15 outubro 2010

Dicas para melhorar seu texto

A dica essencial vem de Graciliano Ramos: escrever é reescrever
 


"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."




Os 10 mandamentos da arte de bem escrever
Dad Squarisi.

1 - Escrever é mandar recado
A receita de uma sobremesa é um recado. O convite para a festa de aniversário é um recado. A carta para seu amado é um recado. Toda mensagem é um recado.

2 - Seja natural
Fique à vontade. Imagine que o leitor esteja à sua frente. Converse com ele. Fale fácil e espaceje suas frases com pausas. Confira ao texto um toque humano, pois você escreve para pessoas.

3 - Vá direto ao assunto
Não enrole: Comece pelo mais importante. E comece bem, com uma frase atraente, que lhe desperte o interesse e o estimule a prosseguir a leitura. No final, dê-lhe o prêmio de um fecho de ouro, como inesquecível sobremesa a coroar um lauto almoço.

4 - Use frases curtas
A pessoa só consegue dominar determinado número de palavras antes que os olhos peçam uma pausa. A frase muito longa dá trabalho, confunde. Por isso, use sentenças de, no máximo, uma linha e meia. Lembre-se: uma frase longa nada mais é do que duas curtas.

5 - Prefira palavras breves e simples
Vocábulos longos e pomposos funcionam como cortina de fumaça entre você e o leitor. Seja simples. Entre duas curtas, a mais simples. Em vez de falecer, escreva morrer; em lugar de somente, só; de matrimônio, casamento; de féretro, caixão; de morosidade, lentidão.

6 - Ponha as sentenças na forma positiva
Diga o que é, não o que não é. Quer exemplos? Não ser honesto é ser desonesto; não lembrar é esquecer; não dar atenção é ignorar; não comparecer é faltar; não pagar em dia é atrasar o pagamento.

7 - Opte pela voz ativa
Ela é mais direta, vigorosa e concisa que a passiva (a passiva, como o nome diz, parece sem força, desmaiada). Prefira "um raio provocou o blecaute" a "o blecaute foi provocado por um raio".

8 - Abuse de substantivos e verbos
Escreva com a convicção de que no idioma só existem essas duas classes de palavras. As demais, sobretudo adjetivos e advérbios, devem ser usadas com a sovinice do Tio Patinhas. Na dúvida, deixe-os pra lá: (Normalmente) ao escrever textos (informativos), use substantivos (fortes) e verbos (expressivos).

9 - Seja conciso
Não diga nem mais nem menos do que você precisa dizer. Cultivar a economia verbal sem prejuízo da completa e eficaz expressão do pensamento tem dupla vantagem. Uma: respeita a paciência do leitor. Outra: poupa tempo e espaço.

10 - Persiga a clareza
Dificultar a compreensão do texto é colocar uma pedra no caminho do leitor. Para quê? Facilite-lhe a vida. Nas declarações longas, não o deixe ansioso. Identifique o autor imediatamente antes da citação ou depois da primeira frase.

Teste de legibilidade
A receita do jornalista Alberto Dines é a seguinte:

1. Conte as palavras do parágrafo.

2. Conte as frases (cada frase termina por ponto).

3. Divida o número de palavras pelo número de frases. Assim, você terá a média de palavra/frase do texto.

4. Some a média da palavra/frase do texto com o número de polissílabos.

5. Multiplique o resultado por 0,4 (média de letras da palavra na frase de língua portuguesa).

6. O produto da multiplicação é o índice de legibilidade. Possíveis resultados:

1 a 7: história em quadrinhos. 8 a 10: excepcional. 11 a 15: ótimo. 16 a 19: pequena dificuldade. 20 a 30: muito difícil. 31 a 40: linguagem técnica. Acima de 41: nebulosidade.

O livro dá exemplos práticos da eficácia desse teste: "Se o resultado ficou acima de 15, abra o olho. Facilite a vida do leitor. Você tem dois caminhos. Um: diminua o tamanho das frases. O outro: mande algumas proparoxítonas dar umas voltinhas por aí. O melhor: abuse de ambos."


Bons exemplos de textos:

"Relatório da Prefeitura de Palmeira dos Índios", de Graciliano Ramos
"As viúvas do sertão", de Leonardo Sakamoto
"Perfil de João Gilberto", de José Rezende Jr
"Herdeiros famélicos", por Ledo Ivo
"Perfil de Hélio Garcia", de José Rezende Jr.


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