11 maio 2026

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Podcast
Plano Marshall:
o plano de reconstrução (de parte) da Europa 




Ouça no História FM, o podcast do @iclerodrigues















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30 março 2026

"Computação é algo importante demais para ser um assunto apenas de homens".




Você pode até não perceber, mas usa o BM25 todo dia. O Okapi BM25 ou, simplesmente, BM25, sendo o "BM" a abreviação de "best match" (melhor correspondência), é uma função de classificação usada por mecanismos de busca para estimar a relevância e aderência de documentos ante uma determinada consulta. Desde o Google até o Consensus se valem dessa criação genial.
Os fundamentos que levaram ao BM25 vieram da abordagem de recuperação probabilística. Essa abordagem foi concebida e desenvolvida, entre os anos de 1970 e 1980, principalmente por Karen Spärck Jones (foto acima) e Stephen E. Robertson.
Karen era uma ativista em defesa do envolvimento das mulheres na computação. Foi quem cunhou uma frase que se tornou uma verdadeira bandeira a esse respeito: 
"Computação é algo importante demais para ser um assunto apenas de homens".
("Computing is too important to be left to men.") 

Podemos e devemos manter esse importante recado vivo e atual, trocando "computação" por "inteligência artificial".




You might not even realize it, but you use BM25 every single day. Okapi BM25—or simply BM25, where "BM" stands for "best match"—is a ranking function used by search engines to estimate the relevance and fit of documents relative to a given search query. Everything from Google to Consensus relies on this brilliant creation.

The fundamentals that led to BM25 originated from the probabilistic retrieval approach. This approach was conceived and developed between the 1970s and 1980s, primarily by Karen Spärck Jones and Stephen E. Robertson.

Karen was an activist for women's involvement in computing. She was the one who coined a phrase that became a true rallying cry for the cause:

"Computing is too important to be left to men."

We can and should keep this important message alive and relevant today by swapping "computing" for "artificial intelligence."











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19 março 2026

Para que servem os conceitos?



Sem definir conceitos, simplesmente não sabemos do que estamos falando.
Em pesquisa que faça uso de metodologia científica, eles são cruciais para definir problemas e produzir explicações. Fome, doenças crônicas, pobreza, analfabetismo funcional, violência, política, Estado, democracia, o que significam esses termos? 

Parece uma tarefa trivial, mas não é. O mais comum é uma babel de termos que supostamente servem de conceitos, quando, de fato, são palavras muitas vezes polissêmicas, que variam conforme o interlocutor, e não um conceito definidor e operacionalizável em uma pesquisa. Portanto, para uma palavra ser tomada como um conceito, existe um passo importante a ser dado.

Em Dez erros recorrentes em artigos acadêmicos, o professor Adriano Codato relata sua experiência de editor, por mais de três décadas, da Revista de Sociologia e Política. Um dos problemas crônicos é justamente o mal uso de conceitos.

Por exemplo, conceitos que ficam no nível retórico. São, no muito, palavras descritivas, sem potencial analítica. O pulo do gato entre um conceito retórico, meramente descritivo, e um conceito propriamente dito está no fato de que ele deve ser uma ferramenta para qualificar e especificar um objeto ou fenômeno. 
Na prática, é o conceito que permite dizer o que  que se inclui e exclui. Um bom conceito traz o que Codato (não só ele) chama de "critérios de fronteira", usados para "distinguir empiricamente casos que pertencem ou não àquilo que o conceito descreve". Essa distinção permite o passo seguinte: operacionalizar a análise, por exemplo, deduzindo a partir do conceito os "indicadores observáveis e mensuráveis coerentes com a definição analítica".

Exemplos dados por Codato: 
"A noção de 'populismo' é usada para rotular candidatos sem critérios claros. O que foi analisado? Discurso? Estratégia de campanha? Ideologia? O conceito de 'capacidade estatal' aparece como sinônimo de 'eficiência administrativa' e sem indicadores definidos. Ou 'polarização' é 'o' assunto do artigo, mas não há medidas de distância (ideológica, afetiva, discursiva)."

Um exemplo de operacionalização de um conceito está no famoso artigo de Kenneth BollenDemocracia política: armadilhas conceituais e de mensuração.

No tópico "Conceptual Issues" (Questões Conceituais), Bollen exemplifica: 
"O ponto de partida na avaliação da validade das medidas de democracia política é a definição teórica do conceito. Claramente, fornecer uma definição de democracia política que todos aceitem é impossível. Eu me contentarei com o objetivo menos ambicioso de fornecer uma definição de trabalho de democracia política e contrastá-la com outras definições.
Eu defino democracia política como a medida em que o poder político das elites é minimizado e o das não-elites é maximizado (Bollen 1980:372). Por poder político, refiro-me à capacidade de controlar o sistema de governo nacional. As elites são os membros de uma sociedade que detêm uma quantidade desproporcional do poder político. Estes incluem os membros dos ramos executivo, judiciário e legislativo do Estado, bem como líderes de partidos políticos, governos locais, empresas, sindicatos, associações profissionais ou órgãos religiosos."

O artigo vale a pena como inspiração do exercício essencial e necessário de definir e operacionalizar um conceito para se chegar em evidências. A jornada é longa. A definição conceitual é apenas o primeiro e um dos mais importantes passos. 















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13 março 2026

Como evitar o risco de que as organizações fiquem birutas?

O primeiro problema de uma organização não é determinar seu tamanho ou garantir seu orçamento e infraestrutura. É definir seu propósito. 


Herbert Simon, Nobel de Economia de 1978 por seus estudos pioneiros sobre processos de decisão em diferentes tipos de organizações e um dos precursores dos estudos sobre inteligência artificial, trabalhou na autarquia responsável pelo Plano Marshall. Em um estudo pouco conhecido, ele relata como essa organização conseguiu manter sua atuação na implementação do programa de reconstrução europeia de forma aderente à estratégia do Plano.

Como evitar o risco de que as organizações sejam meros balcões, seja para atender aos interesses dos que controlam a oferta de produtos e serviços ou, simplesmente, atender reativamente às demandas que chegam de forma caótica e caso a caso?


Leia mais a respeito de como responder a essa pergunta difícil e importante lendo:

LASSANCE, Antonio. Plano Marshall: estratégia, apoio à decisão e planejamento para a próxima grande crise. Rio de Janeiro: Ipea, 2026. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/19995   

O livro é público e gratuito para baixar, ler e distribuir.















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06 março 2026

FLAGREI UMA IA NO FAMOSO "DESCULPE, TAVA DOIDÃO"


Diante de uma resposta inconsistente, questiono o erro e eis que aparece um:

"Você me pegou em um erro clássico de 'excesso de entusiasmo' da IA, e peço desculpas pela contradição."

"Excesso de entusiasmo"? Sei!

Valem sempre alguns alertas básicos:

  • IA é mais ferramenta que assistente;
  • Na melhor das hipóteses, é a sua metodologia que transforma sua IA em algo próximo a um assistente. Não é o prompt;
  • Além da metodologia, a qualidade da sua pesquisa depende da qualidade da sua fonte. Se você não depura o "input", você compromete o "output";
  • Jamais terceirize suas conclusões. Nunca aceite uma resposta sem verificar se ela corresponde ao que está nas fontes ou na base de dados que você utilizou.














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07 fevereiro 2026

Não foi apenas por um punhado de dólares



Países destruídos; economias devastadas; migração em massa de refugiados; cenário de desemprego, fome, desconfiança e desespero. Como se isso não bastasse, o fantasma de ditaduras do passado voltava a assombrar.
Os países estavam fechando as portas para qualquer multilateralismo e apostando em projetos autárquicos. A ONU e as instituições de Bretton Woods não davam conta de reverter essa situação.

Algo soa familiar?

Esse era o contexto do Plano Marshall, uma estratégia lançada há quase 80 anos (1947) para reconstruir a Europa. 

Meu livro, Plano Marshall: estratégia, apoio à decisão e planejamento para a próxima grande crise, conta essa história e resgata o que ela tem de atual (clique no link para baixar e ler o arquivo PDF do livro).

O livro tem prefácio do célebre professor Albert Fishlow, que, com sua grande generosidade, diz: 

"Lassance nos auxilia a estruturar os próximos debates sobre políticas públicas. Sua cuidadosa análise histórica e metodológica do Plano Marshall aponta lições para o presente." (Albert Fishlow é professor emérito da Universidade de Columbia e da Universidade da Califórnia, em Berkeley). 


Não se sabe quando será a próxima grande crise global, mas, quando ela vier, certamente alguém dirá que “é preciso um novo Plano Marshall”. O Plano é rotineiramente aventado como uma cartada para reerguer rapidamente países e continentes que atravessam recessões ou depressões econômicas, ainda mais quando acompanhadas por crises humanitárias graves.

Como lembra Graham T. Allison, 

"O Plano Marshall se tornou uma analogia favorita dos formuladores de políticas públicas. No entanto, poucos sabem o suficiente sobre ele." 

Espero que este livro seja uma pequena contribuição para se entender melhor como essa estratégia foi pensada, articulada como uma peça importante de uma política externa multilateralista e transformada em programas nacionais emblemáticos e exitosos, na maior parte dos casos.


"Quando se vê tudo isso, você acaba se perguntando: 
Todas essas histórias são sobre o quê? 
Apenas sobre um punhado de dólares? 
Ou existe algo mais por trás?" 
Alberto Moravia, 1967*.


* MORAVIA, A. Tre mafiosi a caccia di dollari. Roma, L’Espresso genn. 1967.


LASSANCE, Antonio. Plano Marshall: estratégia, apoio à decisão e planejamento para a próxima grande crise. Rio de Janeiro: Ipea, 2026. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/19995   


A capa do livro é a reprodução dos painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari, que estão na sede da ONU (Nova York). Agradeço a João Candido Portinari, filho do pintor, e ao Projeto Portinari pela autorização de uso.



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21 janeiro 2026

Comunicação em políticas públicas


No artigo "Políticas Públicas e comunicação", conto um pouco da trajetória que uniu e depois separou e especializou comunicação, política e políticas públicas em campos bem distintos, profissionalizados, com lógicas e gramáticas próprias, interdependentes e confrontadas.

DUARTE, Jorge e LASSANCE, Antonio. Políticas Públicas e comunicação: integração para resultados orientados a valor público. Jorge Duarte (organizador). Comunicação em políticas públicas: fundamentos e casos de impacto. São Paulo: Aberje, ABC Pública, 2025. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/14YlcbLwvrC80AbGoRYH0IIumm44twWG5/view?usp=sharing 


O livro completo, organizado pelo professor e pesquisador Jorge Duarte, está disponível em: https://bunny-wp-pullzone-5bno2ohhpt.b-cdn.net/wp-content/uploads/2025/10/Livro-Comunicacao-em-Politicas-Publicas2.pdf  





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30 outubro 2025

Como você comunica sua pesquisa?


O objetivo deste artigo é compreender o que a comunidade de especialistas responsável pela
comunicação técnico-científica deve fazer para evitar o isolamento, o descrédito e sua condenação à irrelevância, diante de ataques agressivos do negacionismo e das fábricas de desinformação

Até hoje, parte significativa dessa comunidade ainda imagina que a tarefa de comunicar achados de pesquisa deve resumir-se a manter uma produção acadêmica em quantidade exuberante, em livros e artigos para periódicos ("journals"); pela participação em eventos como congressos e simpósios temáticos ou das associações de especialistas; e, na melhor das hipóteses, em entrevistas e artigos a serem publicados pela imprensa tradicional

Porém, tanto a mídia mais tradicional quanto até mesmo as principais editoras científicas internacionais fazem coro às grandes tendências da comunicação digital

Há pelo menos quatro grandes mudanças irreversíveis que precisam ser incorporadas na disseminação da produção técnico-científica: 

1) a preferência pela linguagem simples, para garantir maior amplitude do interesse pelos estudos; 
2) o uso de formas e plataformas abertas e múltiplas não apenas de disseminação, mas de interação com públicos mais amplos, para além do mundo estritamente acadêmico e jornalístico; 
3) a predominância do interesse pela discussão científica de caráter aplicado, dedicada a dar solução a problemas palpáveis e ilustrados pela narrativa de casos concretos ("storytelling"); e 
4) o lugar cada vez mais central e relevante da imagem como síntese da mensagem.



Para abrir, ler e citar:
LASSANCE, Antonio. Como você comunica sua pesquisa? Rio de Janeiro: IBGE, 2024. https://drive.google.com/file/d/1gB4xVP9ghQzcrc0SLdzx-pqlpe_4GquK/view?usp=sharing


Os slides que usei em minha apresentação 
LASSANCE, Antonio. Como você comunica informações e dados técnicos?. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 2024. Apresentação feita à Conferência Nacional dos Agentes Produtores e Usuários de Dados. 


















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16 setembro 2025

Análise "ex ante" de políticas públicas não é um bicho de sete cabeças...

... e faz uma grande diferença.



Confira os slides desta apresentação 


Aproveite para baixar gratuitamente e leia o livro:
LASSANCE, Antonio. Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante. Brasília, DF: Ipea, 2025. 231p. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17322 









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30 agosto 2025

POLÍTICA PARA QUEM PRECISA DE POLÍTICA




Calma! A imagem acima foi gerada por inteligência artificial (Gemini) e não tem qualquer relação com o que acontece nas repartições do serviço público (esta legenda contém ironia).


Precisamos ter uma conversa séria sobre a tal "política de governança pública". Estamos nos afastando do público e de políticas que deveriam mirar melhor em impactos e resultados. Melhorias nos processos não ocorrem pela multiplicação de reuniões, de relatórios e de comitês.



A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) acaba de publicar os resultados da avaliação da Política de Governança da Administração Pública Federal, instituída pelo Decreto nº 9.203/2017. O estudo foi feito pela Coordenação-Geral de Avaliação e Organização de Evidências da Diretoria de Altos Estudos e coordenado por Rafael Ferrari, em diálogo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Os resultados são muito interessantes, mas eu vou aqui, com a sua permissão, oferecer minha interpretação assustadora do que eles significam.

Um aspecto que eu chamo a atenção está sintetizado no seguinte achado do estudo:

Institucionalizou-se generalizadamente na administração pública o "Comitê Interministerial de Governança (CIG), cuja atuação, no entanto, mostrou-se limitada. Destacou-se, ainda, a percepção de que a implementação da política acabou por redirecionar recursos escassos — especialmente tempo e pessoal — de atividades finalísticas para atender demandas relacionadas a controle, transparência e planejamento estratégico, sem garantir necessariamente melhores resultados."

Esse é um ponto central, entre outros, da conclusão do estudo de que a "política" não demonstra "ter atingido plenamente seus objetivos" (melhorar a governança das políticas) como, ao contrário, tornou-se um elemento de dispersão e redundância.

Cá entre nós, sabem o que é o problema, para não dizer um grande contrassenso, da "política de governança"? É o fato de que estamos transformando em "política" coisas que não são e jamais deveriam ter o nome de política. Virou uma moda aplicar o termo "política" indistintamente, a ponto de a gente abrir o Outlook e, de tempos em tempos, vem o aviso: "Você gostaria de revisar sua política de privacidade" (ou seja, dizer que e-mails são importantes e indesejáveis para você)?

O fato de que isso ocorre faz tempo, no reino das políticas públicas, não torna esse problema menor, mas maior. Qual o contrassenso? O problema é que não existe, mesmo que a gente chame assim, uma "política de governança". O que existe é a governança de uma política. Assim como não existe "política de comunicação", mas sim, a comunicação da política. Não faz o menor sentido falar em "política de monitoramento e avaliação". Faz sentido falar em monitoramento e avaliação da política. E com o máximo respeito a quem cuida da gestão de pessoas, não existe "política de gestão de pessoas". O que existe é a gestão de pessoas da política. É curioso que ainda não tenha aparecido uma "política de planejamento da política pública x, y ou z". Oremos para que não apareça.

Não existe, mesmo que a gente chame assim, uma "política de governança". O que existe é a governança de uma política. Assim como não existe "política de comunicação", mas sim, a comunicação da política. Não faz o menor sentido falar em "política de monitoramento e avaliação". Faz sentido falar em monitoramento e avaliação da política. E com o máximo respeito a quem cuida da gestão de pessoas, não existe "política de gestão de pessoas". O que existe é a gestão de pessoas da política.

Governança, comunicação, monitoramento, avaliação e gestão de pessoas são processos cruciais, mas, ainda assim, processos. Não se pode chamar de política pública algo cujo objetivo é aprimorar processos de uma política. Estabelecer diretrizes, orientações, regras e até uma cadeia de comando não transforma algo em política. Em casa, o "cada um lava o seu prato" não transforma isso em uma "política" de limpeza na casa da família Fulana de Tal.

O cerne de uma política é a garantia dos direitos por meio da entrega de produtos e serviços ao público, de modo a proporcionar resultados (no médio prazo), na forma de melhorias na condição de vida das pessoas desse público, e impactos (no longo prazo), ou seja, transformações na condição de vida dessas pessoas. Parafraseando os Titãs, política é para quem precisa de política e, por mais óbvio que isso possa parecer, a política é pública porque ela vai além das quatro paredes de um ministério ou secretaria estadual, municipal ou do DF. Criar diretrizes e regras para melhorar o que a gente faz é um requisito da política, mas não é uma política em si. Usem o termo com parcimônia porque ele é importante e precioso demais para ser usado como se fosse um mero apelido.

Perceba o grau de redundância, por exemplo, de uma "política de governança pública da política pública de educação", ou "política de governança pública da política pública de saúde", da "política de governança pública da política pública de infraestrutura", e por aí vai. Parece que banalizar o termo "política" para quase tudo é um problema igualmente banal, mas não é. A pesquisa da Enap mostra que isso tem consequências.

Essa redundância não apenas não ajuda como atrapalha. Não é um problema trivial. Acaba justamente motivando redundâncias na organização e execução dos processos que supostamente deveriam melhorar. A multiplicação de obrigações administrativas assoberba a gestão desses processos. De onde tiramos a ideia de que criar mais uma estrutura e cumprir uma sequência de ritos tem algum poder resolutivo? Não tem. Na melhor das hipóteses, vão chover no molhado sobre conclusões que a gestão dos processos detectou.

Estamos nos afastando do público e de políticas que deveriam mirar melhor em impactos e resultados. Melhorias nos processos não ocorrem pela multiplicação de reuniões, de relatórios e de comitês.

Precisamos ter uma conversa séria sobre esse assunto e o trabalho realizado pelo Rafael Ferrari, Selma Maria Hayakawa Cunha Serpa e Bárbara Maia Lima Madeira Pontes na Escola Nacional de Administração Pública - Enap serve como um excelente roteiro.




21 agosto 2025

INSTITUIÇÕES, ESTADO E POLÍTICAS PÚBLICAS


Baixe gratuitamente, leia e compartilhe:

LASSANCE, Antonio. Instituições, Estado e Políticas Públicas: uma introdução à ciência política em linguagem simples. 2a. edição. São Paulo: Nexo Políticas Públicas, 2025. Disponível em: https://bit.ly/iepp2025 ou https://drive.google.com/file/d/1VMcCQhjMqFcVEoa48_pVTzqDCRg0Msze/view 

Na ciência política, há conceitos cujo grau de confusão a seu respeito é diretamente proporcional à sua importância. É o caso de INSTITUIÇÕES, ESTADO, GOVERNO, DEMOCRACIA, REPÚBLICA e do próprio termo POLÍTICA e da expressão POLÍTICAS PÚBLICAS, entre vários outros. 

Conceitos são peças de um grande quebra-cabeças. É impossível raciocinar sobre a política e sobre os grandes problemas coletivos sem fazer uso deles. Nesse quebra-cabeças, cada peça é totalmente distinta das demais, mas todas são intimamente relacionadas e se encaixam umas às outras — do contrário, a visão de conjunto do quebra-cabeças não será plenamente compreensível. As muitas peças estão juntas, encaixadas, mas não misturadas, a não ser quando o quebra-cabeças ainda está à espera de ser montado.

Este meu livro de divulgação científica apresenta conceitos complicados da maneira mais simples possível, com a devida fundamentação das referências clássicas que estiveram em sua origem, das que se afirmaram como concepção principal ou, ainda, daquelas que conseguiram superar ambiguidades e confusões.

E para cumprir a promessa de encaixar as peças do quebra-cabeças, o diferencial em relação a outros livros é, além de apresentar e fundamentar conceitos essenciais, trazer alertas sobre usos comuns que são ambíguos ou mesmo incorretos e devem ser evitados. 


Se você tem interesse em:
  • Políticas públicas integradas a programas e projetos
  • Análise ex ante (policy design)
  • Monitoramento e avaliação



Talvez você se interesse também em ler este outro livro:
LASSANCE, Antonio. Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante. Brasília, DF: Ipea, 2025. 231p. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17322 










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04 agosto 2025

Afinal, qual é o problema?


uma conversa com o pessoal da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais 
(Flacso Brasil), referência internacional em ciências sociais e políticas públicas.
É sobre como construir políticas públicas e, em especial, como definir problemas que serão o alvo dessas políticas.
(Brasília-DF, 5 de agosto de 2025)


Mais detalhes estão no meu livro:
LASSANCE, Antonio. Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante. Brasília, DF: Ipea, 2025. 231p. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17322 
 

Se você tem interesse em:
  • Políticas públicas integradas a programas e projetos
  • Análise ex ante (policy design)
  • Monitoramento e avaliação
Clique para receber minhas próximas postagens sobre esses temas:




Você talvez se interesse também em ler este outro livro:
LASSANCE, Antonio. Instituições, Estado e políticas públicas: uma introdução à ciência política em linguagem simples. São Paulo: Nexo Políticas Públicas. Disponível em: https://bit.ly/49Utw13




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25 julho 2025

Um pequeno passo para o SUS, um grande salto para o monitoramento e avaliação da saúde pública


Unificar o prontuário pelo CPF, digitalizar as informações, extrair conclusões com o uso de ferramentas de análise de dados (a inteligência artificial é uma delas), tudo isso vai ajudar a mapear as unidades da Federação e as unidades de saúde que são de excelência e que deveriam ser mais estudadas, e vão expor outras que não aprenderam com seus próprios erros (e também deveriam ser mais estudadas). Seria possível verificar unidades sobrecarregadas e outras menos, e as carências efetivas em cada especialidade.

Meu artigo publicado no Nexo Políticas Públicas.

Link para ler a matéria.















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21 julho 2025

A construção de uma política pública não começa pelo ciclo, mas pelo público




0:00 Cadê o público? 0:00:23 Entenderam o ciclo do jeito errado? 0:00:29 Monitoramento e avaliação se pensam antes 0:00:49 Eis o ciclo de políticas públicas 0:02:08 Quem fala mal do ciclo? 0:03:46 O ciclo não é para ser descritivo nem prescritivo 0:04:13 Quem não entende o ciclo vai amargar os prejuízos 0:04:43 Um circuito cheio de curtos-circuitos 0:05:46 Entenda o circuito como um roteiro de perguntas 0:06:50 Pense "ex ante" de fazer 0:07:12 Algumas coisas já nascem ineficientes 0:07:17 Algumas coisas já nascem ineficientes 0:07:40 Como não definir um problema? 0:10:11 Como definir um problema? 0:10:58 Por isso o "ex ante" é tão importante 0:13:54 O "ex ante" é a essência, o espírito da coisa 0:14:10 Não espere para fazer "ex post" o que você pode fazer "ex ante" 0:14:49 Evite o fetichismo dos dados 0:15:43 Sem monitoramento, não há avaliação que preste 0:16:04 O orçamento de um programa custear ciclos de monitoramento e avaliação


Apresentação feita durante o IX Encontro Nacional dos Tribunais de Contas, em Foz do Iguaçu, novembro de 2024.

Antonio Lassance é pesquisador da carreira de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na Diretoria de Estudos Internacionais. Doutor em Ciência Política pelo Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Pesquisador sênior do International Policy Center for Inclusive Development (IPCiD). Professor do programa de mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento, do Ipea, e dos programas de formação e especialização em gestão pública da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Tem pós-graduação em políticas públicas (UnB) e em Comunicação Organizacional (Universidade de São Paulo). 

Livros mais recentes:
LASSANCE, Antonio. Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante. Brasília, DF: Ipea, 2025. 231p. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17322 
LASSANCE, Antonio. Instituições, Estado e políticas públicas: uma introdução à ciência política em linguagem simples. São Paulo: Nexo Políticas Públicas. Disponível em: https://bit.ly/49Utw13
 
É um dos autores do Guia de Análise Ex Ante de Políticas Públicas, referência para a formulação de políticas e o design de programas governamentais, e do livro Federalismo à Brasileira, ambos publicados pelo Ipea.







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30 junho 2025

Podcast: Como construir políticas, programas e projetos prontos para o monitoramento e avaliação?




Este podcast traz um resumo deste livro que é para você que lida com políticas, programas e projetos. 

Baixe o livro gratuitamente: 
LASSANCE, Antonio. Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante. Brasília, DF: Ipea, 2025. 231p. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17322 


Meu contato no LinkedIn: 
https://www.linkedin.com/in/antonio-lassance-690a5989/ 









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24 junho 2025

Este livro é para você


  • Qual a pergunta mais difícil e crucial de ser respondida quando se constrói uma política e quando se estrutura um programa?
  • Qual a diferença entre políticas, programas e projetos? E por que isso é importante?
  • Você sabia que monitoramento e avaliação se pensam antes, e não depois de se implementar um programa? Do contrário, o programa não produzirá as informações de que você precisará para monitorar e avaliar se algo deu certo.
  • A evidência é chave, mas evidência não são os dados. Saiba o que é evidência, como usar e evite o fetichismo de dados.


Conheça um pouco do livro 

Este livro é para você que lida com políticas, programas e projetos. Principalmente, você que percebe o quanto algumas iniciativas, embora importantes e bem-intencionadas, nascem enviesadas: sem qualquer análise prévia, com objetivos nebulosos e público indefinido ou injustificável, mal fundamentadas, com ações fragmentadas e muitas vezes contraditórias, insumos insuficientes, bem como ausência de indicadores e metas. Além disso, observam-se equipes pequenas e mal treinadas, orçamento reduzido e liberação intermitente de recursos.

Baixe o livro gratuitamente agora mesmo por este link: 

No vídeo acima, você assiste ao lançamento feito no Encontro Nacional de Gestão de Pessoas do Sistema de Pessoal Civil (SIPEC) (dia 17/06/2025), organizado pela Secretaria Nacional de Gestão de Pessoas do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI).

Quer organizar um lançamento no seu ministério, governo estadual, prefeitura, secretaria, autarquia ou organização civil? 
Mande uma mensagem para antonio.lassance@ipea.gov.br


Para citar:
LASSANCE, Antonio. Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante. Brasília, DF: Ipea, 2025. 231p. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/17322 












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19 junho 2025

Você sabe definir um problema de política pública?



Parece simples, e de fato é. Mas não é trivial.

Há teoria, métodos e técnicas pensados só para isso e que podem ajudar. E há muito aprendizado desenvolvido por quem lida com políticas, programas e projetos.

Decifrando a esfinge: como definir e ordenar problemas de política pública e encontrar o público prioritário de um programa?

Esta foi minha conversa na Semana da Avaliação 2025: práticas, conhecimentos e evidências em políticas públicas, organizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Administração Pública, (Enap) e com a participação do  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

Antonio Lassance é servidor da carreira de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), na Diretoria de Estudos Internacionais (Dinte). Pesquisador sênior do Centro Internacional de Políticas para o Desenvolvimento Inclusivo (International Policy Centre for Inclusive Development - IPCid). Doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). 
Professor do quadro do mestrado do Ipea e dos programas de formação, capacitação e especialização de servidores federais da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). 

É autor dos livros Como construir políticas públicas, programas e projetos prontos para o monitoramento e a avaliação? Um guia prático de análise ex ante (Ipea, 2025) (clique para baixar) e Instituições, Estado e Políticas Pública (clique para baixar) (Nexo Políticas Públicas, 2024), além de coorganizador do livro Federalismo à Brasileira (2012). É um dos autores do Guia de Análise Ex Ante para a Avaliação de Políticas Públicas (Ipea, 2018), referência para o desenho e revisão de políticas e programas do Governo Federal. 
Desenvolve estudos sobre análise ex ante de políticas públicas, planejamento estratégico e comunicação em políticas públicas. 
Integra o Núcleo de Pesquisa em Avaliação e Uso de Evidências em Políticas Públicas, criado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

Foi coordenador de Comunicação do Ipea (2023), assessor do Gabinete Pessoal do Presidente da República (2007-2010), Secretário-Geral do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2005 - 2006) e chefe de Gabinete da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (2003-2005). 

antonio.lassance@ipea.gov.br













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As manifestações presentes neste blog são de caráter estritamente pessoal. 
 
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