21 outubro 2012

Frente de Esculacho Popular (FEP)

"Esse foi o segundo esculacho que fizemos para lembrar a memória dos militantes da ditadura militar. Distribuímos uma cartinha para os moradores do bairro, alertando que tinham como vizinho um torturador da ditadura militar".
Paula Sacchetta, da FEP.
 

Cerca de 80 pessoas fizeram ontem um protesto em frente à casa do militar reformado Homero César Machado, citado pela presidente Dilma Rousseff, numa entrevista em 2003, como um dos oficiais que dirigiam as sessões de tortura que ela sofreu durante a ditadura. A manifestação, organizada pela Frente de Esculacho Popular (FEP), contou com a presença de filhos de presos políticos da ditadura militar.

- Esse foi o segundo esculacho que fizemos para lembrar a memória dos militantes da ditadura militar. Distribuímos uma cartinha para os moradores do bairro, alertando que tinham como vizinho um torturador da ditadura militar - disse Paula Sacchetta, uma das integrantes da frente.
cartas aos moradores
Os manifestantes espalharam 1.200 cartazes no bairro Vila Mariana, onde mora Machado. De manhã, o grupo se encontrou na Avenida Paulista e fez uma breve passeata, carregando cartazes com fotos de vítimas da ditadura, até a casa do oficial reformado. No percurso, foram distribuídas duas mil cartas aos moradores da região.
Os cartazes mostravam a foto e o mapa com a localização da casa de Machado. Outros três modelos colados nos postes e lixeiras lembravam vítimas da ditadura: Heleny Guariba, Frei Tito Lima e Virgílio Gomes da Silva. Segundo o grupo, todos eles passaram por sessões de tortura de Homero Machado ou de sua equipe.
- A dor perdurará, mas a alegria de ver condenado um torturador vai ser maior - disse Ilda, viúva de Virgílio Gomes da Silva Filho, em discurso em frente à casa de Machado.
Em frente ao prédio do militar, os manifestantes colocaram uma coroa de flores com os dizeres "Homero torturador". Na grade do imóvel foi pendurada uma faixa com a pergunta "Quem torturou Dilma Rousseff?".
O Ministério Público chegou a abrir processo pedindo que Machado fosse declarado responsável, junto a outros três militares, por tortura a 20 presos políticos. O Tribunal de Justiça, no entanto decidiu que os crimes já prescreveram. Em abril, a Frente de Esculacho Popular fez um protesto semelhante em frente à casa do médico legista Harry Shibata, que atuou na ditadura. Segundo Sacchetta, o grupo pretende lembrar da ditadura, mas procura sempre fazer uma conexão com a existência de impunidade no Brasil de hoje.

Fonte: matéria do jornalista Paulo Justus, "Grupo protesta contra torturador citado por Dilma", publicada no jornal O Globo, 21/10/201.

 
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