20 novembro 2013

A turma que vive falando em apagão disso, apagão daquilo mordeu a língua mais uma vez

Pesquisas contestam suposta escassez de engenheiros. 
Comparativo entre oferta e demanda por profissionais de Engenharia refuta o discurso de que há um “apagão” generalizado na área.  

Três artigos (*) esclareceram a real natureza da percepção de alguns agentes econômicos sobre o que chamam de escassez de mão de obra na Engenharia. Na verdade, o que se reclama é que a qualidade dos engenheiros formados poderia ser melhor, tanto em termos da capacidade técnica dos profissionais quanto, principalmente, de sua experiência, e que sua oferta poderia estar mais bem disseminada.   
De um lado, há déficits em competências específicas; de outro, déficits em regiões localizadas. Portanto, o que de fato existe e tem sido chamado erroneamente de "apagão" é uma percepção de que a oferta de engenheiros ainda não está bem ajustada às demandas do mercado de trabalho.
Os autores rechaçam que exista um gargalo, mas alertam para a necessidade de se continuar com investimentos no ensino de Engenharia, em especial nas universidades públicas, justamente para que não venha a ocorrer um apagão no futuro, pois a demanda é crescente.
O Brasil ainda apresenta baixo índice de engenheiros por habitante e por formados no ensino superior, diz o estudo, feito pelo Ipea em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Desenvolvimento econômico e inovação, em qualquer lugar do mundo, são vetores que dependem da Engenharia como um de seus fatores centrais.
A pesquisa nos permite concluir que o país, a bem da verdade, superou a fase de apagão de engenheiros, quando, ao contrário do momento atual, a profissão havia deixado de ser atrativa para muitos jovens. No passado, diante da retração de vários setores que dependem de engenheiros, muitos jovens evitaram a carreira. Um problema herdado pelo País, hoje, é o que os pesquisadores chamam de "hiato geracional", ou seja, vários dos engenheiros são muitíssimo jovens. Em consequência, têm pouca experiência para liderar alguns projetos e obras de grande complexidade e envergadura.
Este é mais um na lista dos problemas de um passado que não ficou totalmente para trás e insiste em perturbar o sonho de desenvolvimento brasileiro em ritmo mais acelerado.
Quer dizer que, se as pesquisas mostram que não existe apagão, podemos ficar tranquilos de que o comentarismo econômico e alguns dos ditos "especialistas" vão passar a entender melhor a natureza do problema, certo? Errado. Muitos analistas e comentaristas servem à mídia liberal o prato feito de avaliações distorcidas sob medida para criticar os governos dessa última década (Lula e Dilma), por uma razão muito clara: Desde o apagão energético de 2001, eles abraçaram a missão impossível de denunciar apagões a cada esquina.
É a forma para, de apagão em apagão, provocarem um apagão na memória do povo brasileiro em relação àquele episódio que abalou profundamente o já impopular governo FHC e comprometeu de vez o discurso enaltecedor de sua competência.
A denúncia de apagões, ou de seu risco iminente, mesmo onde eles não existem, é um esporte daqueles que fazem da análise sobre os problemas do país um mal disfarçado pretexto de sua torcida para que tudo volte a ser como era antes, mais de uma década atrás.
Pelo menos assim eles estariam cobertos de razões para falar em risco de apagão e para saudar a competência magistral que alguns têm para gerenciar racionamentos e anunciar tempos de escassez.



(*) Leia:

Artigo publicado no Jornal GGN.
 
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