07 fevereiro 2026

Não foi apenas por um punhado de dólares



Países destruídos; economias devastadas; migração em massa de refugiados; cenário de desemprego, fome, desconfiança e desespero. Como se isso não bastasse, o fantasma de ditaduras do passado voltava a assombrar.
Os países estavam fechando as portas para qualquer multilateralismo e apostando em projetos autárquicos. A ONU e as instituições de Bretton Woods não davam conta de reverter essa situação.

Algo soa familiar?

Esse era o contexto do Plano Marshall, uma estratégia lançada há quase 80 anos (1947) para reconstruir a Europa. 

Meu livro, Plano Marshall: estratégia, apoio à decisão e planejamento para a próxima grande crise, conta essa história e resgata o que ela tem de atual (clique no link para baixar e ler o arquivo PDF do livro).

O livro tem prefácio do célebre professor Albert Fishlow, que, com sua grande generosidade, diz: 

"Lassance nos auxilia a estruturar os próximos debates sobre políticas públicas. Sua cuidadosa análise histórica e metodológica do Plano Marshall aponta lições para o presente." (Albert Fishlow é professor emérito da Universidade de Columbia e da Universidade da Califórnia, em Berkeley). 


Não se sabe quando será a próxima grande crise global, mas, quando ela vier, certamente alguém dirá que “é preciso um novo Plano Marshall”. O Plano é rotineiramente aventado como uma cartada para reerguer rapidamente países e continentes que atravessam recessões ou depressões econômicas, ainda mais quando acompanhadas por crises humanitárias graves.

Como lembra Graham T. Allison, 

"O Plano Marshall se tornou uma analogia favorita dos formuladores de políticas públicas. No entanto, poucos sabem o suficiente sobre ele." 

Espero que este livro seja uma pequena contribuição para se entender melhor como essa estratégia foi pensada, articulada como uma peça importante de uma política externa multilateralista e transformada em programas nacionais emblemáticos e exitosos, na maior parte dos casos.


"Quando se vê tudo isso, você acaba se perguntando: 
Todas essas histórias são sobre o quê? 
Apenas sobre um punhado de dólares? 
Ou existe algo mais por trás?" 
Alberto Moravia, 1967*.


* MORAVIA, A. Tre mafi osi a caccia di dollari. Roma, L’Espresso genn. 1967.


LASSANCE, Antonio. Plano Marshall: estratégia, apoio à decisão e planejamento para a próxima grande crise. Rio de Janeiro: Ipea, 2026. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/19995   


A capa do livro é a reprodução dos painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari, que estão na sede da ONU (Nova York). Agradeço a João Candido Portinari, filho do pintor, e ao Projeto Portinari pela autorização de uso.



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21 janeiro 2026

Comunicação em políticas públicas


No artigo "Políticas Públicas e comunicação", conto um pouco da trajetória que uniu e depois separou e especializou comunicação, política e políticas públicas em campos bem distintos, profissionalizados, com lógicas e gramáticas próprias, interdependentes e confrontadas.

DUARTE, Jorge e LASSANCE, Antonio. Políticas Públicas e comunicação: integração para resultados orientados a valor público. Jorge Duarte (organizador). Comunicação em políticas públicas: fundamentos e casos de impacto. São Paulo: Aberje, ABC Pública, 2025. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/14YlcbLwvrC80AbGoRYH0IIumm44twWG5/view?usp=sharing 


O livro completo, organizado pelo professor e pesquisador Jorge Duarte, está disponível em: https://bunny-wp-pullzone-5bno2ohhpt.b-cdn.net/wp-content/uploads/2025/10/Livro-Comunicacao-em-Politicas-Publicas2.pdf  





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30 outubro 2025

Como você comunica sua pesquisa?


O objetivo deste artigo é compreender o que a comunidade de especialistas responsável pela
comunicação técnico-científica deve fazer para evitar o isolamento, o descrédito e sua condenação à irrelevância, diante de ataques agressivos do negacionismo e das fábricas de desinformação

Até hoje, parte significativa dessa comunidade ainda imagina que a tarefa de comunicar achados de pesquisa deve resumir-se a manter uma produção acadêmica em quantidade exuberante, em livros e artigos para periódicos ("journals"); pela participação em eventos como congressos e simpósios temáticos ou das associações de especialistas; e, na melhor das hipóteses, em entrevistas e artigos a serem publicados pela imprensa tradicional

Porém, tanto a mídia mais tradicional quanto até mesmo as principais editoras científicas internacionais fazem coro às grandes tendências da comunicação digital

Há pelo menos quatro grandes mudanças irreversíveis que precisam ser incorporadas na disseminação da produção técnico-científica: 

1) a preferência pela linguagem simples, para garantir maior amplitude do interesse pelos estudos; 
2) o uso de formas e plataformas abertas e múltiplas não apenas de disseminação, mas de interação com públicos mais amplos, para além do mundo estritamente acadêmico e jornalístico; 
3) a predominância do interesse pela discussão científica de caráter aplicado, dedicada a dar solução a problemas palpáveis e ilustrados pela narrativa de casos concretos ("storytelling"); e 
4) o lugar cada vez mais central e relevante da imagem como síntese da mensagem.



Para abrir, ler e citar:
LASSANCE, Antonio. Como você comunica sua pesquisa? Rio de Janeiro: IBGE, 2024. https://drive.google.com/file/d/1gB4xVP9ghQzcrc0SLdzx-pqlpe_4GquK/view?usp=sharing


Os slides que usei em minha apresentação 
LASSANCE, Antonio. Como você comunica informações e dados técnicos?. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 2024. Apresentação feita à Conferência Nacional dos Agentes Produtores e Usuários de Dados. 


















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