • Escolher o método errado de visualização; 
  • Estender demais o “esforço mental” que o público leitor deve fazer para entender uma informação que poderia estar exposta de forma mais simples; 
  • Usar as cores de modo confuso; 
  • Incluir detalhes além do absolutamente necessário; 
  • Entulhar dados demais em espaço de menos. 
Ao final, a autora da matéria pergunta: você já cometeu um "crime gráfico" que poderia ter sido corrigido facilmente? 

Leia a matéria e compare os gráficos, antes e depois (como eles poderiam ser melhores).














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18 dezembro 2019

The History Manifesto

Leading historians David Armitage and Jo Guldi identify a recent shift back to longer-term narratives, following many decades of increasing specialization, which they argue is vital for the future of historical scholarship and how it is communicated.

This provocative and thoughtful book makes an important intervention in the debate about the role of history and the humanities in a digital age. It will provoke discussion among policymakers, activists and entrepreneurs as well as ordinary listeners, viewers, readers, students and teachers.






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25 maio 2017

Era uma vez uma teoria...

... muito elegante e que, após mais de meio século, se mostra ainda extremamente robusta.

É uma espécie de canivete suíço que serve, entre tantas outras coisas, para o desenho e a avaliação de políticas públicas.

A teoria diz que determinados insumos (inputs), empregados em determinados processos, geram produtos (outputs) que, entregues cumulativamente, conformam resultados (outcomes), e esses, no longo prazo, geram impactos.

No desenho e avaliação de políticas públicas, uma das formas mais conhecidas de uso dessa teoria se dá por meio do chamado modelo lógico de programas:



Alternativamente neste link: Pdf em Google Drive


Apresentação feita pelo pesquisador do Ipea, Antonio Lassance, durante o workshop sobre avaliação de políticas públicas, promovido pelo Ipea em 17 de maio de 2017.


















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10 setembro 2016

Quem não conhece Paulo Freire não sabe o que está perdendo


e quem detesta Paulo Freire não sabe o que está falando 

Sua pedagogia prima pela autonomia do educando na construção dos saberes


Artigo de Paulo Cavalcante e Yllan de Mattos na Revista de História da Biblioteca Nacional.  


“Chega de doutrinação marxista. Basta de Paulo Freire”. Espanto geral. O que o nome do educador Paulo Freire estaria fazendo em uma manifestação contra a presidente Dilma Rousseff e o PT? 

Era março de 2015, e os protestos se davam no rastro da crise econômica, da desarticulação política das bases de sustentação do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e da corrosão de sua credibilidade. Mas a caixa de Pandora da vida política nacional havia sido destampada dois anos antes, nas manifestações de 2013, que liberaram das conhecidas amarras cordiais os males do autoritarismo, do ódio, da intolerância, do preconceito e do desapreço à democracia.

Haveria na obra de Paulo Freire alguma mensagem capaz de autorizar tamanha indignação e reprovação?

“Doutrinador” é aquele que prega, instrui, incute em alguém uma crença, um ponto de vista ou um princípio sectário, ou seja, realiza uma transferência de conteúdos, de si para o objeto de sua doutrinação. Nada está mais distante do pensamento pedagógico de Paulo Freire do que isto. Ele repele com contundência qualquer procedimento doutrinador: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”, escreveu em Pedagogia da autonomia.

Suas recomendações sobre os saberes necessários à prática educativa são claras. Desde logo, e sempre, a prática: “A educação como prática da liberdade, ao contrário daquela que é prática da dominação, implica na negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo, assim como também na negação do mundo como uma realidade ausente de homens”, ensinou em Pedagogia do oprimido. O homem em suas relações com o mundo. Este é o pressuposto de toda compreensão e de toda ação educativa capaz de promover a autonomia e a libertação das pessoas. Não é que o mundo seja necessariamente uma prisão. Ele até pode ser, e muitas vezes é. O que importa aqui é pôr o homem em seu contexto, rompendo o aparente curso natural das coisas e identificando o conjunto de suas relações. Colocadas em perspectiva, elas se reconfiguram e geram conhecimento histórico sobre si e sobre o mundo, para si e para o mundo.

Promover a tomada de consciência e a transformação do indivíduo em sujeito qualificado de sua própria história: eis a prática (práxis) educativa de Paulo Freire. Ele assim o diz, sobre si mesmo, em Educação como prática da liberdade: “Todo o empenho do Autor se fixou na busca desse homem-sujeito que, necessariamente, implicaria em uma sociedade também sujeito. Sempre lhe pareceu, dentro das condições históricas de sua sociedade, inadiável e indispensável uma ampla conscientização das massas brasileiras, através de uma educação que as colocasse numa postura de autorreflexão e de reflexão sobre o seu tempo e espaço. (...) Autorreflexão que as levará ao aprofundamento consequente de sua tomada de consciência e de que resultará sua inserção na História, não mais como espectadoras, mas como figurantes e autoras”.

Onde encontrar o ímpeto doutrinador em alguém que, em vez de pregar e impor, pergunta e escuta para compreender? Quando Paulo Freire retornou ao Brasil, em agosto de 1979, uma avalanche de repórteres cercou-o para saber sua opinião sobre a situação do país na época. Ele respondeu: “Vim  para reaprender o Brasil e, enquanto estiver no processo de reaprendizagem, de reconhecimento do Brasil, não tenho muito a dizer. Tenho mais o que perguntar”. Sua atitude, antes de ser dogmática e taxativa, demonstra uma abertura irrestrita para o mundo, como aprendiz. 

A chave para compreendermos a acusação de “doutrinador marxista” contra Paulo Freire não está em sua obra. Encontra-se na mentalidade daqueles que produziram a mensagem, em sua compreensão estreita do que é educação e do que é ensinar. Essas pessoas acreditam piamente no mito da neutralidade da ação docente, segundo o qual o professor não tem cara, não tem lado, não toma partido, não pensa nem intervém de modo transformador na realidade social. Para elas, o professor deve estar unicamente comprometido com a sagrada missão de transmitir conteúdos anonimamente escolhidos, aparentemente desinteressados e oficialmente listados. Conteúdos supostamente eficazes, pragmáticos e destinados a aplacar a sanha competitiva por boas posições escolares e universitárias que tenham o condão de assegurar condições ideais de disputa nas escassas oportunidades de uma sociedade excludente. Na verdade, o acusador grita contra o espelho. É ele, e não Paulo Freire, quem prega a doutrinação. Qual? Diríamos, sem medo de errar: a “doutrinação bancária”, aquela que transfere “ao outro, tomado como paciente de seu pensar, a inteligibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos”.

O caminho da autonomia e da liberdade aberto por Freire não foi concebido para o educando como doação de uma inteligência superior que se compraz na realização daquilo que considera ser o bem, ou seja, como alguém (sujeito) que sabe o que é melhor para o outro (objeto). A grandeza do pensamento de Freire está na redução da distância em relação ao educando, na disponibilidade para escutá-lo em suas diferenças, na abertura de dialógica para a transformação recíproca: são dois sujeitos em troca aberta, franca e transformadora. Enfim, o caminho é partilhado com o educando: “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. (...) A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser”.

A mentalidade conservadora dos acusadores rechaça a dimensão política da pedagogia concebida e posta em prática por Paulo Freire. “Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica”, esclarece o educador. É por conta disso, provavelmente, que a mensagem no protesto decide ir além de uma doutrinação qualquer, e a qualifica: Freire estaria ligado a uma “doutrinação marxista”. Talvez sem saber, o acusador reedita uma crítica conservadora muito antiga contra Paulo Freire, baseada no fato de que seu trabalho é tão pedagógico como político. Mas é isso mesmo. Como afirmou Moacir Gadotti, o educador é político enquanto educador e o político é educador pelo próprio fato de ser político. Freire complementa: “seria uma ingenuidade reduzir todo o político ao pedagógico, assim como seria ingênuo fazer o contrário. (...) quando se descobre uma certa e possível especificidade do político, percebe-se também que essa especificidade não foi suficiente para proibir a presença do pedagógico nela. Quando se descobre por sua vez a especificidade do pedagógico, nota-se que não lhe é possível proibir a entrada do político”.

Quanto à alcunha de “marxista”, pretensamente desqualificadora, é preciso dizer que Paulo Freire jamais deixou de destacar o papel emancipatório atribuído por Karl Marx à ciência e à pesquisa. Além disso, juntamente com outros intelectuais marxistas, como Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho, o educador não só foi crítico de posições dogmáticas e mecanicistas, como reconheceu o valor universal da democracia e lutou intensamente para o seu desenvolvimento no Brasil. Sobre os confrontos em torno do seu legado, o próprio Marx certa vez disse: “O diabo os leve! O que sei é que eu não sou marxista”.

A pedagogia de Paulo Freire é radical, isto é, vem da e vai à raiz das coisas. Privilegia a cultura, os saberes e os valores dos educandos como ponto de partida e chegada de uma educação como prática da liberdade e da transformação. Quando lecionou a primeira aula em Angicos, no interior do Rio Grande do Norte, em 1963, Freire falou sobre o universo que cercava os estudantes: a leitura do mundo precede a leitura da palavra. No quadro negro, não escreveu “Ivo viu a uva”. Escreveu coisas oriundas daquele cotidiano popular, como “tijolo”. De imediato, o educando reconheceu-se naquela palavra e naquele contexto. Nada mais lhe era alheio: ele havia se tornado sujeito da aula. 

Esse encontro cultural acolheu e inseriu o educando, abrindo o caminho para a sua transformação. Por isso mesmo, é um ato político em seu sentido histórico: a discussão da polis em que vivemos e na qual queremos viver. Este talvez seja um dos pontos centrais da famosa citação do educador, replicada nas redes sociais como resposta dada pela Unesco ao cartaz levantado contra Paulo Freire: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

Paulo Cavalcante é professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e do Mestrado Profissional em Ensino de História em Rede Nacional – ProfHistória.
Yllan de Mattos é professor da Universidade Estadual Paulista e autor de A Inquisição Contestada (Mauad-X/Faperj, 2014).

Saiba Mais

GADOTTI, Moacir; FREIRE, Paulo & GUIMARÃES, Sérgio. Pedagogia: diálogo e conflito. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2006. 
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 24. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 44. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.















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24 junho 2016

Mapas mentais: um jeito simples de plotar ideias complexas

Use uma ferramenta online e aberta ("opensource") do tipo MindMup.




Sobre os mapas mentais: para que e como?

Do churrasco de final de semana à aeronave mais sofisticada, tudo cabe em um mapa mental.



Mapa mental de um churrasco. Clique para ampliar ou abra pelo link



Mapa mental de uma aeronave Boeing


Trata-se de uma técnica de visualização muito útil para o planejamento tático-operacional, como o do churrasco ou o da aeronave, ou estratégico, como a vida de um órgão público, uma associação, um sindicato ou uma empresa privada.

Além de plotar ideias complexas de forma simples, é uma ferramenta colaborativa. Pode ser usada em grupos grandes ou de forma estruturada, dividindo o grupo maior em "ramos" de assuntos que serão esmiuçados em grupos menores.

O mapa começa com um objetivo, preocupação ou assunto central que será ramificado. Cada ramo ganha vida própria e será detalhado tanto ou quanto se julgue necessário para cobrir todos os detalhes a serem lembrados. Em complemento, usam-se cores e imagens associados aos ramos para facilitar a visualização e memorização.

É útil para:
- A compreensão e solução de problemas; 
- A gestão de informações; 
- O estudo e a memorização; 
- A organização de ideias colhidas em tempestades de ideias ('brainstorming"), exercícios de SWOT (forças e fraquezas, riscos e oportunidades), mapeamento de atores, entre outras.


Tenho insistido com colegas de planejamento estratégico que as ferramentas de mapa mental, graças ao computador e ao projetor, tornaram-se mais amigáveis e práticas que as velhas cartelas (tarjetas). É possível, pelo menos, combinar o uso de cartelas individuais, nas fases preliminares, com o uso dos mapas mentais na hora de se organizar os núcleos de ideias e construir árvores explicativas ou modelos lógicos.




A ideia de usar mapas mentais como ferramentas estruturadoras de ideias e planos é atribuída a Tony Buzan:

"Tony Buzan’s books with the BBC have sold over three million copies, and have transformed the lives of millions of people worldwide since they were first published in 1974." (BBC Press Office)












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15 março 2016

Atores, agendas e conjuntura: mapeamento, rasteamento e análise


Curso ministrado na Escola Nacional de Administração Pública 
para servidores públicos federais

Fevereiro de 2017

Programa


Mapas mentais:
FreeMup -  ferramenta online e aberta de mapas mentais
Use o programa de mapas mentais que você prefere ou, alternativamente, baixe o programa Freemind.
Confeccione seu mapa e faça o download em formato pdf para envio ao e-mail da Enap: aperfcarreiras@enap.gov.br   



Exemplo de estrutura do mapa mental: Mindmup.com ou em pdf

Referências básicas:

CAIRNEY, Paul. Policy Concepts in 1000 Words: The Advocacy Coalition Framework  https://paulcairney.wordpress.com/2013/10/30/policy-concepts-in-1000-words-the-advocacy-coalition-framework/ CAPELARI, Mauro G. M., Calmon, Paulo du Pin e ARAÚJO, Suely M. V. G. Coalizões de advocacia: levantamento das teses e dissertações nacionais. Brasília: Centro de Estudos Avançados de Governo e de Administração Pública - Ceag-UnB, 2014. Série Textos de Discussão Ceag-UnB 003/14 Disponível em <http://site.ceag.unb.br/ceagarquivos/public/arquivos/biblioteca/23368586224a 9daa2fd7a82ca9b2e46b.pdf>


KINGDON, John W. Como chega a hora de uma ideia? In: SARAVIA, Enrique e FERRAREZI, Elisabete (org.). Políticas públicas: coletânea. Brasília: ENAP, 2006. V. 1. Disponível em https://drive.google.com/file/d/1M6RBER7GEER_WYmY9ojXkcu-b46I3ZXQIpjOMibnaEBn42g1fDaCtjFTfdDt/view?usp=sharing

KINGDON, John W. Juntando as coisas. In: SARAVIA, Enrique e FERRAREZI, Elisabete (org.). Políticas públicas: coletânea. Brasília: ENAP, 2006. V. 1.  Disponível em <link>


NORTH, Douglass C. Instituciones, cambio institucional y desempeño económico. México: Fondo de Econômica, 1993. <link>




Referências complementares:
BRELÀZ, Gabriela de. Advocacy das organizações da sociedade civil: um estudo comparativo entre Brasil e Estados Unidos. S. Paulo: FGV, 2007. Dissertação de mestrado. Disponível em https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/2444/136543.pdf?sequence=2&isAllowed=n


CAIRNEY, Paul Cairney and zahariadis, Nikolaos. Multiple streams analysis: A flexible metaphor presents an opportunity to operationalize agenda setting processes. Forthcoming in Handbook of Public Policy Agenda-Setting, Edited by Nikolaos Zahariadis, Edward Elgar, 2016. Avaiable at:   https://paulcairney.files.wordpress.com/2013/10/cairney-zahariadis-multiple-streams-2016.pdf


CRUZ, Sebastião C. Velasco e. Teoria e método na análise de conjuntura. Educação & Sociedade, ano XXI, n 145 o 72, Agosto 2000. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302000000300008

GOMIDE, Alexandre Ávila. Agenda Governamental e Formulação de Políticas Públicas: o projeto de lei de diretrizes da política nacional de mobilidade urbana. Brasília: IPEA, 2008. Disponível em http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/eventos/982.pdf

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Carta de Conjuntura. Brasília: IPEA. 14 de maio de 2012. http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_alphacontent&view=alphacontent&Itemid=59

LASSANCE. Temas relevantes da agenda federativa. Brasília: IPEA, outubro de 2012. Disponível em <link>

GALA, Paulo. A Teoria Institucional de Douglass North. Revista de Economia Política, vol. 23, nº 2 (90), abril-junho/2003. Disponível em http://www.rep.org.br/pdf/90-6.pdf

SANTIAGO, Claudia e MORAES, Reginaldo Carmello de Moraes. Como fazer análise de conjuntura. Brasília: CNTE, 2008. http://www.cnte.org.br/images/stories/esforce/pdf/programaformacao_eixo02_fasciculo03_analiseconjuntura.pdf

SANTOS, Fábio Pereira dos. Coalizões de interesses e a configuração política da agricultura familiar no Brasil. S. Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2011. <link>

SARAVIA, E.  e FERRAREZI, E. Políticas públicas: coletânea. (Org.): Brasília: ENAP, 2006. Volumes 1 e 2. Disponível em <link >

SCHMEER, Kammi. Stakeholder analysis guidelines. Washington, D.C.: Center for Democracy and Governance, September 2000. <link>

WEIBLE, Christopher M., SABATIER, Paul A., JENKINS-SMITH, Hank C.; NOHRSTEDT, Daniel; HENRY, Adam Douglas, and DeLEON, Peter. A quarter century of the Advocacy Coalition Framework: an introduction to the special issue. The Policy Studies Journal, Vol. 39, No. 3, 2011, pp. 349-360. Disponível em <link>  

WOLF, Felipe. O comportamento dos deputados na Câmara Federal: uma abordagem de redes sociais. Brasília: Universidade de Brasília, 2008. Dissertação de mestrado Ipol/UnB. Disponível em <link>






23 junho 2015

The Shakespeare Algorithm

É possível encontrar regularidades matemáticas por trás do que chamamos de estilo? É possível dizer que ele funciona como uma impressão digital?


What can we learn from data-mining Shakespeare? 

"“The Cuckoo’s Calling,” a detective novel, could only have been written by the fantasy author J. K. Rowling; Federalist No. 49, although published under a pseudonym, could only have been written by James Madison."

Fonte: New Yorker




 
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05 junho 2015

Teoria dos jogos

O mundo não é dividido necessariamente em ganhadores e perdedores. Jogos predatórios, em que o ganhador leva tudo, são menos eficientes do que jogos cooperativos, em que uma estratégia pode trazer ganhos em escala muito maior.

Esta é uma das maneiras de se explicar a contribuição de John Nash, prêmio Nobel de Matemática em 1994, celebrizado pelo filme "Uma mente brilhante".

Um acidente com o taxi que transportava Nash e sua esposa tirou a vida de ambos, em 23 de maio deste ano.

Abaixo, a BBC presta uma homenagem falando sobre teoria dos jogos e a importância de Nash em assuntos práticos e atuais, como a dívida da Grécia.




¿Qué es exactamente la teoría de juegos?Fonte: Chris Stokel-Walker, BBC, 24 mayo 2015


Un accidente de tráfico acabó el sábado con la vida de John Nash, el matemático y Premio Nobel de Economía 1994 que para muchos será recordado por haber inspirado la película "Una mente brillante".

Sin embargo, Nash pasará a la historia por su aporte fundalmental en la Teoría de los Juegos, en concreto, por ser el creador del "Equilibrio de Nash" o "equilibrio medio".

Se trata de un "concepto de solución" en el que todos los jugadores ejecutaron sabiéndolo la estrategia que maximiza sus ganancias dadas las estrategias de los otros actores de forma que carecen de incentivos para hacer un cambio individual de estrategia.

Nash revolucionó así la toma de decisiones en Economía y sobre todo la Teoría de los Juegos: el área de la matemática que a partir del uso de modelos estudia las tomas de decisiones y las interacciones en lo que se conoce como estructuras formalizadas de incentivos, lo juegos.

Es decir, la lógica que usamos siempre que interactuamos con otro ser humano cuando, por ejemplo, tratamos de quedarnos con el último pedazo de torta en la cafetería o le hacemos un favor a un colega que esperamos retorne en el futuro.

Esos "juegos" son vitales hasta para los animales, señala Antonio Cabrales, profesor de Economía del University College London, Reino Unido.

"Yo actúo de una manera, tú actúas de otra", explica Cabrales. "Algo sucede. Ese algo que sucede va a depender de lo que ambos hagamos".

Un clásico

El juego es un tipo de modelo matemático para entender la toma de decisión y la interacción entre quienes toman las decisiones. Y el mejor conocido se llama "El dilema del prisionero".



Dos personas son arrestadas, encarceladas y se les fija la fecha del juicio.

El fiscal del caso habla con cada prisionero por separado y les presenta una oferta:

Si confiesa contra el socio, todos los cargos en su contra serán retirados y la confesión será usada como evidencia para condenar al otro. La sentencia que recibirá será de 20 años.

Si no confiesa y su socio lo hace, será condenado a 20 años y su socio quedará libre.

Si ambos confiesan, serán condenados a 5 años de prisión.

Si ninguno confiesa, serán condenados a 1 años de prisión.

En "El dilema del prisionero", el destino de cada uno depende de las acciones del otro. Individualmente, confesar sería la mejor opción, pero si ambos lo hacen el castigo es peor que si ambos callan.


"Cuando uno escoge algo, eso tiene un impacto en otras personas", señala Paul Schweinzer, catedrático en el departamento de Economía de la Universidad de York, Inglaterra.

"La Teoría de los Juegos es tener en cuenta el impacto de mis decisiones en los otros cuando las voy a tomar".

El "juego" es la interacción entre dos o más partes y depende de que la gente actúe racionalmente, consciente de los límites del "juego" y de que la otra parte también conoce las reglas.

Estas interacciones estratégicas forman el punto crucial de la Teoría de los Juegos. "A veces la usamos conscientemente y otras intuitivamente", anota Cabrales.

Incluso si la gente -y algunos animales- no razonan conscientemente sobre las estrategias que van a usar, otras fuerzas, como la evolución o la experiencia de errores pasados, a menudo la hace comportarse de la misma manera que si fueran jugadores fríamente racionales.



En muchos escenarios

Qué camino tomar: en muchos campos, la teoría de juegos se usa para predecir las decisiones de la gente.

Hoy en día, la Teoría de los Juegos es usada por muchas personas distintas en un amplio espectro de intereses.

"La principal razón de su éxito fue la variedad de escenarios en los que la gente empezó a darse cuenta que tenían que pensar formal y sistemáticamente sobre las interacciones estratégicas", explica Rakesh Vohra, profesor de Economía en la Universidad de Pensilvania y alto miembro de la Sociedad de la Teoría de los Juegos.

En 2001, la teoría entró en la cultura popular gracias a la laureada película "A Beautiful Mind" ("Una mente brillante" o "Una mente maravillosa"), en la cual el actor australiano Russell Crowe interpretaba a John Nash.

Nash fue ampliamente considerado como uno de los expertos en la Teoría de los Juegos y uno de los grandes matemáticos del siglo XX.


Aplicaciones

"La Teoría de los Juegos revolucionó el estudio de la economía".

Pero no sólo eso.

Desde licitaciones para proyectos de infraestructura, campeonatos de fútbol, hasta aplicaciones de citas románticas por internet dependen de ella.

Las firmas que venden bienes a los consumidores usan la Teoría de los Juegos para predecir cómo reaccionará la competencia –y los clientes- ante una guerra de precios.

Uno de los primeros usos codificados de esta teoría fue en la guerra. Los ejércitos estadounidense y británico utilizaron las primeras computadoras para probar modelos que utilizaban Teoría de los Juegos para ayudar a los comandantes a decidir si debían atacar al enemigo, dónde y cuándo.


Sin botón
Lo que la teoría de juegos ofrece ahora es información para saber en qué vale la pena enfocarse.

Desde entonces, el concepto ha evolucionado. Vohra explica que "cuando la Teoría de los Juegos nació, había un grupo de personas que pensaba que si hacíamos un modelo lo suficientemente grande y complejo y apretábamos un botón, sabríamos qué hacer".

Eso resultó demasiado ambicioso, así que cambió. "Lo que tratamos de hacer es informar: no podemos decirte qué hacer, excepto en unas circunstancias limitadas, pero sí podemos decirte cuáles son las cosas importantes sobre las que debes decidir".

"En un mundo complejo, en el que hay muchas cosas a las cuales prestarles atención, es enormemente útil enfocar la atención".

El concepto no sólo se basa en conflicto y combate, también puede ayudar a cooperar.

"Hay juegos como el ajedrez, en el que si alguien gana el otro inmediatamente pierde. Pero hay juegos de producción conjunta: si tú y yo escribimos algo juntos, ambos podemos ganar. No hay ganador o perdedor, pero el acto de jugar juntos genera algo de lo que ambos nos podemos beneficiar", explica Schweinzer.


¿Se puede aplicar a la negociación de la deuda griega?
El ministro de Finanzas de Grecia, Yanis Varoufakis, es especialista de la Teoría de Juegos.

Las negociaciones que se están llevando a cabo entre Grecia y sus acreedores son un lugar ideal para desplegar la Teoría de los Juegos, no sólo porque el ministro de Finanzas de Grecia, Yanis Varoufakis, es un teórico en este campo.

"Algunos comentaristas se apresuraron a presumir que como nuevo ministro de Finanzas de Grecia yo estaba ocupado inventando pantomimas, estratagemas y opiniones extrañas, luchando por mejorar una posición débil", escribió Varoufakis en el New York Times esta semana.

"Si algo, mi formación en Teoría de los Juegos me convenció que sería una bobada pensar que las actuales deliberaciones entre Grecia y nuestros socios son un juego de negociación que se ganará o perderá por medio de pantomima o subterfugio táctico".

"Si uno piensa en la renegociación de los préstamos a Grecia, es un buen ejemplo en el que hay tensión entre competencia y cooperación", dice Vohra.


Pero no todo el mundo está de acuerdo.

Sean Hargreaves Heap, profesor de Economía Política en King’s College London, quien coescribió una introducción crítica a la Teoría de los Juegos en 1990, cree que esta teoría es inútil en este caso.

"Si uno piensa en las negociaciones, se trata de quién va a parpadear primero: el gobierno griego o los alemanes. Eso es útil, pero la Teoría de los Juegos sólo te dice que hay tres cosas diferentes que se pueden esperar:

    Que los alemanes parpadeen
    Que los griegos parpadeen
    Que ambas partes tiren la moneda a ver si parpadean o no.

La Teoría de los Juegos es una manera útil de caracterizar un problema, pero en términos de decirnos qué va a pasar, es inútil".

Hargreaves Heap escribió su libro sobre la Teoría de los Juegos con un joven académico nacido en Atenas y educado en Essex y Birmingham, Inglaterra.

¿El nombre del coautor? Yanis Varoufakis.


Thomas Schelling
    Uno de los primeros en aplicar la Teoría de los Juegos en relaciones internacionales en su libro "La estrategia de conflicto" que analizaba la carrera de armas nucleares
    Argumentó que la capacidad de tomar represalias era más útil que la habilidad de resistir un ataque y que la amenaza de una represalia incierta eran más eficaz que una amenaza precisa.
    Tanto EE.UU. como la antigua Unión Soviética adoptaron esa estrategia –conocida como destrucción mutua asegurada- durante la Guerra Fría.






*Este artículo fue publicado inicialmente en febrero de 2015, y actualizado tras la muerte del matemático y premio Nobel John Nash en mayo de 2015.


Mais sobre teoria dos jogos:

Sobre ideias estratégicas como "it can be rational to behave irrationally?" e "not making a deal leaves everybody worse off", leia a matéria que foca na atuação do ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, "In Greek Debt Puzzle, the Game Theorists Have It" (New York Times, June 4th 2015). 

 
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01 maio 2014

A navalha de Ockham


“Se em tudo forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples será a melhor”.   

(William of Ockham, 1285–1347/49, frade franciscano inglês, aplicando seu franciscanismo ao pensamento científico).


Outras formas de se pensar como Ockham:
 
"Everything should be kept as simple as possible, but no simpler." ("Tudo deve ser mantido da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso". (Albert Einstein).
 
"A perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar". (Antoine de Saint-Exupéry ).

"Você faz como as lavadeiras de Alagoas. Elas pegam a roupa suja para a primeira lavada, espremem, ensaboam, batem na pedra, dão outra lavada, passam anil, espremem novamente, botam no sol para secar, depois apertam. Quando não sai mais uma gota, aí você publica.” 
(Graciliano Ramos, escritor alagoano, célebre por seu gosto por enxugar os textos. Essa analogia normalmente aparece em duas versões. Esta é a mais curta (e atribuída ao jornalista e escritor Joel Silveira), e há outra um pouco mais longa, mas escrita pelo próprio Graciliano  - publicada aqui no blog. Ockham talvez a achasse desnecessária, mas me parece mais bem explicada).
 
Simplicidade como virtude:
"Occam’s razor, also spelled Ockham’s razor, also called law of economy or law of parsimony,  principle stated by William of Ockham (1285–1347/49), a Scholastic, that 'Pluralitas non est ponenda sine necessitate', “Plurality should not be posited without necessity.” The principle gives precedence to simplicity; of two competing theories, the simpler explanation of an entity is to be preferred. The principle is also expressed as 'Entities are not to be multiplied beyond necessity'."
 
How Occam's Razor Works:
"[...] what we call the razor is a little different than what its author originally wrote. There are two parts that are considered the basis of Occam's razor, and they were originally written in Latin:The Principle of Plurality - Plurality should not be posited without necessityThe Principle of Parsimony - It is pointless to do with more what is done with lessTaken together, they represent the basis of humanity's investigation into the universe, and the way we see our environment is largely based upon Occam's razor. There's no telling what kind of world we would live in today without Occam's razor".


 
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21 março 2014

El culto a las tormentas de ideas

La ténica fue desarrollada por un tal Alex Osborn, publicista de Nueva York, en 1939. 
Osborn publicó sus hallazgos en un libro en 1948 y la propuesta de la tormenta de ideas la plasmó en un capítulo titulado "Cómo organizar un equipo para crear ideas". Recomendó concentrarse en la cantidad de ideas generadas, no ser muy crítico, acoger pensamientos extravagantes y esforzarse en combinar varias propuestas con el objetivo de sacar las mejores.

BBC Mundo.

 
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17 março 2014

Os cientistas sociais e seus modelos

Artigo de Dani Rodrik.

"Cientistas sociais podem causar sérios danos aplicando o modelo errado".

"É fácil ficar apegado a modelos específicos e não conseguir reconhecer que novas circunstâncias exigem um modelo diferente".

"Podemos prever que os fundamentalistas de mercado sempre irão prescrever mercados mais livres, independentemente da natureza do problema econômico". 

"Modelos úteis nas ciências sociais são, invariavelmente, simplificações. Eles deixam de fora muitos detalhes para se concentrar no aspecto mais relevante de um contexto específico. Modelos matemáticos aplicados pelos economistas são o exemplo mais explícito disso. Mas, seja formalizada ou não, narrativas simplificadas são o trivial básico dos cientistas sociais."

In Praise of Foxy Scholars
MAR 10, 2014

Dani Rodrik is Professor of Social Science at the Institute for Advanced Study, Princeton, New Jersey. He is the author of One Economics, Many Recipes: Globalization, Institutions, and Economic Growth and, most recently, The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World.





 
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09 março 2013

A lógica comunicativa do Occupy Wall Street

O artigo abaixo mostra, por meio do rastreamento de 600 mil mensagens do Tweeter, feitas por participantes do movimento, que tipo de mensagem passavam, com que propósito e para quem.
Os autores descobriram que as características da comunicação refletiam, nas comunicações individuais, os esforços de mobilização em nível local (convocar os atos, divulgar os locais de concentração e as orientações práticas de ocupação) e, na comunicação não individualizada, a busca por desenvolver quadros narrativos do propósito coletivo do movimento em nível nacional.




Abstract

Social movements rely in large measure on networked communication technologies to organize and disseminate information relating to the movements’ objectives. In this work we seek to understand how the goals and needs of a protest movement are reflected in the geographic patterns of its communication network, and how these patterns differ from those of stable political communication. To this end, we examine an online communication network reconstructed from over 600,000 tweets from a thirty-six week period covering the birth and maturation of the American anticapitalist movement, Occupy Wall Street. We find that, compared to a network of stable domestic political communication, the Occupy Wall Street network exhibits higher levels of locality and a hub and spoke structure, in which the majority of non-local attention is allocated to high-profile locations such as New York, California, and Washington D.C. Moreover, we observe that information flows across state boundaries are more likely to contain framing language and references to the media, while communication among individuals in the same state is more likely to reference protest action and specific places and times. Tying these results to social movement theory, we propose that these features reflect the movement’s efforts to mobilize resources at the local level and to develop narrative frames that reinforce collective purpose at the national level.

Introduction

One of the most prominent American political movements of the past thirty years, Occupy Wall Street (‘Occupy’) is remarkable in the extent to which social media played a central role in its development and organization [1], [2]. In this study, we examine how the needs and constraints of social movements are reflected in the geospatial characteristics and information sharing practices of Twitter users engaged in communication about the Occupy movement. Specifically, we focus on the geographic distribution of these users and the ways in which the relationships among them diverge from those of users contributing to the two most popular streams for stable political discourse in the United States, ‘Top Conservatives on Twitter’ and ‘Progressives 2.0.’
The organizing forces underlying successful social movements have been studied extensively by sociologists and political scientists [3][7]. From this body of work common themes have emerged, include the problems of resource mobilization and collective framing, which together constitute two of the core issues any social movement must address in order to effect social or political change. Resource mobilization refers to the process by which a social movement must marshal the financial, material, and human resources required to sustain its activities [8]. Collective framing is a process whereby the constituents of a social movement, through formal or informal processes, come to establish the narratives, language, and imagery that capture the essential features of the movement’s purpose and struggle [9]. Effective framing helps to foster a sense of community and engagement, and can be a powerful response to countervailing social pressures from establishment organizations [10].
Here we study Occupy Wall Street, a social movement focused on issues relating to the uneven distribution of wealth, social inequality, corporate greed, and the regulation of major financial institutions. Since the first protest on September 17, 2011, a major feature of the movement has been the long-term physical occupation of high-visibility encampments, often found in parks, banks, libraries and foreclosed homes. As a result, the Occupy movement requires substantial supporting infrastructure, including housing and sanitation facilities, as well as access to communication technologies. In spite of this, Occupy has sustained a lasting presence in American cities including New York City, Oakland, Washington, D.C., and Boston, which also represent key loci of decision making and protest activity [1], [2]. Under the Occupy model, proposals are brought to a vote before a general assembly, a form of direct democracy in which any participant is free to comment or vote on any proposal under consideration. The most prominent among these organizational structures is the New York City General Assembly, which has been responsible for producing policy and key narrative frames such as the popular protest slogan, “We are the 99%,” which references the disproportionate concentration of wealth among the top 1% of the world’s population [11].
Social media have played a prominent role in facilitating communication and coordination throughout the development of the Occupy Wall Street movement. For example, the first call to action in the Canadian anticapitalist magazine ‘AdBusters’ used the Twitter ‘hashtag’ #occupywallstreet as one of just ten words featured in a full-page ad. Ever since, the Twitter platform has been used extensively by movement participants [2], with #ows being one of the hundred most popular hashtags on Twitter for the year 2011. In addition to Occupy, Twitter has also played a prominent role in several foreign social movements, most notably in the Egyptian revolutionary protests of 2011 [12][14].
In this work, we seek to understand the relationship between the geospatial dimensions of social movement communication networks and the organizational pressures facing such movements. To accomplish this, we use a state-of-the-art location inference technique to model relationships among users as a weighted directed network of communication flows between states, in which the weight of each edge corresponds to the volume of traffic between pairs of locations. Using this framework we investigate three distinct relationships: attention allocation and proximity to on-the-ground events, resource mobilization and localized information sharing, and the role of collective framing in long-distance communication.
With respect to the issue of attention allocation, we find that compared to stable domestic political communication the Occupy Wall Street movement exhibits very high levels of geographic concentration, with users in New York, California, and Washington D.C. producing more than half of all retweeted content. Aside from these hubs, however, we find that the appeal of content relating to Occupy Wall Street has a disproportionately local audience. With extended, high profile encampments and large-scale protest action playing central roles in the Occupy movement, we propose that this structural feature reflects the importance of mobilizing human resources at the local level.
Finally, we report on evidence indicating that the content of communication at the national level is distinct from the content of communication among users in the same state. Comparing intrastate versus interstate communication, we find that the terms most overrepresented in interstate communication relate to the movement’s core framing language and the news media, while the terms most overrepresented in local communication reference physical places, protest action, and specific times. These results support the hypothesis that local-level communication activity is driven by the challenge of resource mobilization, while long-distance communication is more strongly associated with collective framing processes.

Materials and Methods

Twitter Platform

Twitter is a popular social networking and microblogging site extensively explored in recent literature [15][21]. Among others, it has been used to study influence and credibility [22][26], social structure [27][29] and to monitor users’ sentiment [30][33]. Twitter users can post -character messages containing text and hyperlinks, called tweets, and interact with one another in a variety of ways. Communication on Twitter is characterized by directed, non-reciprocal social links that allow users to subscribe to the stream of content produced by another user. The content produced by every user an individual follows is aggregated into a single streaming feed, from which an individual can selectively rebroadcast content to his or her followers by choosing to retweet it. In this way, a retweet serves to broaden the potential audience of a piece of content, and signifies that information has been transmitted between two individuals. Hashtags, short tokens prepended with a pound sign (e.g. #taxes or #obama), constitute another important feature of the platform, and allow the content produced by many individuals to be aggregated into a custom, topic-specific stream including all tweets containing a given token.

Data

The analysis described in this article relies on data collected from the Twitter ‘gardenhose’ streaming API between July , 2011 and March , 2012 – a nine month period including the birth and maturation of the Occupy Wall Street movement. The gardenhose provides an approximately sample of the entire Twitter stream in a machine-readable format. Gardenhose tweets include useful metadata, among them a unique tweet identifier, the content of the tweet (including hashtags and hyperlinks), a timestamp, the username of the account that produced the tweet, a free text ‘location’ string associated with the originating user’s profile, and for retweets, the account names of the other users associated with the tweet. Tweets from geolocation-enabled mobile devices also report latitude/longitude coordinates, however the incidence rate of tweets with this data is not enough to be useful as a feature in general.
To isolate a representative sample of Occupy Wall Street content we flagged for collection any tweet containing hashtags associated with the Occupy movement, including #ows and #occupy{*} (e.g. #occupywallst, #occupyboston, etc.). To provide a baseline against which to compare our observations, we also extracted content originating from the two most popular communication channels associated with stable domestic political communication, #tcot (Top Conservatives on Twitter) and #p2 (Progressives 2.0). In total, this sampling procedure produced 1,522,415 tweets associated with Occupy Wall Street and 825,262 tweets associated with domestic political communication. As this analysis is concerned primarily with information spreading processes we consider only retweet events from this corpus, resulting in 676,369 retweets among 257,657 users associated with Occupy Wall Street, and 259,703 retweets among 68,049 users associated with stable domestic political communication. Henceforth, we consider these corpora to constitute representative samples of retweet interactions among users participating in the streams of content associated with the Occupy Wall Street movement and stable domestic political communication in the United States.

Geocoding

To facilitate a geospatial analysis of communication activity associated with these content streams we require a high quality method to infer individual users’ locations. To accomplish this, we rely on self-reported location strings and the services of a commercial geocoding API. This technique, popularized in work by Onnela et al. [34], has been shown to produce high-resolution, high-quality geolocation data in the presence of geographically meaningful input.
A caveat to this technique, however, is that it relies on raw text generated by a broad swath of the Twitter population, and so we find geographically meaningless location descriptors included in the dataset. To address this issue we rely on an extensive hand-curated blacklist of popular non-geographical responses such as ‘everywhere’ and ‘the dance floor’. To produce this list we sorted all location strings by popularity and reviewed the thousand most popular strings manually, blacklisting those that did not correspond to geographically meaningful entities. Drawn from a long tailed distribution, 53% of all tweets in the data set are associated with a location among the 1,000 most popular responses, with 27% of all tweets containing one of the top hundred location strings. From this set of one thousand we blacklisted 161 non-location strings, corresponding to 6% of the tweets associated with the 1,000 most popular responses.
To improve recall in the presence of novel input, we used a modified version of the Ratcliff-Obershelp algorithm [35] to detect fuzzy matches between free text location strings and the blacklist of popular non-location responses. As a result, because ‘the dance floor’ is in the set of blacklist responses, strings taking a slightly modified form, such as ‘on the dance floor,’ will also be classified as invalid input. The hand-coded blacklist combined with the Ratcliff-Obershelp fuzzy matching technique resulted in 9% of the free-text location strings being classified as non-location input.
From among the remaining responses we submitted location strings to the Bing.com geocoding API, which returns a best-guess estimate for the corresponding physical coordinates. This output is hierarchically formatted to describe the finest level of geographic resolution available. For example, if a user reports ‘Logan Square, Chicago’ as his or her location, the Bing API will return information about the likely zip code, city, state and country associated with that location. However, if the user reports only ‘USA,’ the information provided by the API describes only a country-level guess as to the user’s location. Owing to decreased coverage at the city-level and the proportionately few users associated with each individual city, we utilize the state-level location estimates for the geospatial components of this analysis.
In total, 68.4% of Occupy Wall Street users reported location strings, and from these we were able to obtain geolocation estimates for 55.7% of these accounts. Among this set of users, 60% of the resulting geolocation estimates included state-level metadata. Response rates were somewhat diminished for users associated with the stream of domestic political communication, with 36% of individuals reporting free-text location strings. Using the procedure described above, we were able to obtain geolocation estimates for 29.3% of all users in the domestic political communication stream, 82.4% of which contained state-level metadata.

Geographic Profile

One of our goals is to establish a coarse-grained geographic profile for communication activity associated with the Occupy Wall Street movement. Formally, for each stream we define an activity distribution across states as, , where is the total number of retweets originating from state and is the total number of retweets originating from all states. As outlined above, we focus on retweets as they correspond to attention allocation rather than total content production volume.
In addition to the distribution of activity across individual states we examine the information sharing relationships among users in different locations. To accomplish this, we rely on a network representation to characterize the flow of information on Twitter. Taking users as nodes, we define a weighted directed network in which an edge with weight is drawn from node to in the event that user retweets user times. The intuition underlying this approach is that each retweet provides evidence suggesting that information produced by user was evaluated and acted upon by user .
Combining the user-level geocode metadata previously described with the network representation defined here we can induce another network describing the volume of communication between users in each state. In this network, nodes represent states, and weighted directed edges are drawn among them. The weight of the edge from to is defined as the sum of the weights among all edges originating from users in state and terminating in state . We note, however, that this induced network must have geolocation labels for each node in a dyad. In the Occupy Wall Street stream we identify 143,437 tweets for which both the source and target have state-level geolocation data and 78,467 likewise restricted tweets in the stream of stable domestic political communication.

Textual Content

Finally, we wish to investigate whether the content of tweets with different geospatial properties serve distinct communication functions. To accomplish this, we segregate Occupy Wall Street tweets into two classes: interstate tweets connect pairs of users in different states, and intrastate tweets connect users in the same state. We compute the probability of observing a token, , in a tweet from a given class, , as . Comparing these probabilities yields a ratio, , a value which is large when a token is more common in intrastate traffic than interstate traffic and small under the opposite conditions.

Results

Geographic Concentration

Figure 1, in which states are ordered according to the proportion of stream activity, shows that content in the Occupy stream is substantially more geographically concentrated in a few key states compared to domestic political communication. For example, New York accounts for 30% of the total retweet activity in the Occupy stream, while the most popular source for stable domestic political communication, Washington D.C., accounts for only 10.7% of the stream’s total volume. As these plots make clear, the primary locations for on-the-ground Occupy activity are those places responsible for the majority of widely rebroadcast Occupy content, with California, New York and Washington D.C. acting as the source of 53.8% of total retweets. Figure 2 maps the states where the proportion of activity associated with the Occupy stream deviates the most from that associated with the stream of domestic political communication.
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Figure 1. Proportion of retweet traffic associated with each state, for each content stream.
Ordered by the amount of traffic associated with each state, it is clear that a few high-profile locations serve as the dominant sources of content in the Occupy stream. This concentration stands in contrast to the more heterogeneous activity profile for the stream of domestic political communication.
doi:10.1371/journal.pone.0055957.g001
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Figure 2. Divergences in geographic distribution of users.
This cartogram uses color to represent the extent to which the number of Occupy Wall Street tweets in each state deviates from the domestic political communication baseline, computed as: . Redder colors indicate that proportionally more Occupy content originated from the associated state, while whiter colors indicate the opposite. To minimize the effect of outliers on the visualization and to highlight variation between states, colors for Maine and Oregon have been fixed, indicating that the deviation from baseline is more than three times the expected rate.
doi:10.1371/journal.pone.0055957.g002
We also study the ratio of content production to content consumption by locale. Figure 3 shows this ratio, defined as the total number of retweets originating from users in that state divided by the total number of tweets retweeted by users in that state. This value serves to highlight the extent to which users in a given location are functioning as content producers or content consumers. Inspecting this plot, we find that in the Occupy stream users from just five states produced more content than they consumed. This stands in contrast to the stream of stable domestic political communication, in which fourteen states exhibit a ratio greater than one.
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Figure 3. Ratio of content production versus content consumption, by stream.
Occupy Wall Street users, by state, exhibit a lower content production to consumption ratio relative to users in the domestic political communication stream. The disproportionately high ratio observed for Kentucky can be attributed to the activity of a prolific, highly popular left-leaning user from that state.
doi:10.1371/journal.pone.0055957.g003
To highlight the effect of this geospatial concentration on communication flows between states it is instructive to visualize the structure of these networks. However, owing to the geographic aggregation process outlined in section Geographic Profile both networks are highly dense, with edges spanning most pairs of states. To address this issue we utilize a technique known as multiscale backbone extraction [36], which is useful for identifying statistically significant edges in weighted networks, regardless of the absolute value associated with the weight of that edge. This technique selects for edges with weights significantly above the expectation given by an analytically defined probability distribution that models a random allocation of each node’s strength among its adjacent edges. Parameterized by a confidence level factor, , this technique allows for the selection of statistically significant edges across all weight scales, a feature that is especially valuable when working with networks with heterogeneous weight distributions such as those associated with communication or human mobility.
Applying this technique to both networks reveals a communication backbone for the Occupy network that exhibits the highly concentrated hub and spoke structure described above. Figure 4 shows that the Occupy Wall Street network is characterized by minimal state-to-state connectivity, with the majority of statistically significant traffic flowing to and from New York, California and Washington D.C. This is in contrast to the communication backbone for the network of domestic political communication, in which we observe extensive interactions among many pairs of states.
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Figure 4. Multiscale backbone () of the continental interstate communication networks.
Stable domestic political communication is shown at left, Occupy Wall Street at right. Edges adjacent to New York, California, and Washington D.C. are shown in red. Note that Occupy Wall Street exhibits a clear hub-and-spoke pattern, with the majority of traffic flowing to and from New York, California, and Washington, D.C. Likewise, observe that the Occupy Wall Street network exhibits diminished levels of interstate connectivity compared to the network of domestic political communication. We note that the structure of this network backbone is robust to different parameterizations of alpha.
doi:10.1371/journal.pone.0055957.g004

Localization

In Figure 5 we present interstate connectivity for each communication network as a matrix in which the weight of an edge is mapped to a grayscale hue ranging from white for weak relationships to black for the strongest relationships. Inspecting these plots, one of the most striking ways in which the topology of the Occupy Wall Street communication network departs from that of the domestic political communication network is the high degree of localization. This is evidenced by the presence of a strong diagonal in the Occupy Wall Street connectivity matrix, as well as the significant off-diagonal mass in the domestic political communication matrix. We find that 40% of Occupy retweets originate and terminate with users in the same state. In contrast, 11% of retweets from the domestic political stream exhibit this type of locality, an increase of more than 350%.
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Figure 5. Connectivity matrices describing directed interstate communication volume.
The edge weight corresponding to each cell is mapped to a color hue on a logarithmic scale ranging from white for edges with the least weight to black for edges with the most weight. The strong diaonalization and limited off-diagonal mass apparent in the Occupy Wall Street matrix is indicative of highly localized communication activity.
doi:10.1371/journal.pone.0055957.g005

Textual Analysis

To study the relationship between geography, resource mobilization, and collective framing, we focus on the content of tweets flowing within and between states. Restricting our analysis to tokens that account for at least 0.1% of both the intrastate and interstate tweet text, Table 1 presents the ten tokens most overrepresented in both intrastate communication as well as interstate communication.
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Table 1. Lists of tokens most overrepresented in intrastate and interstate communication.
doi:10.1371/journal.pone.0055957.t001

Discussion

The analysis of interstate connectivity patterns reveals that, relative to stable domestic political communication, the Occupy network has a highly localized geospatial structure, with a disproportionately large amount of traffic being produced and consumed by users in the same state. We propose that this phenomenon may be related to the issue of resource mobilization, that is, the process whereby any social movement must marshall resources such as money, infrastructure and human capital to further the goals of the movement. In the case of Occupy Wall Street, such resources are often quite tangible, and include not only tents and food, but also the participants required to facilitate large-scale protest action and extended encampments in cities across the country. In this light, it is easy to understand why such a disproportionately large fraction of attention is allocated to communication at the local level.
With respect to the finding that the majority of widely rebroadcast content is produced by users in a small number of high profile locations, we observe that these states represent sites of major encampment and decision making activity. Despite the fact that all users can contribute equally to the Occupy stream, it appears that proximity to events on the ground plays a major role in determining which content receives the most attention. This is in contrast to the stream of domestic political communication, in which content from users across the United States is allocated a significant share of attention. Where the stream of domestic political communication looks more like a conversation taking place at the national level, the structure of the Occupy stream is more akin to a broadcast, with just a few locations playing the role of net content producers.
Finally, we propose that interstate communication plays a significant role in the propagation of narrative imagery associated with collective framing processes, and that intrastate communication is driven more predominantly by the pressures of resource mobilization. Looking to the lists of tokens most overrepresented in each type of traffic (Table 1), we find that those more common in interstate communication include references to core framing language and the news media. This finding suggests that when users engage in communication across state boundaries they allocate proportionately higher levels of attention to speech associated with collective framing processes. In contrast, the tokens more common in intrastate traffic relate to protest action and specific times and places. From this we conclude that the content of intrastate tweets deals much more frequently with rallying the movement’s participants, a core function of resource mobilization.
The findings outlined in this paper dovetail nicely with established literature on social movement theory. However, statistical measures are limited in the extent to which they can accurately represent nuanced features of communication, and future work in this domain would benefit from rigorous qualitative content analysis. Moreover, there remains room to improve our understanding of how closely the structure of social media communication mirrors that of other forms of communication. For example, Mislove, et al. found that the geographical distribution of Twitter users tends to over-represent populous counties and metropolitan areas, suggesting that entire rural regions may be significantly under-represented – with similar findings holding true for ethnicity and gender as well [37]. In this respect as well, work of this nature would benefit from deeper involvement from scholars in the social sciences, and we hope that this type of interdisciplinary collaboration will become increasingly common.

Acknowledgments

We would like to thank Alex Rudnick, Jacob Ratkiewicz, Mark Meiss, and other current and past members of the Truthy group at Indiana University (cnets.indiana.edu/groups/nan/truthy) for their contributions to the Truthy Project. Additionally, we would like to thank Fabio Rojas, Brian Keegan, and Bruno Gonçalves for their constructive, insightful feedback during the preparation of this manuscript.

Author Contributions

Conceived and designed the experiments: MDC AF FM EF CD KM. Performed the experiments: MDC CD. Analyzed the data: MDC AF FM EF CD KM. Wrote the paper: MDC AF FM EF.

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