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06 maio 2024

INSTITUIÇÕES, ESTADO e POLÍTICAS PÚBLICAS

Uma introdução à ciência política em linguagem simples 




Também disponível na plataforma Archive

Para citar:
LASSANCE, Antonio. Instituições, Estado e Políticas Públicas: uma introdução à ciência política em linguagem simples. São Paulo: Nexo Políticas Públicas. Disponível em: https://bit.ly/49Utw13. Acesso em 5 maio 2024.
















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17 abril 2024

Há uma omissão imperdoável na biografia que Richard Evans fez de Eric Hobsbawm


Por incrível que pareça, Richard J. Evans, um dos mais proeminentes e prolíficos historiadores deste século, não entendeu a proposta historiográfica que transformou Hobsbawm não apenas no mais conhecido e duradouro representante da magnífica historiografia marxista inglesa como, também, no historiador mais popular do século XX.

O trabalho monumental de Evans (Eric Hobsbawm: A Life in History) certamente é hoje a fonte mais rica existente sobre os arquivos deixados por Hobsbawm, incluindo informações privilegiadas de seus diários e mesmo da correspondência privada. Mas, quando "documentos falam por si", é sinal de que faltou ao biógrafo algo mais. Há tanta minúcia, tanta conversa anedótica ou de alcova e tanta descrição enfadonha sobre acontecimentos pouco relevantes que Evans se esqueceu do essencial: explicar o que transformou Hobsbawm nesse colosso historiográfico.

O livro de Evans adotou o esquema mais tradicional e “évènementiel” possível, algo que certamente não faz jus ao legado historiográfico do biografado. Na biografia, a infância de Hobsbawm é o primeiro capítulo (“The English Boy, 1917–1933”). Depois vem, nada surpreendentemente, a adolescência. Em seguida, um capítulo sobre o início da vida adulta, já no mundo acadêmico, e assim por diante. Os outros capítulos seguem a mesma sequência cronológica linear: de 1946–1954, 1954–1962, 1962–1975, 1975–1987, 1987–1999 e 1999–2012.
 


Evans tratou Hobsbawm
(foto) como uma celebridade da cultura pop, e não como um historiador que ganhou essa proeminência na cultura pop por alguma razão, o que restou mal explicado. Talvez a ideia fosse essa mesma, para atrair mais leitores interessados em conhecer a celebridade que era historiador do que o historiador que se tornou tão célebre. 

De todo modo, Evans deixou Hobsbawm de cabeça para baixo. 
 
Há também uma omissão imperdoável. Como revelo na resenha deste livro, recém publicada, Evans inexplicavelmente negligenciou um dos mais importantes projetos intelectuais de Hobsbawm, a História do Marxismo. De 1978 a 1982, a História do Marxismo reuniu centenas de artigos e autores dos mais diversos países, mas o biógrafo nem sequer cita esse projeto nem a coleção que envolveu alguns dos maiores expoentes marxistas à época, como Georges Haupt, Franz Marek, István Mészáros, Ernesto Ragionieri (um intelectual muito próximo de Palmiro Togliatti, líder indiscutível do PCI após a Segunda Guerra Mundial), entre muitos outros." 

Difícil entender essa lacuna. A explicação mais provável, se é que há alguma, é que essa obra foi publicada primeiramente na Itália, pela editora Einaudi. Só posteriormente foi traduzida para vários idiomas. Inclusive, a primeira edição em inglês foi feita nos Estados Unidos, e não no Reino Unido. Mas é incrível como isso passou despercebido de Evans, pois há certamente uma correspondência pessoal nos arquivos de Hobsbawm a esse respeito. E o livro está lá, na estante deixada por ele. Como algo dessa magnitude fugiu do radar do biógrafo?


A História do Marxismo é tão importante que Hobsbawm foi seu editor e passou meia década de intenso trabalho dedicado a essa coleção que, ao final, alcançou mais de quatro mil páginas. Mais importante, a obra registrava mais uma vez um aspecto essencial ao projeto historiográfico de Hobsbawm: apresentar um painel abrangente da diversidade de teorias, concepções e vertentes do marxismo. Hobsbawm estava mais uma vez travando sua luta para mostrar o quanto a trajetória política e intelectual do marxismo não se limitava ao marxismo vulgar.

Faltou a Evans, em sua biografia, olhar o essencial.

Leia mais e, se interessar, cite:

Lassance, A. (2024). Book Review: Eric Hobsbawm: A Life in History. Review of Radical Political Economics, 12 April 2024. Avaiable at: https://doi.org/10.1177/04866134241244838 

LASSANCE, Antonio. Eric Hobsbawm: a life in history (resenha). Review of Radical Political Economics, 12 abril 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1177/04866134241244838  







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06 outubro 2022

O processo de desenvolvimento econômico do Brasil, na visão de Celso Furtado


A construção interrompida: os limites atuais a consecução de um projeto nacional de desenvolvimento por Juliane Furno, Iriana Cadó publicado por Revista Pesquisa e Debate (2021).

O presente artigo tem por objetivo discutir o processo de desenvolvimento econômico do Brasil a luz da vasta e importante contribuição intelectual do economista Celso Furtado. A ideia é olhar para o processo histórico do desenvolvimento econômico brasileiro sob a luz do arcabouço bibliográfico do autor. Nesse sentido, o artigo analisa as especificidades que circunscreve a condição de subdesenvolvimento do país, apontando quais seriam as formas de superação, segundo a avalição de Celso Furtado. Depois, resgata-se as críticas feitas por ele ao modelo de industrialização brasileira. E, por fim, traz à tona o debate feito por Celso Furtado sobre as possibilidades desenvolvimento nacional, sob a reorientação econômica global pós- 1980.




Leia o artigo (pdf)













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08 março 2021

Los motivos del Lobo

Célebre poema de Rubén Darío.
 

El varón que tiene corazón de lis,
alma de querube, lengua celestial,
el mínimo y dulce Francisco de Asís,
está con un rudo y torvo animal,
bestia temerosa, de sangre y de robo,
las fauces de furia, los ojos de mal:
¡el lobo de Gubbio, el terrible lobo!
Rabioso, ha asolado los alrededores;
cruel, ha deshecho todos los rebaños;
devoró corderos, devoró pastores,
y son incontables sus muertos y daños.

Fuertes cazadores armados de hierros
fueron destrozados. Los duros colmillos
dieron cuenta de los más bravos perros,
como de cabritos y de corderillos.

Francisco salió:
al lobo buscó
en su madriguera.
Cerca de la cueva encontró a la fiera
enorme, que al verle se lanzó feroz
contra él. Francisco, con su dulce voz,
alzando la mano,
al lobo furioso dijo: "¡Paz, hermano
lobo!" El animal
contempló al varón de tosco sayal;
dejó su aire arisco,
cerró las abiertas fauces agresivas,
y dijo: "!Está bien, hermano Francisco!"

"¡Cómo! exclamó el santo. ¿Es ley que tú vivas
de horror y de muerte?
¿La sangre que vierte
tu hocico diabólico, el duelo y espanto
que esparces, el llanto
de los campesinos, el grito, el dolor
de tanta criatura de Nuestro Señor,
no han de contener tu encono infernal?
¿Vienes del infierno?
¿Te ha infundido acaso su rencor eterno
Luzbel o Belial?"
 

Y el gran lobo, humilde: "¡Es duro el invierno,
y es horrible el hambre! En el bosque helado
no hallé qué comer; y busqué el ganado,
y en veces comí ganado y pastor.
¿La sangre? Yo vi más de un cazador
sobre su caballo, llevando el azor
al puño; o correr tras el jabalí,
el oso o el ciervo; y a más de uno vi
mancharse de sangre, herir, torturar,
de las roncas trompas al sordo clamor,
a los animales de Nuestro Señor.
¡Y no era por hambre, que iban a cazar!"

Francisco responde: "En el hombre existe
mala levadura.
Cuando nace, viene con pecado. Es triste.
Mas el alma simple de la bestia es pura.
Tú vas a tener
desde hoy qué comer.
Dejarás en paz
rebaños y gente en este país.
¡Que Dios melifique tu ser montaraz!"

"Esta bien, hermano Francisco de Asís."
"Ante el Señor, que toda ata y desata,
en fe de promesa tiéndeme la pata."
El lobo tendió la pata al hermano
de Asís, que a su vez le alargó la mano.

Fueron a la aldea. La gente veía
y lo que miraba casi no creía.
Tras el religioso iba el lobo fiero,
y, bajo la testa, quieto le seguía
como un can de casa, o como un cordero.

Francisco llamó la gente a la plaza
y allí predicó.
Y dijo: "He aquí una amable caza.
El hermano lobo se viene conmigo;
me juró no ser ya vuestro enemigo,
y no repetir su ataque sangriento.
Vosotros, en cambio, daréis su alimento
a la pobre bestia de Dios." "¡Así sea!",
Contestó la gente toda de la aldea.
Y luego, en señal
de contentamiento,
movió la testa y cola el buen animal,
y entró con Francisco de Asís al convento.

Algún tiempo estuvo el lobo tranquilo
en el santo asilo.
Sus bastas orejas los salmos oían
y los claros ojos se le humedecían.
Aprendió mil gracias y hacía mil juegos
cuando a la cocina iba con los legos.
Y cuando Francisco su oración hacía,
el lobo las pobres sandalias lamía.

Salía a la calle,
iba por el monte, descendía al valle,
entraba a las casas y le daban algo
de comer. Mirábanle como a un manso galgo.

Un día, Francisco se ausentó. Y el lobo
dulce, el lobo manso y bueno, el lobo probo,
desapareció, tornó a la montaña,
y recomenzaron su aullido y su saña.

Otra vez sintióse el temor, la alarma,
entre los vecinos y entre los pastores;
colmaba el espanto en los alrededores,
de nada servían el valor y el arma,
pues la bestia fiera
no dio treguas a su furor jamás,
como si estuviera
fuegos de Moloch y de Satanás.

Cuando volvió al pueblo el divino santo,
todos los buscaron con quejas y llanto,
y con mil querellas dieron testimonio
de lo que sufrían y perdían tanto
por aquel infame lobo del demonio.

Francisco de Asís se puso severo.
Se fue a la montaña
a buscar al falso lobo carnicero.
Y junto a su cueva halló a la alimaña.

"En nombre del Padre del sacro universo,
conjúrote dijo, ¡oh lobo perverso!,
a que me respondas: ¿Por qué has vuelto al mal?
Contesta. Te escucho."

Como en sorda lucha, habló el animal,
la boca espumosa y el ojo fatal:

"Hermano Francisco, no te acerques mucho...
Yo estaba tranquilo allá en el convento;
al pueblo salía,
y si algo me daban estaba contento
y manso comía.
Mas empecé a ver que en todas las casas
estaban la Envidia, la Saña, la Ira,
y en todos los rostros ardían las brasas
de odio, de lujuria, de infamia y mentira.
Hermanos a hermanos hacían la guerra,
perdían los débiles, ganaban los malos,
hembra y macho eran como perro y perra,
y un buen día todos me dieron de palos.

Me vieron humilde, lamía las manos
y los pies. Seguía tus sagradas leyes,
todas las criaturas eran mis hermanos:
los hermanos hombres, los hermanos bueyes,
hermanas estrellas y hermanos gusanos.
Y así, me apalearon y me echaron fuera.
Y su risa fue como un agua hirviente,
y entre mis entrañas revivió la fiera,
y me sentí lobo malo de repente;
mas siempre mejor que esa mala gente.
Y recomencé a luchar aquí,
a me defender y a me alimentar.
Como el oso hace, como el jabalí,
que para vivir tienen que matar.
Déjame en el monte, déjame en el risco,
déjame existir en mi libertad,
vete a tu convento, hermano Francisco,
sigue tu camino y tu santidad."

El santo de Asís no le dijo nada.
Le miró con una profunda mirada,
y partió con lágrimas y con desconsuelos,
y habló al Dios eterno con su corazón.
El viento del bosque llevó su oración,
que era: "Padre nuestro, que estás en los cielos..."

_________________________
Rubén Darío. 
Poema publicado em Paris, 1913.
Félix Rubén García Sarmiento (Rubén Darío) era nicaragüense nacido em Metapa (1867). Morreu em León (1916).
É o mais famoso escritor nicaraguense de todos os tempos e considerado um dos mais influentes na língua espanhola.












06 maio 2020

Bobby Hackett And His Orchestra, "That Old Gang Of Mine"





Bobby Hackett And His Orchestra, Aquela Minha Velha Gangue.
Experience jazz in your life at Archive.org 

"That Old Gang Of Mine", com Bobby Hackett e The Tempo Twisters, é uma música de um disco de 1940 intitulado Horace Heidt Presents: Bobby Hackett And His Orchestra and The Tempo Twisters.

Bobby Hackett (Robert Leo Hackett, 31 de janeiro de 1915 - 7 de junho de 1976) foi um grande músico de jazz, trompetista, que também tocava Cornet ("corneta") e, às vezes, violão.

Hackett tocou em bog bands como as de Glenn Miller e Benny Goodman, no final das décadas de 1930 e 1940, e foi o solista mais importante dos discos de jazz melódico da Orchestra de Jackie Gleason, na década de 1950.

The Tempo Twisters foi um grupo vocal sobre o qual se tem poucas informações. Provavelmente é uma formação feita apenas para este disco, juntando alguns membros do Tune Twisters (talvez apenas dois deles), grupo vocal que começou como The Freshmen (os calouros). Originalmente fundado em 1934, os Tune Twisters eram Andy Love, Robert "Bob" Wacker e Jack Lathrop. Hackett e Lathrop tocaram juntos na orquestra de Glenn Miller.

Possivelmente, o próprio Bobby Hackett tenha dado uma palhinha, cantando como o terceiro membro do trio. Hackett também era um bom cantor, mas apenas casualmente, como parece ser o caso. 
Horace Heidt tinha sua própria orquestra e era grande amigo de Bobby.

As cenas deste vídeo mostram os duros tempos da Grande Depressão da década de 1930:

0:00 - Policiais disparando armas como se estivessem perseguindo criminosos.

0:11 - Carro queimado.

0:16 - Uma greve de trabalhadores é brutalmente reprimida durante a Grande Depressão. Os policiais apontam metralhadoras e os trabalhadores são espancados pelos seguranças da empresa.

0:38 - Um homem procura comida nas latas de lixo, mas só encontra jornais.

0:43 - Ruas de Chicago, início dos anos 30.

0:58 - Funcionários da alfândega executam a proibição à venda e consumo de álcool destruindo barris de bebidas.

1:08 - Gângsteres capturados pela polícia.

1:13 - Al Capone saindo da corte. As crianças assistem a cena.

1:21 - Tiros de metralhadora Thompson, calibre .45, e de revólveres.

1:26 - Reconstituição de um sequestro.

1:41 - Reconstituição do assassinato de Bonnie e Clyde (dois dias depois do ocorrido).

1:56 - Carro de Clyde e Bonnie crivado de balas.

2:10 - Cenas reais do carro de Clyde e Bonnie, com Bonnie morta (Clyde estava a seu lado, dirigindo o carro), a 23 de maio de 1934.

"That Old Gang of Mine" é uma canção popular de 1923 composta por Ray Henderson com letras de Billy Rose e Mort Dixon e publicada por Irving Berlin, Inc.

Hoje (2020), quase um século desde que a música surgiu, 80 anos após a gravação de Bobby Hackett e quase 90 anos após essas cenas dos anos 30, nada disso é de domínio público. 

A música e as imagens continuam de uso restrito por conta de direitos autorais em benefício de alguém que não é o autor da música, nem das filmagens, nem mesmo ajudou a criar a gravadora, que aliás não existe mais. Alguém que apenas comprou esses direitos. Absurdo absoluto.


Lado A: That Old Gang Of Mine
Música de Ray Henderson e letra Billy Rose e Mort Dixon.

Lado B:  (What Can I Say) After I Say I'm Sorry [(O que posso dizer) Depois de dizer que sinto muito?]
Selo: Vocalion
Número do disco 5620
Formato: Disco de cera (ou disco de goma-laca), 10 polegadas (diâmetro), 78 rotações por minuto (RPM).
Gravado e produzido em Los Angeles, Estados Unidos, em 25 de janeiro de 1940.


Gênero: Jazz, Swing, Big Band.

Fontes:
https://www.discogs.com/Horace-Heidt-Presents-Bobby-Hackett-And-His-Orchestra-That-Old-Gang-Of-Mine-After-I-Say-Im-Sorry/release/9454217
https://en.wikipedia.org/wiki/Bobby_Hackett
https://www.discogs.com/pt_BR/artist/254893-Bobby-Hackett
https://en.wikipedia.org/wiki/Bonnie_and_Clyde
https://en.wikipedia.org/wiki/Tune_Twisters
http://petekellysblog.blogspot.com/2009/08/bobby-hackett-bix-session-1940.html
https://www.youtube.com/watch?v=ukDOptE5ryM
https://en.wikipedia.org/wiki/That_Old_Gang_of_Mine_(song)
Baixe a música em https://ia902803.us.archive.org/25/items/experience_jazz_in_your_life/%281%29%20Bobby_Hackett_That_Old_Gang_Of_Mine_%28vocal_The_Tempo_Twisters%29%281940%29.mp3

"That Old Gang Of Mine"
"That Old Gang Of Mine", by Bobby Hackett and The Tempo Twisters, is a music from the disc intitled Horace Heidt Presents: Bobby Hackett And His Orchestra ‎and The Tempo Twisters.

Side A That Old Gang Of Mine
Written by Rose, Dixon and Henderson.
Side B (What Can I Say) After I Say I'm Sorry
Written by Lyman and Donaldson.
Label Vocalion ‎– number of the disc 5620
Format Shellac, 10", 78 RPM
Recorded and produced in Los Angeles, United States, 25 January 1940. 
Genre:
Jazz, Swing, Big Band

Bobby Hackett  (Robert Leo Hackett,January 31, 1915 – June 7, 1976) was a great jazz musician, trumpet player, who also used to play the cornet and, sometimes, the guitar.
He played with the big bands of Glenn Miller and Benny Goodman, in the late 1930s and 1940s, and was the most important soloist of the melodical jazz discs of the Jackie Gleason Orchestra, in the 1950s.
It's a little difficult to know who were "The Tempo Twisters", but they probably are some members of the Tune Twisters (perhaps only two of them). Originally founded in 1934 as The Freshmen, the Tune Twisters were Andy Love, Robert "Bob" Wacker, and Jack Lathrop (famous guitar player).

Perhaps Bobby Hackett himself was the third vocal member of the trio. Hackett was a fine singer, but only casually he used to sing, as it seems to be the case. 
Horace Heidt had his own orchestra and was a close friend of Bobby.

The scenes in this video show the hard times of the 1930s:
0:00 - Policemen firing guns as if they were chasing criminals. 
0:11 - Burnt out car.
0:16 - Workers' strike is brutally repressed during the Great Depression: the police officers use machine guns and the workers are beaten by company security men.
0:38 - A man looks for food in the trash of garbage cans, but only finds newspapers.
0:43 - Chicago streets, early 1930s.
0:58 - Customs officials enforcing prohibition smashing barrels of alcohol.
1:08 - Gangsters captured by police.
1:13 - All Capone leaving court. Kids watch the scene. 
1:21 - Machine gun (Thompson Submachine Gun, Caliber .45) and revolvers shots. 
1:26 - The reconstitution of a kidnappin. 
1:41 - The reconstitution of Bonnie and Clyde assassination (two days latter).
1:56 - Clyde and Bonnie's car riddled with bullets.
2:10 - The real scenes of Clyde and Bonnie's car, with Bonnie dead (Clyde was at her side, driving the car), May 23 1934.

"That Old Gang of Mine" is a 1923 popular song composed by Ray Henderson with lyrics by Billy Rose and Mort Dixon, and published by Irving Berlin, Inc. 
From now, 2020, almost a century since, 80 years after Bobby Hackett's recording, and almost 90 years after these footages were made, unfortunately they are still not in public domain. The music and the images are protected by copyright rights for the benefit of someone who is not the author of the music, nor of the filming, nor even helped to create the record company, which incidentally does not exist any more. Absolute nonsense.

Sources:
https://www.discogs.com/Horace-Heidt-Presents-Bobby-Hackett-And-His-Orchestra-That-Old-Gang-Of-Mine-After-I-Say-Im-Sorry/release/9454217
https://en.wikipedia.org/wiki/Bobby_Hackett
https://www.discogs.com/pt_BR/artist/254893-Bobby-Hackett
https://en.wikipedia.org/wiki/Bonnie_and_Clyde
https://en.wikipedia.org/wiki/Tune_Twisters
http://petekellysblog.blogspot.com/2009/08/bobby-hackett-bix-session-1940.html
https://www.youtube.com/watch?v=ukDOptE5ryM
https://en.wikipedia.org/wiki/That_Old_Gang_of_Mine_(song)
Download at https://ia902803.us.archive.org/25/items/experience_jazz_in_your_life/%281%29%20Bobby_Hackett_That_Old_Gang_Of_Mine_%28vocal_The_Tempo_Twisters%29%281940%29.mp3










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17 julho 2019

Contra a intolerância, "fair play" nas conversas

Como argumentar com gentileza e cuidado: 4 regras do filósofo Daniel Dennett

Formulado por Aristóteles e seus intérpretes romanos e medievais, o trivium clássico - uma divisão do pensamento e da escrita em lógica, gramática e retórica - pressupõe pelo menos três coisas: que importa como chegamos às nossas ideias; importa a maneira como as expressamos; e importa como tratamos as pessoas com as quais interagimos, até mesmo, e especialmente, aquelas com as quais discordamos.

Dennett* descreve o processo em quatro etapas: 

1. Tente re-expressar a posição do seu alvo de forma tão clara, vívida e justa que o seu interlocutor diga: "Obrigado, eu gostaria de ter pensado em colocar dessa forma". 

2. Liste todos os pontos de acordo (especialmente se eles não forem assuntos de acordo geral ou generalizado). 

3. Mencione qualquer coisa que você tenha aprendido com o seu interlocutor. 

4. Só então é permitido dizer tanto como uma palavra de refutação ou crítica.

Esses são remédios para uma melhor coesão social e diminuir a polarização que existe na "artilharia de nossas certezas por detrás do confortável escudo do teclado", como escreve Maria Popova em Brain Pickings, "o que significa, de fato, a ameaça de reagir em vez de responder".

Gritar, ou digitar, no vazio, em vez de se envolver em uma discussão substantiva e respeitosa, é também um desperdício terrível do nosso tempo - uma distração de atividades muito valiosas. 

Podemos e devemos, argumenta Dennett [e outros] filósofos ao longo dos séculos, procurar posições que discordemos. Ao buscar e tentar entender [a discordância] nas melhores versões possíveis, temos a chance de adquirir novos conhecimentos e ampliar nossa empatia.


Fontes: 
O livro de Daniel C. Dennett é "Intuition Pumps And Other Tools for Thinking", publicado pela W. W. Norton & Company (2013).
A matéria acima é um resumo a partir de trechos do portal Open Culture.



How to Argue With Kindness and Care: 4 Rules from Philosopher Daniel Dennett

Drawn from Aristotle and his Roman and Medieval interpreters, the “classical trivium”—a division of thought and writing into Logic, Grammar, and Rhetoric—assumes at least three things: that it matters how we arrive at our ideas, it matters how we express them, and it matters how we treat the people with whom we interact, even, and especially, those with whom we disagree. 

Dennett outlines the process in four steps: Attempt to re-express your target's position so clearly, vividly and fairly that your target says: "Thanks, I wish I'd thought of putting it that way." List any points of agreement (especially if they are not matters of general or widespread agreement). Mention anything you have learned from your target. Only then are you permitted to say so much as a word of rebuttal or criticism. 

These are remedies for better social cohesion and less shouty polarization, for deploying "the artillery of our righteousness from behind the comfortable shield of the keyboard,” as Maria Popova writes at Brain Pickings, “which is really a menace of reacting rather than responding.”

Yelling, or typing, into the void, rather than engaging in substantive, respectful discussion is also a terrible waste of our time—a distraction from much worthier pursuits. We can and should, argues Dennett, Rapoport, and philosophers over the centuries, seek out positions we disagree with. In seeking out and trying to understand their best possible versions, we stand to gain new knowledge and widen our appreciation. 














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10 setembro 2016

Quem não conhece Paulo Freire não sabe o que está perdendo


e quem detesta Paulo Freire não sabe o que está falando 

Sua pedagogia prima pela autonomia do educando na construção dos saberes


Artigo de Paulo Cavalcante e Yllan de Mattos na Revista de História da Biblioteca Nacional.  


“Chega de doutrinação marxista. Basta de Paulo Freire”. Espanto geral. O que o nome do educador Paulo Freire estaria fazendo em uma manifestação contra a presidente Dilma Rousseff e o PT? 

Era março de 2015, e os protestos se davam no rastro da crise econômica, da desarticulação política das bases de sustentação do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e da corrosão de sua credibilidade. Mas a caixa de Pandora da vida política nacional havia sido destampada dois anos antes, nas manifestações de 2013, que liberaram das conhecidas amarras cordiais os males do autoritarismo, do ódio, da intolerância, do preconceito e do desapreço à democracia.

Haveria na obra de Paulo Freire alguma mensagem capaz de autorizar tamanha indignação e reprovação?

“Doutrinador” é aquele que prega, instrui, incute em alguém uma crença, um ponto de vista ou um princípio sectário, ou seja, realiza uma transferência de conteúdos, de si para o objeto de sua doutrinação. Nada está mais distante do pensamento pedagógico de Paulo Freire do que isto. Ele repele com contundência qualquer procedimento doutrinador: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”, escreveu em Pedagogia da autonomia.

Suas recomendações sobre os saberes necessários à prática educativa são claras. Desde logo, e sempre, a prática: “A educação como prática da liberdade, ao contrário daquela que é prática da dominação, implica na negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo, assim como também na negação do mundo como uma realidade ausente de homens”, ensinou em Pedagogia do oprimido. O homem em suas relações com o mundo. Este é o pressuposto de toda compreensão e de toda ação educativa capaz de promover a autonomia e a libertação das pessoas. Não é que o mundo seja necessariamente uma prisão. Ele até pode ser, e muitas vezes é. O que importa aqui é pôr o homem em seu contexto, rompendo o aparente curso natural das coisas e identificando o conjunto de suas relações. Colocadas em perspectiva, elas se reconfiguram e geram conhecimento histórico sobre si e sobre o mundo, para si e para o mundo.

Promover a tomada de consciência e a transformação do indivíduo em sujeito qualificado de sua própria história: eis a prática (práxis) educativa de Paulo Freire. Ele assim o diz, sobre si mesmo, em Educação como prática da liberdade: “Todo o empenho do Autor se fixou na busca desse homem-sujeito que, necessariamente, implicaria em uma sociedade também sujeito. Sempre lhe pareceu, dentro das condições históricas de sua sociedade, inadiável e indispensável uma ampla conscientização das massas brasileiras, através de uma educação que as colocasse numa postura de autorreflexão e de reflexão sobre o seu tempo e espaço. (...) Autorreflexão que as levará ao aprofundamento consequente de sua tomada de consciência e de que resultará sua inserção na História, não mais como espectadoras, mas como figurantes e autoras”.

Onde encontrar o ímpeto doutrinador em alguém que, em vez de pregar e impor, pergunta e escuta para compreender? Quando Paulo Freire retornou ao Brasil, em agosto de 1979, uma avalanche de repórteres cercou-o para saber sua opinião sobre a situação do país na época. Ele respondeu: “Vim  para reaprender o Brasil e, enquanto estiver no processo de reaprendizagem, de reconhecimento do Brasil, não tenho muito a dizer. Tenho mais o que perguntar”. Sua atitude, antes de ser dogmática e taxativa, demonstra uma abertura irrestrita para o mundo, como aprendiz. 

A chave para compreendermos a acusação de “doutrinador marxista” contra Paulo Freire não está em sua obra. Encontra-se na mentalidade daqueles que produziram a mensagem, em sua compreensão estreita do que é educação e do que é ensinar. Essas pessoas acreditam piamente no mito da neutralidade da ação docente, segundo o qual o professor não tem cara, não tem lado, não toma partido, não pensa nem intervém de modo transformador na realidade social. Para elas, o professor deve estar unicamente comprometido com a sagrada missão de transmitir conteúdos anonimamente escolhidos, aparentemente desinteressados e oficialmente listados. Conteúdos supostamente eficazes, pragmáticos e destinados a aplacar a sanha competitiva por boas posições escolares e universitárias que tenham o condão de assegurar condições ideais de disputa nas escassas oportunidades de uma sociedade excludente. Na verdade, o acusador grita contra o espelho. É ele, e não Paulo Freire, quem prega a doutrinação. Qual? Diríamos, sem medo de errar: a “doutrinação bancária”, aquela que transfere “ao outro, tomado como paciente de seu pensar, a inteligibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos”.

O caminho da autonomia e da liberdade aberto por Freire não foi concebido para o educando como doação de uma inteligência superior que se compraz na realização daquilo que considera ser o bem, ou seja, como alguém (sujeito) que sabe o que é melhor para o outro (objeto). A grandeza do pensamento de Freire está na redução da distância em relação ao educando, na disponibilidade para escutá-lo em suas diferenças, na abertura de dialógica para a transformação recíproca: são dois sujeitos em troca aberta, franca e transformadora. Enfim, o caminho é partilhado com o educando: “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. (...) A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser”.

A mentalidade conservadora dos acusadores rechaça a dimensão política da pedagogia concebida e posta em prática por Paulo Freire. “Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica”, esclarece o educador. É por conta disso, provavelmente, que a mensagem no protesto decide ir além de uma doutrinação qualquer, e a qualifica: Freire estaria ligado a uma “doutrinação marxista”. Talvez sem saber, o acusador reedita uma crítica conservadora muito antiga contra Paulo Freire, baseada no fato de que seu trabalho é tão pedagógico como político. Mas é isso mesmo. Como afirmou Moacir Gadotti, o educador é político enquanto educador e o político é educador pelo próprio fato de ser político. Freire complementa: “seria uma ingenuidade reduzir todo o político ao pedagógico, assim como seria ingênuo fazer o contrário. (...) quando se descobre uma certa e possível especificidade do político, percebe-se também que essa especificidade não foi suficiente para proibir a presença do pedagógico nela. Quando se descobre por sua vez a especificidade do pedagógico, nota-se que não lhe é possível proibir a entrada do político”.

Quanto à alcunha de “marxista”, pretensamente desqualificadora, é preciso dizer que Paulo Freire jamais deixou de destacar o papel emancipatório atribuído por Karl Marx à ciência e à pesquisa. Além disso, juntamente com outros intelectuais marxistas, como Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho, o educador não só foi crítico de posições dogmáticas e mecanicistas, como reconheceu o valor universal da democracia e lutou intensamente para o seu desenvolvimento no Brasil. Sobre os confrontos em torno do seu legado, o próprio Marx certa vez disse: “O diabo os leve! O que sei é que eu não sou marxista”.

A pedagogia de Paulo Freire é radical, isto é, vem da e vai à raiz das coisas. Privilegia a cultura, os saberes e os valores dos educandos como ponto de partida e chegada de uma educação como prática da liberdade e da transformação. Quando lecionou a primeira aula em Angicos, no interior do Rio Grande do Norte, em 1963, Freire falou sobre o universo que cercava os estudantes: a leitura do mundo precede a leitura da palavra. No quadro negro, não escreveu “Ivo viu a uva”. Escreveu coisas oriundas daquele cotidiano popular, como “tijolo”. De imediato, o educando reconheceu-se naquela palavra e naquele contexto. Nada mais lhe era alheio: ele havia se tornado sujeito da aula. 

Esse encontro cultural acolheu e inseriu o educando, abrindo o caminho para a sua transformação. Por isso mesmo, é um ato político em seu sentido histórico: a discussão da polis em que vivemos e na qual queremos viver. Este talvez seja um dos pontos centrais da famosa citação do educador, replicada nas redes sociais como resposta dada pela Unesco ao cartaz levantado contra Paulo Freire: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

Paulo Cavalcante é professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e do Mestrado Profissional em Ensino de História em Rede Nacional – ProfHistória.
Yllan de Mattos é professor da Universidade Estadual Paulista e autor de A Inquisição Contestada (Mauad-X/Faperj, 2014).

Saiba Mais

GADOTTI, Moacir; FREIRE, Paulo & GUIMARÃES, Sérgio. Pedagogia: diálogo e conflito. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2006. 
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 24. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 44. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2006.















O Brasil precisa de uma opinião pública melhor informada, atenta e democrática. Ou será um país de Estado ineficiente, capturado por interesses escusos, com governos fracos, oposição golpista, imprensa hipócrita e pessoas egoístas e intolerantes.
 
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24 agosto 2016

Genealogia do conceito de Estado moderno





Quentin Skinner 

On the genealogy of modern state







The concept, its origins, the different ways in which it may have been used, and its currently understanding.

Read the paper at NCKU (pdf archive).


Quentin Skinner Lecture about the same subject:










21 março 2016

Para entender o maquiavelismo contra as mulheres





“Apesar de parecer exclusivamente masculino, o mundo das obras políticas de Maquiavel, onde os homens competem na arena da história, é, na verdade, dominado, ou pelo menos continuamente ameaçado nos bastidores, por figuras femininas de imenso poder, mal percebidas e espectrais. 

Em aspectos cruciais, a competição entre os homens acaba por ser sua luta comum contra esse poder. O feminino constitui “o outro” de Maquiavel, em oposição à masculinidade e à autonomia em todos os sentidos: às condições de homem, de adulto, de humano, bem como à política.” 




Hanna Pitkin: "Eu não sei se me tornei uma feminista, porque eu não sei se mereço essa classificação laudatória, porque não sou na verdade a favor da libertação das mulheres enquanto tais ou pelos direitos das mulheres. Eu sou a favor do direito de todas as pessoas e de sua libertação.

Pergunta: Bem, uma justa definição de feminismo, embora não uma definição radical, apenas direitos iguais.

Hanna Pitkin: Bom, então, porque chamar isso de “feminismo”? Porque não chamá-los apenas de direitos? Isso é um problema… Eu certamente não sou hostil ao feminismo em geral." 

Leia a entrevista em Cedes. (link arquivo pdf)



Para entender mais como o maquiavelismo eternizou Maquiavel e sobre suas obras: http://antoniolassance.blogspot.com.br/2013/02/o-principe-500-anos.html
















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