07 dezembro 2010

A mulher da língua de trapo


"Eu sempre fui mesmo uma língua de trapo" foi uma maneira que a economista Maria da Conceção Tavares encontrou para autodefinir-se, 
em encontro no IPEA, durante a Conferência sobre Desenvolvimento do Instituto (26 de novembro de 2010).

Em homenagem a Conceição Tavares, o IPEA coloca gratuitamente à disposição do público o livro Desenvolvimento e Igualdade. Trata-se da reedição do texto mais conhecido da economista, "O processo de substituição de importações como modelo de desenvolvimento na América Latina, o caso do Brasil".

Há também uma entrevista com a professora, que conta sua trajetória política e intelectual. É ali onde ela se esmera em por em ação sua língua... de trapo:

"Ele virou sórdido" (sobre o economista e ex-ministro, Roberto Campos).

"Eu fiquei na Barão de Mesquita (quartel do Exército na Tijuca, Rio de Janeiro), soube depois, pois fui levada pra lá de capuz, entrei direto naquelas celas geladas". (sobre a prisão durante a ditadura no Brasil).

"Este não era país para parlamentarismo. Com o parlamento que a gente tem? Aí eu disse: “Vou sair do PMDB”, que estava virando uma xonga". (sobre o tempo em que esteve no PMDB, na época de Ulisses Guimarães).

"Fui pedir ingresso no Partido dos Trabalhadores (PT), mas o pessoal do PT era muito xiita àquela altura... e achava que eu era reformista".

"Foi um mandato muito cansativo, muito depressivo, porque éramos derrotados sistematicamente. Fernando Henrique Cardoso (FHC) fez as reformas que quis" (sobre o período em que foi deputada federal, durante o Governo FHC).

"[O Lula] fez muitas universidades, o pessoal diz que ele não fez universidade, não fez o cacete (risos)! Ele ficou anos ouvindo o pessoal. No final, sabia mais que nós todos juntos. Exceto filosofia, que ele não era muito dado a isso (risos)".

"Pessoalmente, parei de escrever depois que gastei todo meu latim, inclusive com o Lula".

"Só com o Lula é que ficou claro que estabilidade era importante e prioritária. Na verdade, tardou muito a ter um pensamento de esquerda organizado para conseguir estabilidade junto com crescimento".

"Os mais ricos a gente nem sabe que renda eles têm. Eles não declaram renda."

"Keynesianos bastardos quando acham que têm de ajustar fiscalmente acham que têm de cair os salários".

"O desenvolvimento do Delfim Netto – o Milagre – foi uma barbárie".

"A política macroeconômica pode assassinar" (sobre o impacto de políticas macroeconômicas desastrosas nas camadas mais pobres da população).


Baixe e leia o livro Desenvolvimento e Igualdade.

Blog Progressista. Ajude a divulgar o que as outras mídias não cobrem ou cobram para informar.
Siga o blog e receba postagens atualizadas por email. Clique na opção "seguir", ao lado.
Siga no Twitter: https://twitter.com/antoniolassance