26 dezembro 2011

Eric Hobsbawm e as revoltas globais de 2011

A classe média foi a grande protagonista e força motriz das revoltas populares e ocupações que marcaram o ano de 2011. 

Esta é a opinião de Eric Hobsbawm, o mais importante historiador em atividade, aos 94 anos de idade.

Para Hobsbawm, protagonismo da classe média marca revoltas de 2011

Andrew Whitehead

Do Serviço Mundial da BBC

Atualizado em  23 de dezembro, 2011 - 15:40 (Brasília) 17:40 GMT 


Em entrevista à BBC, o historiador marxista nascido no Egito, mas radicado na Grã-Bretanha, afirma ainda que a classe operária e a esquerda tradicional - da qual ele ainda é um dos principais expoentes - estiveram à margem das grandes mobilizações populares que ocorreram ao longo deste ano.
''As mais eficazes mobilizações populares são aquelas que começam a partir da nova classe média modernizada e, particularmente, a partir de um enorme corpo estudantil. Elas são mais eficazes em países em que, demograficamente, jovens homens e mulheres constituem uma parcela da população maior do que a que constituem na Europa'', diz, em referência especial à Primavera Árabe, um movimento que despertou seu fascínio.
''Foi uma alegria imensa descobrir que, mais uma vez, é possível que pessoas possam ir às ruas e protestar, derrubar governos'', afirma Hobsbawm, cujo título do mais recente livro, Como Mudar o Mundo, reflete sua contínua paixão pela política e pelos ideais de transformação social que defendeu ao longo de toda a vida e que segue abraçando aos 94 anos de idade.
As ausências da esquerda tradicional e da classe operária nesses movimentos, segundo ele, se devem a fatores históricos inevitáveis.
''A esquerda tradicional foi moldada para uma sociedade que não existe mais ou que está saindo do mercado. Ela acreditava fortemente no trabalho operário em massa como o sendo o veículo do futuro. Mas nós fomos desindustrializados, portanto, isso não é mais possível'', diz Hobsbawm.
Hobsbawm comenta que as diversas ocupações realizadas em diferentes cidades do mundo ao longo de 2011 não são movimentos de massa no sentido clássico.
''As ocupações na maior parte dos casos não foram protestos de massa, não foram os 99% (como os líderes dos movimentos de ocupação se autodenominam), mas foram os famosos 'exércitos postiços', formados por estudantes e integrantes da contracultura. Por vezes, eles encontraram ecos na opinião pública. Em se tratando das ocupações anti-Wall Street e anticapitalistas foi claramente esse o caso.''

À sombra das revoluções

Hobsbawm passou sua vida à sombra - ou ao brilho - das revoluções.
Ele nasceu apenas meses após a revolução de 1917 e foi comunista por quase toda a sua vida adulta, bem como um autor e pensador influente e inovador.
Ele tem sido um historiador de revoluções e, por vezes, um entusiasta de mudanças revolucionárias.
O historiador enxerga semelhanças entre 2011 e 1848, o chamado ''ano das revoluções'', na Europa, quando ocorreram uma série de insurreições na França, Alemanha, Itália e Áustria e quando foi publicado um livro crucial na formação de Hobsbawm, O Manifesto Comunista, de Marx e Engels.
Hobsbawm afirma que as insurreições que sacudiram o mundo árabe e que promoveram a derrubada dos regimes da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, ''me lembram 1848, uma outra revolução que foi tida como sendo auto-impulsionada, que começou em um país (a França) e depois se espalhou pelo continente em um curto espaço de tempo''.

Historiador diz que revoluções no mundo árabe tomaram rumo inesperado
Para aqueles que um dia saudaram a insurreição egípcia, mas que se preocupam com os rumos tomados pela revolução no país, Hobsbawm oferece algumas palavras de consolo.
''Dois anos depois de 1848, pareceu que alguma coisa havia falhado. No longo prazo, não falhou. Foi feito um número considerável de avanços progressistas. Por isso, foi um fracasso momentâneo, mas sucesso parcial de longo prazo - mas não mais em forma de revolução''.
Mas, com a possível exceção da Tunísia, o historiador não vê perspectivas de que os países árabes adotem democracias liberais ao estilo das europeias.
''Estamos em meio a uma revolução, mas não se trata da mesma revolução. O que as une é um sentimento comum de descontentamento e a existência de forças comuns mobilizáveis - uma classe média modernizadora, particularmente, uma classe média jovem e estudantil e, é claro, a tecnologia, que hoje em dia torna muito mais fácil organizar protestos.''
 
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Economia do Brasil ultrapassa a do velho Império Britânico


É a primeira vez em que uma economia sulamericana ultrapassa a do Reino Unido. 
Evento foi considerado como o resultado de uma grande mudança econômica mundial, acelerada pela crise europeia. 

Até 2020, Brasil pode ultrapassar França e Alemanha. Estudo considera Rússia e Índia como economias mais dinâmicas no longo prazo.

Estudo é do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR).

Abaixo, reportagem da BBC de Londres.

Brazilian economy overtakes UK's, says CEBR26 December 2011 Last updated at 12:25 GMT

Brazil has overtaken the UK as the world's sixth largest economy, an economic research group has said.


The Centre for Economics and Business Research (CEBR) said its latest World Economic League Table showed Asian countries moving up and European countries falling back.


The CEBR also predicted that the UK economy would overtake France by 2016.


It also said the eurozone economy would shrink 0.6% in 2012 "if the euro problem is solved", or 2% if it is not.


CEBR chief executive Douglas McWilliams told BBC Radio 4's Today programme that Brazil overtaking the UK was part of a growing trend.


"I think it's part of the big economic change, where not only are we seeing a shift from the west to the east, but we're also seeing that countries that produce vital commodities - food and energy and things like that - are doing very well and they're gradually climbing up the economic league table," he said.


A report based on International Monetary Fund data published earlier this year also said the Brazilian economy would overtake the UK in 2011.


Brazil has a population of about 200 million, more than three times the population of the UK.


Brazil's economy grew by 7.5% last year, but the government has cut its growth forecast for 2011 to 3.5% after the economy ground to a halt in the third quarter, with analysts blaming the country's high interest rates and the worsening situation in the eurozone.


And although Brazil currently sells more to China than it imports, Brazilian manufacturers have complained that their industries are being affected by cheap mass-produced goods from the Asian giant.


The CEBR also said that Russia moved up one spot in its league table to ninth in 2011, and predicted that it would rise to fourth spot by 2020.


It predicted that India, the world's 10th biggest economy in 2011, would become the fifth largest by 2020.


And it said European countries would drop down the table, with Germany falling from fourth in 2011 to seventh in 2020, the UK from seventh to eighth, and France from fifth to ninth.
CEBR World Economic League Table

 
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Os poderes do Conselho Nacional de Justiça


Matéria lança suspeitas graves sobre ofensiva para diminuir poderes do CNJ.


Após STF ter confirmado posse de Jader Barbalho, partido evita no Senado votação do projeto que aumenta poder no CNJ


PMDB barra PEC que reforça a fiscalização
Matéria da jornalista Rosa Costa*.


Senadores do PMDB impediram ontem a votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) da proposta de emenda à Constituição que reforça a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de processar e julgar magistrados. Um acordo feito no dia anterior para votar a PEC foi ignorado pelo presidente da CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que optou em endossar a posição assumida pelos líderes peemedebistas.


O episódio ocorreu uma semana depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, crítico de algumas ações do conselho, viabilizar a posse do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) no Senado, votando duas vezes para desempatar o resultado do julgamento que o excluiu da lista de barrados pela Ficha Limpa. Peluso agiu após ter recebido em seu gabinete, no dia anterior, integrantes da cúpula do partido.


"Os fatos sugerem uma relação próxima entre o PMDB e o Judiciário", afirmou o relator e um dos articuladores para votar a matéria, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). "O relatório está pronto, tudo estava certo para votar a PEC", informou. Ele lembrou que o acerto previa a retomada da sessão da CCJ, para votar a emenda após a promulgação da DRU, o que foi ignorado por Eunício.


De acordo com parlamentares do PMDB, o ministro Peluso teria telefonado ao líder Renan Calheiros pedindo que impedisse a votação da PEC. Renan negou a informação e disse que agiu por cautela. "Como está havendo problemas no Judiciário, é recomendável que essa decisão seja adiada para que não pareça que o Legislativo está querendo colher resultados com as dificuldades daquele Poder", alegou. "O ideal é deixar isso para depois".


O mesmo argumento foi utilizado pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), para quem seria inoportuno agir em função de uma liminar do STF. "Pode parecer um confronto (com o Judiciário), justificou. "O Supremo não se manifestou ainda, vamos esperar", disse.


De iniciativa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a PEC do CNJ troca duas palavras nas atribuições do conselho encarregado do controle externo do Judiciário. Os verbos "receber e conhecer" reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, serão substituídos por "processar e julgar" os órgãos e membros desse Poder.


Autor da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que pretende limitar a atuação do CNJ, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Nelson Calandra, compareceu à comissão do Senado para dizer que a votação da PEC, sem um debate amplo, é inconstitucional.


"A Constituição é um texto muito importante para ser votado de uma hora para outra exclusivamente porque as notícias de jornais trazem uma decisão liminar que vai ser deputara no plenário e que não paralisa nenhuma investigação", alegou. Demóstenes rebateu, lembrando que a proposta está "na gaveta" desde agosto. Ele reiterou que, desprovido das funções originais de processar e julgar juízes, o CNJ vai virar "um órgão figurativo".

* Publicada em "O Estado de São Paulo", 22/12/2011


 
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