08 outubro 2018

Se Haddad quiser virar o jogo, precisará promover uma reviravolta em sua campanha no segundo turno


Haddad cresceu como um foguete. Mas, como todo foguete que alcança o limite da atmosfera, é hora de se desacoplar. 
Para seguir em frente, tem que deixar para trás parte do que o projetou.
Seu programa e seu discurso, de agora em diante, não podem ser só os da chapa PT, PCdoB e Pros. 
Não pode ser apenas a candidatura de 30% dos brasileiros, e sim o líder de uma frente ampla contra o candidato da ditadura e da intolerância.



Hora de desacoplar, sem se desconectar

"Houston, we have a problem". Haddad cresceu como um foguete. Mas, como todo foguete que alcança o limite da atmosfera, é hora de se desacoplar. Para seguir em frente, tem que deixar para trás, sem contradizer-se, parte importante do que projetou seu crescimento.

O cenário é de fato muito preocupante. Houve um grande crescimento da rejeição a Haddad, o que é um desafio a ser transposto tão grande ou até maior que o da resiliência de seu adversário. Ficou claro que, assim como existe transferência de voto, existe também transferência de rejeição.

O antipetismo se associou a questões mais profundas e crenças arraigadas que não são facilmente revertidas por coisas do tipo: "você sabia que, quando na ativa, o energúmeno tentou explodir uma bomba em um quartel e dizia que o Exército brasileiro é uma vergonha nacional?"

Muitas pessoas não se importam em eleger o capitão caverna, assim como não se importaram em tirar Dilma e o PT para, em seu lugar, colocar a estirpe de Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá et caterva.

O fato é que, com um adversário que se apresenta tendo o antipetismo como seu principal atributo, a candidatura Haddad, se quiser derrotá-lo, não pode fazer o jogo de seu adversário e contribuir com seu discurso.

Haddad não pode ser mais, exclusivamente, o candidato do PT. Tem que ser o candidato do #EleNão.


Ciro tem papel crucial

A primeira providência a ser tomada imediatamente à oficialização do resultado é Haddad convidar Ciro Gomes para ser coordenador político de sua campanha em segundo turno. Se Ciro, com sua cabeça quente, irá aceitar ou não são outros quinhentos, mas o gesto deve ser feito.

E Ciro deve ter carta branca para chamar todos os candidatos que se insurgem contra o ignóbil a comporem um conselho político de campanha com o objetivo de formular um novo programa de governo, começando com uma carta de princípios que reafirme os princípios de defesa da democracia, da equidade social, do pluralismo e da liberdade de expressão, tendo como diretrizes a defesa da Constituição, a redução das desigualdades, a garantia de direitos e a retomada do desenvolvimento com sustentabilidade ambiental. 

O programa e o discurso de Haddad, de agora em diante, não podem ser só os da chapa PT, PCdoB e Pros, e sim os de uma frente ampla contra o candidato da ditadura. O programa deve incorporar propostas importantes de todas as candidaturas que coincidam com os princípios de fortalecimento das instituições do Estado democrático de direito.

Será hora de Haddad conversar e juntar, se não todo mundo, pelo menos quem quiser. Por que não? Todos são bem vindos. Todos menos ele. #EleNão.

Haddad precisará da força e do entusiasmo dos apoiadores dos demais candidatos. Não apenas de apertos de mão, mas engajamento. Precisará não só de um novo discurso de palanque, mas de fiadores.

Para os que não vierem - Alckmin, Dias, Amoêdo, Eymael -, esperemos que eles incorporem pelo menos o slogan do #EleSnão, criado por Alckmin e que já sinaliza sua posição no segundo turno. Afinal, esta não é uma eleição que será ganha apenas com votos nos candidatos. A diferença poderá ser dada por brancos e nulos.


Haddad deve pedir desculpas ao povo brasileiro, em nome do PT. 
E precisa fazer isso o quanto antes

Haddad precisa assumir que o PT errou. Primeiro, porque isso todo mundo já sabe. Precisa pedir desculpas ao povo brasileiro, em nome do PT, com o aval do PT.

Pedir desculpas não só pelo PT não ter feito reforma política nem tributária quando tinha força para isso. Isso também. Mas precisa pedir desculpas pelo fato de que a política de campeões nacionais, formulada e explicitada com a melhor das intenções, se tornou uma avenida para que relações promíscuas tomassem conta do destino de bilhões em dinheiro público.

Precisa sobretudo pedir desculpas, em nome do PT, pelo partido não ter conseguido blindar a administração pública de criminosos que tomaram de assalto os cofres públicos.

Quem são eles? São todos aqueles que são réus confessos em processos instaurados para investigar crimes contra o patrimônio público. Isso não implica abandonar a defesa intransigente do princípio da presunção de inocência e que se possa dar o benefício da dúvida a todos que, de roldão, são incriminados sem provas.

Talvez muitos petistas não se lembrem, mas Lula fez isso em 2005. Pediu desculpas, acusou aloprados e disse que se sentiu traído por práticas inaceitáveis:

"Não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O Governo onde errou tem de pedir desculpas porque o povo brasileiro não pode estar satisfeito com a situação que o país está a viver"

Lula disse ainda que pedir desculpas era absolutamente necessário para se manter a esperança. Hoje, mais do que nunca, ele tinha toda razão.



Referências citadas no artigo:











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01 outubro 2018

Constituinte exclusiva: o palpite infeliz do programa do PT


Ideia precisa ser urgentemente deletada e sair desse corpo ao qual não pertence. 
No segundo turno, precisa ficar claro o embate entre os que defendem x os que atacam a Constituição.

Artigo de Antonio Lassance (*) 


Plano de governo herdado por Haddad e Manuela é um rosário em defesa atual da Constituição

O plano de governo da candidatura Lula-Haddad, herdado agora por Haddad e Manuela, é uma ode à Constituição, do início ao fim. O que se quer é "concretizar os princípios da Constituição Federal"  (www.pt.org.br/wp-content/uploads/2018/08/plano-lula-de-governo_2018-08-14-texto-registrado-3.pdf pág. 7). 


"Temer e seus aliados estão rasgando a Constituição de 1988. É preciso ficar claro que é impossível governar o Brasil no interesse da Nação e do Povo sem revogar as medidas de caráter inconstitucional, antinacional ou antipopular editadas pelo atual governo ilegítimo." (pág. 13)

O texto segue dizendo que "o Brasil precisa respirar e construir democracia", "tanto representativa quanto participativa, como diz a nossa Constituição"  (pág. 6). A cada capítulo, o que se preconiza são doses cavalares de Constituição, a atual, não uma nova constituição e nem uma grande reforma constitucional, a não ser para reverter o mal feito perpetrado por Temer.

Se fala em manter "temas protegidos pelas cláusulas pétreas da Constituição de 1988" (pág. 13), observar "as garantias judiciais previstas na Constituição Federal" (pág. 15), evitar o desvirtuamento que atenta contra a democracia, os direitos e garantias individuais estabelecidos como cláusula pétrea pela Constituição de 1988" (pág. 15). Enfim, "concretizar os princípios da Constituição Federal" (pág. 16), 

Se diz urgente assegurar a sustentabilidade da Seguridade Social, tal como "definida na Constituição Federal (pág. 16),  fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), tal como "inscrito na Constituição Federal de 1988" (pág. 27) e dar "tratamento diferenciado aos pequenos negócios, como determina a Constituição" (pág. 43). 

Seja para o campo ou a cidade, o remédio é garantir o que está na Constituição. "A Constituição de 1988 representa um marco histórico na luta pela reforma urbana" (pág. 51). A reforma agrária deve ser feita conforme "parâmetros de aferição da função social da terra rural, como determina a Constituição" (pág. 56). A proteção aos animais, onde quer que seja, também está amparada nos termos da Constituição de 1988, que "veda práticas que submetam os animais à crueldade"  (pág. 58). 

Até aí, tudo bem. Constituição, Constituição, Constituição. Esse é o mantra do plano de governo da candidatura Haddad-Manuela. Talvez até deveriam andar com ela debaixo do braço e a brandir como um crucifixo contra vampiros e zumbis que assombram a democracia brasileira. 

No segundo turno, precisa ficar claro o embate entre os que defendem x os que atacam a Constituição.

Só que, lá pelas tantas...

Palpite infeliz

Na página 7, aparece o palpite infeliz de que:


"Para assegurar as conquistas da Constituição de 1988, as reformas estruturais e das instituições preconizadas, será necessário um novo processo constituinte."  

A proposta tem um tópico à parte (pág. 17) em que repete que algumas "reformas estruturais indicadas neste Plano" e a "reforma das Instituições" precisarão de um novo processo constituinte. Só que essas reformas, ao contrário, não estão indicadas nesse plano. Ou seja, a assembleia nacional constituinte é uma proposta genérica. 

A ideia de uma constituinte exclusiva é CONTRADITÓRIA com o conjunto de um plano que, do início ao fim, defende a Constituição com unhas e dentes e não apresenta tópico algum que precise ser objeto de uma constituinte exclusiva.


Constituinte exclusiva pra quê?

Se for para fazer reforma política e reforma tributária, não precisa de constituinte exclusiva. Nem mesmo se o PT quiser trocar a república presidencialista por uma monarquia parlamentarista. Se quiser instituir eleições proporcionais sem coligações e com lista fechada, muito menos.

Talvez não se tenha prestado atenção para o fato de que, em princípio, uma constituinte exclusiva, sendo uma assembleia nacional com poderes constituintes, pode alterar qualquer coisa. O "exclusiva" não se refere a uma limitação de tratar só de alguns temas, até porque esses temas não estão indicados especificamente no plano. O "exclusiva" significa que a constituinte não acumula poderes congressuais. Não vota leis. Só escreve uma nova constituição.

Portanto, uma constituinte exclusiva teria poderes para abolir o federalismo, a separação de poderes, alterar direitos e garantias individuais - como instituir a pena de morte para além do único caso hoje previsto, o de guerra declarada. 

Mas isso é coisa da candidatura do fascismo, não de uma candidatura democrática como a de Fernando Haddad e Manuela D'Ávila. Não tem qualquer sintonia com o espírito do que está escrito no próprio plano de governo da candidatura. 

Delírio ou amadorismo?

A única explicação plausível para que isso tenha entrado no programa é a mais trivial, para não dizer a mais casuística possível. Quem colocou esse jabuti em cima da árvore, sob o cochilo da maioria do PT, defende a tese de que vamos promover mudanças de caráter constitucional com maioria simples. Nossa atual constituição foi toda feita assim, com maioria simples. 

Hoje, aprovar uma emenda constitucional requer o voto de 2/3 dos parlamentares, em ambas as casas do Congresso Nacional. Fazer emendas com uma constituinte exclusiva parece fácil, mas, no quadro atual, ou é delírio ou é de um amadorismo político atroz. Quem acha que o mar está para peixe levante a mão. Quem acha que, em rio que tem piranha, jacaré anda de costas, levante a mão. Venceu a segunda opção.

Espero sinceramente que miltantes e dirigentes do PT repensem essa proposta e a deletem o quanto antes do plano de governo. Antes que seja tarde. Antes que o segundo turno tenha duas candidaturas que igualmente se proponham a mexer, com maioria simples, em uma Constituição que, a duras penas, foi resultado de um longo processo de mobilização social por direitos e da luta democrática contra a ditadura. 

A presença dessa proposta no plano de governo espalha confusão e cria um precedente grave que legitima a pretensão atroz verbalizada pelo general Mourão: uma constituinte de notáveis. Ela também é exclusiva.



(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília. As manifestações presentes neste blog são de caráter estritamente pessoal. 










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27 setembro 2018

Em desespero, candidatura Alckmin apela para "vaquinha" de intenções de voto



Nos últimos dias, três mosqueteiros foram vistos lambendo picolé de chuchu apimentado e vertendo lágrimas pelo canto dos olhos. São eles: Roberto Giannetti da Fonseca, José Álvaro Moisés e Rubens Figueiredo. Os três escreveram artigos para o jornal Folha de S. Paulo tendo por mote a pergunta: "A democracia corre risco?"



Artigo de Antonio Lassance (*). 

Chuchu com pimenta

A campanha do insosso Geraldo Alckmin tem feito de tudo para melhorar sua receita. Primeiro, colocou uma pitada de extrema direita em sua chapa, chamando a senadora Ana Amélia para ser vice. Ana Amélia é aquela que não sabe a diferença entre a rede de televisão Al-Jazeera, um oásis de liberdade de imprensa no mundo árabe, e o Estado Islâmico. Ora, bolas! Todos comentem confusões. Talvez por isso Amélia, que era a vice de verdade, não se incomodou quando Alckmin trocou seu nome pelo da senadora Kátia Abreu, em uma entrevista.

Depois, Alckmin pisou em solo nordestino e vestiu chapéu de couro para gravar  vídeo de campanha. Foi a primeira vez que um astronauta de Pindamonhangaba pisou em solo lunar, em busca de um picolé de mandacaru. A missão terminou abortada pelo berro de cabras indignadas que suspeitaram: "não é o Lula!".

Agora, em plena reta final do primeiro turno, resolveram colocar pimenta no picolé de chuchu. Será que vai dar certo?

Os três mosqueteiros

Nos últimos dias, três mosqueteiros foram vistos lambendo picolé de chuchu apimentado e vertendo lágrimas pelo canto dos olhos. São eles: Roberto Giannetti da Fonseca, José Álvaro Moisés e Rubens Figueiredo. Os três escreveram artigos para o jornal Folha de S. Paulo tendo por mote a pergunta: "A democracia corre risco?"

Roberto Giannetti da Fonseca é aquele que, recentemente, pediu afastamento das assessorias que fazia às campanhas de Alckmin e Doria por ter se tornado alvo da 10ª fase da Operação Zelotes, que investiga escândalos de sonegação na casa dos bilhões. Parece que já voltou à ativa - me refiro à campanha ativa, e não, ainda, à dívida ativa.

José Álvaro Moisés, professor de uma ciência política aposentada, pediu ajuda ao consultor marqueteiro de Temer, Rubens Figueiredo, integrante de um tal "grupo de comunicação estratégica" do governo do atual presidente. "Grupo" que, aliás, se notabilizou por também reunir, entre outros, Marco Antonio Villa, que hoje trabalha como radialista revoltado em uma rádio de São Paulo, e José Yunes, amigo pessoal de Temer e advogado em cujo escritório, segundo investigações da PF, recebia dinheiro vivo para campanhas do partido do presidente. Realmente, algo bem estratégico. 

Os três marqueteiros, ou melhor, mosqueteiros, em uníssono, usaram as páginas do jornal Folha de S. Paulo para rogar aos candidatos de centro que se unam para colocar um alguém confiável no segundo turno, evitando a polarização entre o Coiso e o PT. 

Moisés e Figueiredo citam como sendo o centro: Alckmin, Marina, Álvaro Dias, Meirelles e Amoêdo. Pois é, excluíram o Ciro. Talvez Ana Amélia o tenha identificado como membro da Al Qaeda.

Giannetti foi explícito, em um dos apelos mais patéticos já vistos nas páginas de opinião daquele jornal:

"Não deveríamos avaliar como um ato patriótico, neste momento de flagrante risco institucional, alinharmos um apoio condicional ao candidato Geraldo Alckmin, que, apesar de estagnado na faixa de 10% do eleitorado segundo as recentes pesquisas, parece ser o único que reúne condições de virar o jogo para a vitória dos moderados de centro no segundo turno?" 

Esse tipo de pregação está longe de ser análise. É peça de campanha. A candidatura de Alckmin deveria ter pagado a Folha por uso de espaço publicitário.

O espirro dos espada… atchins

O espirro dos esbirros repercutiu mal. O que os espada… atchins de Alckmin fazem é uma desesperada e vergonhosa  tentativa de organizar uma "vaquinha" de intenções de voto, passando o chapéu em candidaturas que, à exceção da de Marina Silva, se esforçam por superar os 3 centavos de margem de erro.

A campanha vai tão mal que o candidato do centrão já se contentaria em se tornar o candidato do centrinho.

A leitura desses artigos citados mostra que, em eleições acirradas, a primeira vítima é o bom senso.

Esse Giannetti que hoje chama o PT de "extremista" é o mesmo que, não faz muito tempo, defendeu Lula e Dilma como autores de uma política de Estado "não ideológica". Disse ele em seminário sobre financiamentos públicos às exportações de serviços de engenharia: 


“Que história é essa de se chegar no Senado e falar mal destes financiamentos por eles terem sido criados pelos presidentes Lula e Dilma? Isso tem que se tornar um projeto de Estado”. 
(O seminário foi promovido pelo jornal Valor Econômico, das organizações Globo, em 15 de junho de 2015). 

Por sua vez, em artigo amorosamente intitulado "O fenômeno Temer", Rubens Figueiredo mostrou habilidades de um trapezista de circo para fazer rápidas piruetas de raciocínio que precisam de um Dramin para não provocar enjoos. Disse ele:

"É simplesmente admirável que Temer, com toda sua limitação para ser um pop star da política e frente a tantas dificuldades, tenha conseguido, até agora, um desempenho espetacular. Nem mesmo Lula, à época tido internacionalmente como "o cara", chegou a ter a base parlamentar que Temer granjeou. A discrição venceu a idolatria, o mérito superou a fanfarronice."

Como se vê, a fanfarronice não é um privilégio dos políticos. Tem contaminado muito cientista político marqueteiro membro de grupo de comunicação estratégica por aí. 

José Álvaro Moisés, igualmente entusiasmado com Michel Temer, foi profético. Em maio de 2016, ainda em plena ressaca da farra do golpe, escreveu um artigo em que respondia à pergunta sobre se "o governo Temer será capaz de unir o país e superar a crise?". 

De forma taxativa e em letras garrafais, disse: "SIM". A profecia de fato foi cumprida. Uma pena que de forma diametralmente contrária à esperada pelo articulista. Atualmente, "Todo mundo odeia o Temer" é uma série de muito mais sucesso do que "Todo mundo odeia o Chris".

Escalar Giannetti da Fonseca, Álvaro Moisés e Rubens Figueiredo para a tarefa de dourar a pílula indigesta do candidato tucano, a essa altura do campeonato, é um sinal não apenas de mau agouro para Alckmin. É um atestado de que sua candidatura realmente está sem gasolina e sem prestígio. 

Mais uma vez, fomos salvos pelo bom senso de uma Maria

Por sorte, apareceu Maria Hermínia Tavares de Almeida, com a elegância, inteligência e espírito democrático que lhe são peculiares, para colocar um pouco de bom senso no debate.

Ex-presidente da Associação Brasileira de Ciência Política (2004-2008) e professora da USP que, antes, passou pela Unicamp e CEBRAP, Maria Hermínia escreveu artigo em que afirma, desde o título: 


a ameaça nas eleições vem da extrema direita, e isso é consequência de o PSDB ter perdido capacidade de reunir a centro-direita em torno de seu candidato.

Mesmo com várias críticas ao PT, a cientista política lembra que Lula, quando foi derrotado em 1989, 1994 e 1998, aceitou os resultados sem contestá-los. Diferentemente do PSDB, em 2014.

Lula também poderia, se quisesse, ter dado asas às pretensões de mudar a Constituição em busca de um terceiro mandato, como vimos acontecer em outros países da América do Sul. Não o fez. 


"Ao ascender ao Planalto, a agremiação consolidou uma liderança moderada de centro-esquerda e governou rigorosamente dentro das regras democráticas. Não procurou calar a imprensa que lhe fazia oposição, nem controlar o Judiciário que exerceu com liberdade sua vocação antimajoritária”.

Nas entrelinhas, Maria Hermínia puxa a orelha de quem brinca com o extremismo para, por razões eleitoreiras, atacar uma candidatura de centro-esquerda que é claramente democrática e moderada.

Pena que Alckmin, Ana Amélia e os três mosqueteiros não estejam preocupados com isso. Estão preocupados com o fato de que sua vaquinha está indo para o brejo.

(*) Antonio Lassance é doutor em ciência política pela Universidade de Brasília.
Artigo publicado na Carta Maior.


Fontes dos artigos citados:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/maria-herminia-tavares-de-almeida/2018/09/ameaca-nas-eleicoes-vem-da-extrema-direita.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/09/a-democracia-corre-risco.shtml?loggedpaywall
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/05/1771270-governo-temer-sera-capaz-de-unir-o-pais-e-superar-a-crise-sim.shtml
https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/11/19/interna_politica,825146/temer-realiza-reuniao-com-conselho-de-comunicacao-em-sp.shtml
https://www.viomundo.com.br/politica/seminario-discutido-por-lula-em-grampo-com-executivo-foi-promovido-pelo-valor-economico.html
http://www.vermelho.org.br/noticia/315382-1










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