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30 dezembro 2024

Esta experiência de combate à desinformação deveria inspirar muitas outras organizações públicas a fazerem o mesmo


Que papel pode cumprir o Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia – CIEDDE, criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como inovação de política pública? E qual sua possibilidade de difusão enquanto experiência de combate às fake news?

Respondo a esta pergunta em um livro que acaba de ser lançado pelo Supremo Tribunal Federal e pela Universidade de Brasília.

Minha conclusão, em um dos capítulos deste livro, é a de que o Centro representa um protótipo que reúne um conjunto de incentivos de disseminação autônoma de outras experiências desse tipo, em outros campos de política pública. Elas podem ser estimuladas não só pelo efeito-demonstração da governança e coordenação desenvolvidos pelo Centro como, também, pelo sentido paradigmático de criminalizar milícias digitais extremistas com base em um repertório legal pré-existente que dispensa a necessidade de regulamentações específicas sobre fake news.

"A criação do Centro, pela primeira vez, coloca a possibilidade de um rastreamento de redes de ódio e de distribuição de desinformação em larga escala por meio de mecanismos próprios, com uso de inteligência artificial, autonomamente em relação às grandes corporações midiáticas digitais. A lógica do CIEDDE inverte a equação usual de esperar que as fake news repercutam negativamente, na destruição de reputações e na disseminação de temores infundados, para que os danos provocados sobre alguém que tenha sofrido essas consequências motivem um registro a autoridades policiais ou o acionamento das Defensorias ou do Ministério Público que, por sua vez, levam o caso à apreciação do Judiciário. Essa demanda dependia, até agora, da colaboração ativa das empresas proprietárias dos aplicativos de mensagem para se conhecer a real extensão do dano. A expectativa é que o Centro abrevie esse processo e intime as empresas a agir tempestivamente."

O livro reúne, além da contribuição de várias(os) especialistas, capítulos escritos por ministros do próprio Supremo.
Chamo a atenção também para o capítulo escrito pelo ministro do STF, Flávio Dino, e a advogada e ex-Secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Estela Aranha, Questões atuais sobre inteligência artificial: riscos e emergência regulatória


Leia:
LASSANCE, Antonio. O Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia como inovação de política pública no combate às fake news. In: OSORIO, Aline Rezende Peres et al. (organização). Desinformação, o mal do século: o futuro da democracia, inteligência artificial e direitos fundamentais. Brasília : Supremo Tribunal Federal ; Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, 2024. pp 268-280. Disponível em:  https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/campanha/anexo/combate/ebookdesinformacao_VOL2.pdf


Coletânea “Desinformação: O Mal do Século” é fruto de parceria do Supremo com a Universidade de Brasília.




Palavras-chave: desinformação, fake news, TSE, Tribunal Superior Eleitoral, inovação em políticas públicas, difusão de políticas públicas.









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06 maio 2024

INSTITUIÇÕES, ESTADO e POLÍTICAS PÚBLICAS

Uma introdução à ciência política em linguagem simples 




Também disponível na plataforma Archive

Para citar:
LASSANCE, Antonio. Instituições, Estado e Políticas Públicas: uma introdução à ciência política em linguagem simples. São Paulo: Nexo Políticas Públicas. Disponível em: https://bit.ly/49Utw13. Acesso em 5 maio 2024.
















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10 janeiro 2023

Tá na hora de os fascistas já irem embora do serviço público

Servidor público fascista deve ser tratado como fascista, e não como servidor. Deve ser confrontado e destituído pelo Estado democrático de direito com as credenciais legais e democráticas já existentes.

A maioria das pessoas já percebeu que, apesar de todo o espetáculo dantesco de destruição e performances escatológicas, os grandes responsáveis pela vandalização das sedes dos Poderes da República, mais do que as pessoas vestidas de verde e amarelo e os que, de longe, financiaram o caos, foram os homens de preto, ou seja, os responsáveis pelo aparato policial militar que deveria conter os invasores da Terra Plana.


Por sorte, parece que caiu no chão aquela caneta que os homens de preto normalmente usam para apagar a memória recente dos fatos. Ao contrário, o colaboracionismo ficou explícito em selfies usadas para registrar seu êxtase naquele momento.

A destruição aconteceu não apenas porque algumas pessoas apedrejaram, chutaram, cuspiram, urinaram e defecaram nos Palácios. Ficou evidente que os grandes responsáveis foram os que cruzaram os braços diante daquelas cenas.

Para além dos terroristas e dos financiadores do caos, precisamos falar de uma outra categoria que virou pilar do fascismo no país: os sabotadores custeados com dinheiro público. Esses sabotadores estatais são funcionários públicos civis ou militares que, embora pagos regiamente para cumprir a lei e a ordem do Estado democrático de direito, preferem agir como milícias.

O aparato policial que conduziu e facilitou a invasão dos palácios na Praça dos Três Poderes foi escolhido a dedo pelo então secretário e ex-ministro do bolsonarismo, Anderson Torres, mas ele não teve lá tanto trabalho. A PM do DF já havia feito uma "excelente" avant-première em dezembro de 2022, quando não moveu um único dedo para conter a queima de ônibus e carros de passeio após a tentativa de invasão da sede da PF. 

O que se viu, nas duas ocasiões, foi exatamente a polícia se comportar como milícia. Não todos os policiais, mas sobretudo os que comandam a PM mais bem paga do país parecem satisfeitos e se regozijam de achar que fazem o que lhes dá na telha com o dinheiro que recebem para proteger a Capital, as autoridades e os Poderes da República.

Por isso, uma das decisões mais importantes tomadas na esteira da grande destruição do dia 8 não pode passar despercebida. Tanto quanto a intervenção Federal na segurança pública do DF e o afastamento do governador Ibaneis Rocha, é preciso fazer valer a orientação da CGU para que todos os servidores públicos envolvidos nessas manifestações sejam devidamente identificados, processados administrativamente e punidos por terem atentado, "principalmente, contra o Estado Democrático de Direito".

Essa orientação pode e deve ser entendida também como a identificação, processo e punição de todo e qualquer servidor que tenha contribuído com o patrocínio financeiro ou a propagação de mensagens favoráveis ao golpe de Estado frustrado. Independentemente de essa pessoa ter participado ou não e de ter gostado ou não do quebra-quebra, o que importa é o grau de adesão desses servidores ao golpismo; sua indecorosa traição à Constituição; a postura antiética de desprezo à sua função de servidor público.

Servidor público fascista deve ser tratado como fascista, e não como servidor. Deve ser confrontado e destituído pelo Estado democrático de direito com as credenciais legais e democráticas já existentes.

Os fascistas, em especial os libertarianistas deitados eternamente no berço esplêndido de seus empregos públicos, têm a chance de ouro de abandonar a esquizofrenia de serem pagos pelo Estado para serem anti-Estado. O único gasto com dinheiro público que se pode admitir com um golpista é o de custear sua estada na Papuda. 

Eles podem e devem buscar algum emprego, quem sabe, no banco BTG Pactual, que acabou de contratar dois ex-ministros ultrabolsonaristas como sócios. Podem também assumir um cargo de gerente em alguma loja da Havan ou de chapeiro do Madero. 

Parece que as únicas vagas que não estão mais disponíveis são as que o PL ofereceu, com direito a um senhor salário e uma bela mansão com vista para o Lago Paranoá. O STF, em tempo, resolveu poupar esse partido de usar recursos públicos para patrocinar fascistas com um fundo que eles fingiam abominar.

* Antonio Lassance, servidor público, historiador e cientista político.




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13 fevereiro 2022

A ascensão dos nazistas ("Rise of the Nazis")


Minissérie histórica da BBC 





Ascensão dos Nazistas (em inglês, Rise of the Nazis) conta, em três episódios, como Adolf Hitler e seu Partido Nazista chegaram ao poder na Alemanha no começo da década de 1930.

As consequências disso seriam trágicas para a humanidade.

Este primeiro episódio nos leva aos corredores do poder, onde um mestre da política alemã vê uma oportunidade de usar a repentina popularidade dos nazistas para benefício próprio.

Isso leva a uma rede de erros de cálculo, acordos duvidosos e tomadas de poder que irão tirar Hitler das franjas do ativismo político e alçá-lo ao coração do governo.

Hitler quer se tornar o líder absoluto de um regime de partido único na Alemanha – mas, em seu caminho, estão a democracia e as leis.

Depois de um golpe malsucedido em 1923, Hitler adota outra estratégia: em vez de agirem como revolucionários, os nazistas se tornarão um partido político legítimo, operando sob a aparência de legalidade.

O objetivo dele é conquistar o poder democraticamente e então destruir a democracia por dentro. 

Para atingir essa meta, Hitler precisa superar a elite política da Alemanha, incluindo o presidente Paul von Hindenburg, que o menospreza, e, internamente, Kurt von Schleicher, que quer usá-lo.

Enquanto suas intrigas políticas se desenrolam no nível mais alto do governo, Hitler enfrenta outro obstáculo: o advogado judeu Hans Litten, que tenta provar que os nazistas estão longe de ser o partido legal e legítimo que eles clamam ser.



Episódio 2




Episódio 3





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31 agosto 2021

O mito da facada: uma velha história



"A ideia de que uma guerra - ou uma eleição - não foi realmente perdida, mas traída por uma conspiração de bastidores é uma forma fácil e perenemente atraente (para algumas pessoas pelo menos) de explicar a derrota: derrota, afinal, é muito difícil e doloroso de se admitir. 

Também desqualifica uma grande parte da sociedade como se ela não pertencesse à nação, sejam os judeus ou os socialistas na Alemanha, em 1918, ou os Democratas na eleição dos Estados Unidos em 2020."


A frase acima é do renomado historiador Richard J. Evans, em entrevista.

Célebre especialista em Hitler e no nazismo, seu trabalho mais recente se chama “As conspirações de Hitler: A facada nas costas - O incêndio do Reichstag - Rudolf Hess - A fuga do Bunker”.

O livro trata das teorias da conspiração e fake news geradas em profusão pelo nazismo. 

A frase dita acima por Evans foi a resposta à pergunta do jornalista Aaron J. Leonard:

"Seu capítulo detalhando o mito da "facada nas costas", que afirma que o exército alemão foi sabotado da vitória na Primeira Guerra Mundial por várias forças de esquerda antipatrióticas, me fez pensar em um veterano do Vietnã que encontrei há alguns anos e que era taxativo de que, naquela guerra, os EUA foram forçados a lutar com 'uma mão amarrada nas costas'. Parece que uma das características de muitas dessas teorias da conspiração ou 'histórias alternativas', é pegar uma perda ou fraqueza e transformá-la em algo mais rasteiro. Isso é correto ou há algo mais acontecendo?"













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01 agosto 2021

Voto impresso? Como assim?







Um fantasma ronda as eleições de 2022: o fantasma da urna eletrônica.
Uma onda de desinformação tem acompanhado a questão.
Vamos ajudar a esclarecer o assunto e a entender por que querem colocar o bode do "voto impresso" no meio da sala da democracia brasileira.










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16 dezembro 2019

O Reino Desunido de Boris Johnson


Resultado de imagem para Boris-Johnson

Seria bom se a direita fosse direita; se o centro fosse centro; se a esquerda fosse esquerda; e que os extremismos fossem apenas pontos fora da curva, e não representantes da maioria.



Leia o artigo completo na Carta Maior.












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20 novembro 2019

Uma democracia é mais sábia do que qualquer ditadura

E quando as pessoas cedem à estupidez, coincidentemente, a democracia torna-se ameaçada. 

Esta é a impressão que fica do livro organizado por Hélène Landemore e Jon Elster.


Os autores (16 ao todo) demonstram que os regimes políticos atuais, em grande medida, fragmentam, distorcem e massificam a discussão e a cooperação coletiva, ao invés de promovê-la. Dessa maneira, embora a democracia atual seja ainda baseada no princípio da soberania popular e da decisão da maioria, ela mina as bases coletivas que poderiam torná-la mais protegida de decisões precipitadas e irracionais, motivadas mais por ódios que por argumentos.

A sabedoria coletiva (que é mais que inteligência) significa a construção de noções e conclusões a partir de muitos lados. Já as noções e decisões individualizadas se debruçam sobre processos em que as pessoas só concebem o seu "umbigo".

Contrariando uma milenar teoria política antidemocrática (desde os filósofos da  Antiguidade Clássica, à exceção dos sofistas e, em certa medida, de Aristóteles), o livro Sabedoria Coletiva: princípios e mecanismos começa lembrando que James Madison (1751-1836) escreveu: 


"Se todo cidadão ateniense fosse Sócrates, toda assembleia ateniense ainda seria uma multidão". 

Os autores discutem e, em grande medida, desafiam essa afirmação, considerando as condições sob as quais muitas cabeças podem pensar melhor que uma. 

Conforme diz a apresentação da editora (Cambridge):
"Com conhecimentos de economia, ciência cognitiva, ciência política, direito e história, os autores consideram o mercado da informação, a internet, as decisões de tribunais do júri, a deliberação democrática e o uso da diversidade de pontos de vista como mecanismos para melhorar as decisões coletivas.
Ao mesmo tempo, consideram a irracionalidade dos eleitores e os paradoxos da agregação como potenciais fatores que minam a sabedoria dos grupos. 
Implícita ou explicitamente, a obra também oferece orientação e conselhos aos preocupados com a engenharia institucional."


Obs: o livro ainda (novembro de 2011) não tem edição em Português.


Collective Wisdom: Principles and Mechanisms

Hélène Landemore, Jon Elster Publisher: Cambridge University Press, Year: 2012.  

James Madison wrote, 


"Had every Athenian citizen been a Socrates, every Athenian assembly would still have been a mob." 

The contributors to this volume discuss and for the most part challenge this claim by considering conditions under which many minds can be wiser than one. 

With backgrounds in economics, cognitive science, political science, law, and history, the authors consider information markets, the Internet, jury debates, democratic deliberation, and the use of diversity as mechanisms for improving collective decisions. 

At the same time, they consider voter irrationality and paradoxes of aggregation as possibly undermining the wisdom of groups. Implicitly or explicitly, the volume also offers guidance and warnings to institutional designers.




Hélène Landemore is a graduate of the "École Normale Supérieure", in Paris, Sciences Po Paris, and Harvard University (PhD 2008). After holding postdoctoral positions at the Collège de France in Paris, Brown University, and MIT, she is now an assistant professor of political science at Yale University. She is the author of Hume: probabilité et choix raisonnable and Democratic Reason: Politics, Collective Intelligence, and the Rule of the Many. Her work has appeared in the Journal of Moral Philosophy, Raison Publique, Synthese, Journal of Public Deliberation, Critical Review, and Political Psychology. 

Jon Elster is Robert K. Merton Professor of Political Science at Columbia University. He was previously a professor at the University of Chicago. From 2005 to 2011, he held the Chaire de Rationalité et Sciences Sociales at the Collège de France in Paris. He is a member of the American Academy of Arts and Sciences, Academia Europaea, and the Norwegian Academy of Science and is a Corresponding Fellow of the British Academy. He holds honorary doctorates from the universities of Valencia, Stockholm, Trondheim, Bogota, Torcuata di Tella, and Louvain-la-Neuve. Elster is the author of twenty-three monographs, which have been translated into eighteen languages. The most recent of these include L’Irrationalite; Alexis de Tocqueville: The First Social Scientist; Le Désintéressement; Explaining Social Behavior; Agir contre soi; Closing the Books; and Alchemies of the Mind.










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17 julho 2019

Contra a intolerância, "fair play" nas conversas

Como argumentar com gentileza e cuidado: 4 regras do filósofo Daniel Dennett

Formulado por Aristóteles e seus intérpretes romanos e medievais, o trivium clássico - uma divisão do pensamento e da escrita em lógica, gramática e retórica - pressupõe pelo menos três coisas: que importa como chegamos às nossas ideias; importa a maneira como as expressamos; e importa como tratamos as pessoas com as quais interagimos, até mesmo, e especialmente, aquelas com as quais discordamos.

Dennett* descreve o processo em quatro etapas: 

1. Tente re-expressar a posição do seu alvo de forma tão clara, vívida e justa que o seu interlocutor diga: "Obrigado, eu gostaria de ter pensado em colocar dessa forma". 

2. Liste todos os pontos de acordo (especialmente se eles não forem assuntos de acordo geral ou generalizado). 

3. Mencione qualquer coisa que você tenha aprendido com o seu interlocutor. 

4. Só então é permitido dizer tanto como uma palavra de refutação ou crítica.

Esses são remédios para uma melhor coesão social e diminuir a polarização que existe na "artilharia de nossas certezas por detrás do confortável escudo do teclado", como escreve Maria Popova em Brain Pickings, "o que significa, de fato, a ameaça de reagir em vez de responder".

Gritar, ou digitar, no vazio, em vez de se envolver em uma discussão substantiva e respeitosa, é também um desperdício terrível do nosso tempo - uma distração de atividades muito valiosas. 

Podemos e devemos, argumenta Dennett [e outros] filósofos ao longo dos séculos, procurar posições que discordemos. Ao buscar e tentar entender [a discordância] nas melhores versões possíveis, temos a chance de adquirir novos conhecimentos e ampliar nossa empatia.


Fontes: 
O livro de Daniel C. Dennett é "Intuition Pumps And Other Tools for Thinking", publicado pela W. W. Norton & Company (2013).
A matéria acima é um resumo a partir de trechos do portal Open Culture.



How to Argue With Kindness and Care: 4 Rules from Philosopher Daniel Dennett

Drawn from Aristotle and his Roman and Medieval interpreters, the “classical trivium”—a division of thought and writing into Logic, Grammar, and Rhetoric—assumes at least three things: that it matters how we arrive at our ideas, it matters how we express them, and it matters how we treat the people with whom we interact, even, and especially, those with whom we disagree. 

Dennett outlines the process in four steps: Attempt to re-express your target's position so clearly, vividly and fairly that your target says: "Thanks, I wish I'd thought of putting it that way." List any points of agreement (especially if they are not matters of general or widespread agreement). Mention anything you have learned from your target. Only then are you permitted to say so much as a word of rebuttal or criticism. 

These are remedies for better social cohesion and less shouty polarization, for deploying "the artillery of our righteousness from behind the comfortable shield of the keyboard,” as Maria Popova writes at Brain Pickings, “which is really a menace of reacting rather than responding.”

Yelling, or typing, into the void, rather than engaging in substantive, respectful discussion is also a terrible waste of our time—a distraction from much worthier pursuits. We can and should, argues Dennett, Rapoport, and philosophers over the centuries, seek out positions we disagree with. In seeking out and trying to understand their best possible versions, we stand to gain new knowledge and widen our appreciation. 














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30 março 2019

Militares da Democracia: os militares que disseram NÃO





Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país.

Militares da Democracia resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática.

Dirigido por Silvio Tendler, o filme faz parte do Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia.

















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15 janeiro 2019

Sem educação, os homens vão matar-se uns aos outros

Considerado o maior neurocientista do mundo, o português António Damásio falava em seu novo livro, 
“A Estranha Ordem das Coisas”, que 
é preciso educarmo-nos para contrariar os nossos instintos mais básicos, que nos impelem a pensar primeiro na nossa sobrevivência. 

"É preciso suplantar uma biologia muito forte", 

Damásio relaciona este comportamento ao crescimento do discurso anti-imigração e à ascensão de partidos neonazistas e outras variantes de nacionalismo xenófobo.

O livro é uma continuação de “O Erro de Descartes”, 22 anos mais tarde. Em “O Erro de Descartes” havia uma série de direções que apontavam para este novo livro, mas não tinha dados para o suportar”, explicou António Damásio, referindo-se ao famoso livro que, nos finais da década de 90, veio demonstrar como a ausência de emoções pode prejudicar a racionalidade.

Os grande motivadores das culturas atuais foram as condições que levaram à dor e ao sofrimento, que levaram as pessoas a ter que fazer alguma coisa que cancelasse a dor e o sofrimento”, explicou António Damásio.



Damásio defende que o problema é uma abordagem emocional e não racional: 

“O problema é ter mais emoções negativas do que positivas, não é ter emoções”.




Fonte: reportagem publicada por Sapo (31-10-2017) e republicada no portal Unisinos.  

Ilustração: The William T. Ayton Art Blog The Struggle for Survival, 2011, brush pen and ink on paper, disponível em http://1.bp.blogspot.com/







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13 dezembro 2018

Só lembrando, pois parece que isso anda meio esquecido por aqui



Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

 I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

  III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

 IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

 I - independência nacional;

 II - prevalência dos direitos humanos;

 III - autodeterminação dos povos;

IV - não-intervenção;

 V - igualdade entre os Estados;

 VI - defesa da paz;

 VII - solução pacífica dos conflitos;

 VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

 IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

 X - concessão de asilo político.


Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.


Para quem não se lembra, isso está escrito em um livro chamado Constituição da República Federativa do Brasil.

Brasil é um lugar que alguns imaginaram que seria o país do futuro, mas caminha a passos largos para se tornar o país do passado.
















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10 dezembro 2018

A França, isto é uma revolução?



Vou contar-vos as coisas magníficas que aconteceram em França nestes dias. Extraordinárias. 

Raquel Varela *


Vou contar-vos as coisas magníficas que aconteceram em França nestes dias. Extraordinárias. Polícias que retiraram capacetes e cantaram com os manifestantes a Marselhesa; bombeiros que numa homenagem em frente à prefeitura viraram as costas aos políticos vestidos com cores da França e abandonaram a homenagem; manifestantes de extrema-direita expulsos das manifestações por coletes amarelos; portagens ocupadas pelos manifestantes que impedem que se cobre passagem; há sindicatos da polícia que aderiram já à manifestação de amanhã, e sindicatos ferroviários que decidiram não cobrar bilhete aos manifestante que se dirigem amanhã a Paris. Greves e assembleias gerias de estudantes. As centrais sindicais do status quo pedem recuo nos protestos, mas representam no total menos de 7% dos trabalhadores franceses. A França vive uma revolta – não sei se é uma revolução, mas não é um movimento social como outros. É, na minha opinião, a primeira batalha perdida pelo neoliberalismo, depois da sua grande vitória, marcada pela derrota dos mineiros nos anos 80 por Margaret Thatcher. Um novo processo histórico nasceu este mês na França. Tudo pode acontecer – a história acelera agora a uma velocidade que nos parece estonteante. Em 3 dias Macron recuou 2 vezes, não é certo que o seu mandato sobreviva. O movimento já está na Bélgica.


Vi com encolher de ombros a facilidade com que tantos aqui acreditaram que era a extrema-direita a dirigir aquele que já é o maior movimento europeu contra o neoliberalismo.


Continua a espantar-me a facilidade com que acreditamos no senso comum, a credulidade, a ausência de sentido critico. Mas alguém imagina que a extrema-direita tem de perto ou longe alguma organização para dirigir milhões de pessoas nas ruas há 3 semanas? Não, as pessoas acreditam porque querem acreditar. Desta vez não é necessário um aguçado sentido critico, bastava ler o Le Monde, o El País e ver a Euronews para perceber o susto na cara de Le Pen nos últimos dias, o pânico na face de Macron e a situação de crise no poder do Estado. E, sobretudo, o esforço que Macron fez para que Le Pen apareça como responsável e líder de um movimento. Ora, a esquerda aderiu ao Movimento formalmente, e há vários relatos da extrema-direita expulsa das manifestações. Também há de centrais sindicais amarelas – o que a meu ver é errado. O fascismo não pode ter espaço algum, porque é inimigo das liberdades, o reformismo, por pior que seja, deve ter liberdade de manifestação. A cólera do Movimento dirige-se contra as prefeituras, centenas foram atacadas e uma totalmente queimada. A crise dos partidos tradicionais é total, a separação entre representantes e representados de massas. Macron lembrou-se finalmente que foi eleito com menos de 25% dos votos dos franceses. Quantas vezes temos insistido que força eleitoral não é representação social, António Costa e Geringonça?


A França está a viver uma situação inédita desde o Maio de 68. São trabalhadores, professores e cientistas, reformados e no activo, ferroviários e estudantes, sectores médios proletarizados em massa. O centro da luta é a chamada Diagonal do Vazio, uma área geográfica de pequenas e médias cidades que vai do nordeste ao sudoeste do país. Nevers foi o epicentro. Nestas cidades os manifestantes – todos senhores e senhoras, como poderão ver pelas reportagens, envergando o seu colete amarelo – explicam que têm que usar o carro, idosos, para ir às compras a 10 km de distância porque o grande comércio destruiu as mercearias – conta o El País; o saque das pequenas lojas é mínimo, a maioria das lojas destruídas são as de alta costura e os grandes armazéns – diz o Le Monde. A revolta começou contra os impostos, estão “fartos” de em nome da “economia dita verde” pagarem para serem cada vez mais excluídos, do acesso à cidade também; uma senhora conta que chega ao fim do mês com 70 euros; outro que “não tolera viver num país onde o PM veste um fato de 45 mil euros, 3 salários anuais de um operário”; um engenheiro não sabe se “metade dos manifestantes concorda com a outra metade” mas não vai “sair da rua” até que as coisas mudem. A pressão fiscal em França já é mais de 45%. Querem emprego e não o rendimento mínimo. Não são contra a imigração mas defendem que a solução está nos países de origem e que as políticas dos países ricos têm que mudar radicalmente.


Não gosto de violência. Nem de vandalismo ou destruição. Nunca mostrei simpatia pelos jovens desempregados ou sub empregados da periferia que vêm para a rua partir carros em França e Inglaterra. Ao contrário da direita, acho que eles não nasceram vândalos, acho que são animalizados pela exclusão social que a direita promove. Ao contrário de uma parte da esquerda organizada não acho que eles sejam uma esperança, nem uma forma de resistência – só vejo no vandalismo desespero e desistência. Sei também que a violência é mínima, a maioria, larga maioria, dos bairros pobres tem gente que com um esforço incrível vive do trabalho mais mal pago, e não desiste de viver. São os milhares de jovens que trabalham no comércio, construção civil, a vida deles não é partir, mas trabalhar por quase nada. Tenho muitas dúvidas sobre se os “partidores” pertencem à classe trabalhadora – sei que são filhos dela, não sei se não estão mais próximo do lumpen-proletariado. Misturar estes fenómenos, recorrentes na Europa, e minoritários, com o Movimento dos Coletes Amarelos é confundir uma tosta mista com um banquete em Versalhes.


Macron está a caminho de sair mal entrou não porque houve pancadaria no Arco do Triunfo, mas porque os coletes amarelos pararam a circulação de mercadorias há 3 semanas questionando a autoridade do Estado, que não os conseguiu impedir. E viram costas às autoridades políticas locais. O Movimento conta com o apoio oficial de 60% dos franceses.


Sabem que mais? Estou tão feliz estes dias. Ando há anos ouvir falar da “aristocracia” operária europeia e da esperança na periferia do mundo, qualquer movimento camponês com 200 pessoas pessoas na Ásia é mais aplaudido pela esquerda do que uma greve de médicos na Alemanha, logo apelidados de “privilegiados”. Foi por isso que escrevi um livro de História da Europa, que lembrasse o passado de resistência na Europa, a importância dos sectores médios, a centralidade da produção de valor nos países centrais, a tradição de consciência de classe na Europa – superior a qualquer parte do mundo – os trabalhadores na Europa, sem os quais não haverá solução civilizada no mundo. Passámos de um eurocentrismo para ujm periferocentrismo absurdo. Agora…sorte, sorte, sorte mesmo, porque tal precisão temporal não pode ser atribuída à previsão cientifica, é que o meu livro Um Povo na Revolução foi publicado em França justamente este mês. Eles não fazem ideia, os coletes amarelos, como esse pedaço de coincidência irrelevante para a história da humanidade me divertiu. Vou ceder no meu gosto por roupa bonita e vestir o tal do colete amarelo amanhã.


Não sei se é uma revolução. Pode ser. Ou não. Se não for, será adiada mas não evitada. Se estão com medo do mundo do trabalho, não imaginam que a ele devemos tudo o que de mais civilizado possuímos. Não olhem para o Arco do Triunfo em chamas, essas imagens de caos, mas para o triunfo da defesa organizada da cidade humanizada, do emprego com direitos, de um mundo justo, sem impérios e brutalidade social. Os coletes amarelos são isso, quanto mais apoio tiverem de pessoas que acreditam na vida civilizada mais serão ainda parte da solução.






Raquel Varela é historiadora e investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa











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08 dezembro 2018

A esquerda espanhola tenta decifrar a onda reacionária que desembarcou em seu país



La ola reaccionaria llega a España



Bipartidismo quebrado, extremo centro neoliberal en recomposición, su pata social-liberal hundiéndose, extrema derecha en ascenso, una izquierda impotente y parlamentos resultantes fragmentados.


Miguel Urbán*


A principios de la década de los setenta, la gran mayoría de los europeos pensaba que el renacimiento de las organizaciones fascistas se articularía en torno a los restos de las dictaduras mediterráneas. El tiempo ha demostrado lo contrario, salvo el caso particular de Grecia, tanto en Portugal como en España, las opciones vinculadas al espectro de la ultraderecha han cosechado tradicionalmente los peores resultados electorales del continente. Al menos hasta las elecciones andaluzas de diciembre de 2018 donde la ultraderecha, representada por Vox, alcanzó un sorprendente 10 por ciento de los votos y 12 diputados. Todo un terremoto electoral no sólo por la irrupción de la extrema derecha en el parlamento andaluz, sino también porque la izquierda perdió la mayoría parlamentaria. Una situación que abre la puerta a que, por primera vez en democracia, gobierne la derecha en Andalucía. Gobierno que no será posible sin el apoyo de Vox.


Pero no nos engañemos, el fracaso electoral de la ultraderecha española hasta ahora no significaba que sus valores propios no se encontraran en el arco institucional. Más bien, esta especie de presencia ausente de la extrema derecha española ha enmascarado la permanencia de un franquismo sociológico neoconservador y xenófobo. Sin embargo, carecía de una expresión política y se encontrada diluida hasta ahora en el interior de un Partido Popular (PP) acogedor. Ahora, por primera vez parece haber encontrado una expresión política propia en Vox.


¿Por qué ahora la irrupción de Vox? Algunas voces destacan la crisis de un PP acorralado por la corrupción como el único partido de la derecha española que ha propiciado una inusual competencia electoral, favoreciendo la dispersión del voto entre varias opciones y diluyendo la idea fuerza del voto útil, sirviendo de cortafuegos para la emergencia de otras opciones conservadoras. Otras voces señalan cómo la competencia entre las derechas ha propiciado una radicalización de las propuestas del PP y de Ciudadanos (liberales) que ha contribuido a la normalización de Vox, al que se han negado a catalogar como un partido de ultraderecha a lo largo de la campaña andaluza y con el que se plantean pactar para formar gobierno ante el asombro de sus familias políticas europeas. Hay quienes apuntan a la ola mundial de ascenso de los nuevos populismos xenófobos y punitivos. Otras, argumentan el marco atrapalotodo del conflicto territorial con Cataluña. Otras, en la impotencia de la izquierda y las limitaciones de ciertas estrategias electorales e institucionales. Otras, en los miedos e incertidumbres de las clases medias empobrecidas en el contexto de crisis sistémica de hace más de una década.


¿Y ahora qué hacemos? Existe la tentación de intentar frenar el avance del neofascismo cerrando filas acríticamente con los partidos del extremo centro (PSOE, Cs y PP), lo que puede contribuir a dos procesos muy peligrosos. Primero, a seguir alimentando las supuestas bondades democráticas y progresistas de quienes han puesto todo de su parte para que hoy estemos así, reforzando de ese modo la trampa binaria que nos obliga a elegir entre populismo xenófobo o un neoliberalismo, que se presenta como progresista en el reflejo del espejo de la bestia autoritaria. En segundo lugar, abrazarse al extremo centro sin contrapesos le deja en bandeja a Vox el monopolio del voto protesta antiestablishment y la etiqueta tan útil de outsider de un sistema que genera malestares crecientes.


¿Puede cierta orfandad por la izquierda traducirse en un desplazamiento de votantes a la extrema derecha? No de forma matemática, más bien se traduce en lo que ya ocurrió en Andalucía el 2D y poco se está destacando: en un aumento de la abstención de izquierdas. Analicemos por qué Vox (o Cs) ilusionan a parte del electorado conservador (el que ya votaba a otros partidos de derechas y el que se abstenía), en qué medida recogen sus aspiraciones y miedos, y hasta qué punto son percibidos como herramientas de protesta electoral desde la derecha. Y hagamos lo mismo para intentar entender por qué ocurre lo contrario hoy con las nuevas formaciones de izquierdas, tan en las antípodas de lo que ocurría hace sólo un par de años. O, para ser más justos, qué hemos hecho para dejar ser esa herramienta de federación del descontento y de la impugnación, de la ilusión de las y los de abajo. Y lo que es crucial: cómo podemos volver a serlo.


Más allá de las causas múltiples y de las consecuencias y lecciones variadas, en la foto electoral que nos arroja el 2D, Andalucía, y con ella de España, se parecen hoy un poco más a Europa: bipartidismo quebrado, extremo centro neoliberal en recomposición, su pata social-liberal hundiéndose, extrema derecha en ascenso, una izquierda impotente y parlamentos resultantes fragmentados. El reto es cómo revertir esta ola reaccionaria global y volver a decantar la iniciativa política hacia los intereses del campo popular.






*Secretario de Europa y eurodiputado de Podemos. 
En La Jornada de México, 07.12.18.













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07 dezembro 2018

Documentos inéditos revelam como foi reunião que decidiu o AI-5




Anotações foram feitas pelo então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), Emílio Garrastazu Médici, que viria a ser o terceiro general-presidente (30/10/1969 a 15/03/1974).


Os fac-símile dos documentos estão publicados no blog O Cafezinho.














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16 novembro 2018

Você sabe o que é firehosing? Não?






Então "sorria! Você está sendo jateado".

Uma parte importante de suas conversas com gente do trabalho, da família, na escola ou no boteco invariavelmente foram influenciadas por informações recebidas a partir de firehosing.

A palavra quer dizer "mangueira de incêndio". É uma metáfora para algo que despeja seu conteúdo de forma constante, volumosa e incessante. Quem aparece em frente a esse jato d'água intenso é simplesmente varrido por ele.

Firehosing consiste em criar mentiras que, de tão absurdas, acabam atraindo a atenção da opinião pública.

Quando essas informações são desmentidas, já é tarde. Normalmente, a refutação chega de forma muito menos atraente. As pessoas já nem se lembram de que forma foram enganadas, por que fonte. Normalmente, isso vem de todas as fontes: amigos, familiares, colegas de trabalho ou até pela própria imprensa - uma parte dela.

De todo modo, antes que as pessoas parem para pensar o quanto foram logradas, o assunto da hora já é outro. Uma outra mentira se tornou a bola da vez, magnetizando a todos.

A técnica é velha. Pode ser caracterizada como um bombardeio de contrainformação, ou seja, uma informação fabricada e disseminada com o propósito de abalar o moral do adversário e criar confusão. Trata-se, portanto, da importação de uma técnica de guerra para o campo da política.

A Rand Corporation, um instituto de pesquisa que atua fortemente ao governo dos Estados Unidos, atribui sua versão mais moderna aos russos. Mais especificamente, ao presidente Vladimir Putin, que antes de ter se tornado presidente da Rússia foi agente da famosa KGB (a CIA dos americanos).  

O estudo da Rand é 
The Russian “Firehose of Falsehood” Propaganda Model.

Traduzindo: "O Modelo de Propaganda dos Russos: a mangueira de incêndio da falsidade".

Curiosamente, o modelo foi replicado na campanha de Donald Trump e considerado decisivo em sua eleição. 














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