05 novembro 2022

Palavrório

Serviço de utilidade pública e cultural.

Marcelo Duarte ensina novas palavras para quem quer ofender alguém:

Já que vamos continuar nos xingando, aumentemos o vocabulário

Marcelo Duarte ensina novas palavras para quem quer ofender alguém

Quem imaginava que os ânimos ficariam menos exaltados depois do segundo turno da eleição errou feio. A troca de insultos só piorou.

Então, já que vamos continuar nos xingando nos próximos quatro anos (ou mais), o melhor é aumentar um pouco o vocabulário, conhecendo xingamentos diferentes. De quebra, eu explico a origem das palavras para você não se enganar na hora de ofender alguém!


Beócio


A antiga Grécia tinha uma região chamada Beócia, onde todos os habitantes eram agricultores e não sabiam ler. Por causa disso, os intelectuais de Atenas criaram o termo "beócio" para se referir a uma pessoa inculta.

Bocó

Em francês, "boucaut" é o nome de um saco feito de pele de bode para o transporte de líquidos. Os brasileiros criaram um saco parecido, mas com couro de tatu, que ganhou o nome de bocó. O bocó não tem tampa, está sempre aberto. Isso deu origem à palavra que significa um sujeito bobo, sempre de boca aberta.


Fedelho


Palavra usada para se referir a rapazes que ainda têm comportamento infantil. Vem do latim "foetere", que é "soltar mau cheiro". É uma alusão ao cheiro ruim que os bebês deixam em suas fraldas. "Fedido" e "fétido" vêm daí também.

Idiota

"Idíos" em grego significa "próprio, particular". Daí veio a palavra "idiótes", um homem que só tem conhecimento de suas coisas e que desconhece o mundo à sua volta.

Histrião

No teatro da Roma Antiga, histrião era o ator que fazia o papel cômico em espetáculos populares. A partir daí, o substantivo histrião passou a ser o mesmo que farsante, charlatão, ridículo.

Ignorante

Vem do latim "ignorantia", que significa "desconhecimento". Era usada para pessoas simples, sem cultura, mas não tinha conotação ofensiva. Até que, em 1665, o escritor inglês George Ruggie escreveu a peça "Ignoramus" (em tradução livre, "nós não sabemos"), em que satirizava advogados que opinavam sobre tudo sem ter conhecimento de nada.

Imbecil

Mais um xingamento vindo do latim (o latim deu origem a diversas línguas, como português, espanhol, francês, catalão, romeno e italiano). "Imbecillu" queria dizer alguém fracote, sem força. Com o tempo, passou a ser também fraco das ideias.

Pária

O nome que se dá a um grupo de pessoas rejeitadas vem da palavra "paraiyar", classe social hindu de 2.000 antes de Cristo, que era obrigada por outros grupos indianos a fazer os piores serviços. Seus integrantes eram tratados como escravos e viviam à margem da sociedade.

Pusilânime

Do latim (nada como o bom e velho latim para deixar nossa boca bem suja!) "pusilanimis", que significa "de alma pequena". O que é isso? É o sujeito que tem medo de tomar decisões, covarde, medroso.

Sacripanta

É um dos meus preferidos! Era o nome de um personagem muito malvado que apareceu em dois livros de autores italianos, "Orlando Enamorado" (1495), de Matteo Maria Boiardo, e "Orlando Furioso" (1516), de Ludovico Ariosto. O personagem era tão mau caráter que seu nome virou xingamento.

06 outubro 2022

O processo de desenvolvimento econômico do Brasil, na visão de Celso Furtado


A construção interrompida: os limites atuais a consecução de um projeto nacional de desenvolvimento por Juliane Furno, Iriana Cadó publicado por Revista Pesquisa e Debate (2021).

O presente artigo tem por objetivo discutir o processo de desenvolvimento econômico do Brasil a luz da vasta e importante contribuição intelectual do economista Celso Furtado. A ideia é olhar para o processo histórico do desenvolvimento econômico brasileiro sob a luz do arcabouço bibliográfico do autor. Nesse sentido, o artigo analisa as especificidades que circunscreve a condição de subdesenvolvimento do país, apontando quais seriam as formas de superação, segundo a avalição de Celso Furtado. Depois, resgata-se as críticas feitas por ele ao modelo de industrialização brasileira. E, por fim, traz à tona o debate feito por Celso Furtado sobre as possibilidades desenvolvimento nacional, sob a reorientação econômica global pós- 1980.




Leia o artigo (pdf)













O Brasil precisa de uma opinião pública melhor informada, atenta e democrática.
As manifestações presentes neste blog são de caráter estritamente pessoal. 
 
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05 outubro 2022

Evangélicos terão uma das menores representações na Câmara em 20 anos

Isso mesmo. O Centrão deu palco à extrema direita e são esses que roubaram o espaço dos evangélicos. ("Crie corvos e eles te comerão os olhos").

 A análise, na ponta do lápis, é do pesquisador Guilherme Galvão, da FGV, e autor do livro "Evangélicos, Mídia e Poder."
BANCADA EVANGÉLICA A PARTIR DE 2023
Guilherme Galvão.
https://twitter.com/ggalvaolopes/status/1577461905379102720?t=ANRs_5j9NfifEeBAYHD-zA&s=19

Realizei um levantamento preliminar, e pelo visto os evangélicos terão uma das menores representações na Câmara dos Deputados nos últimos 20 anos, chegando ao patamar de eleitos próximo ao de 1999.
Nas duas últimas legislaturas (2015 e 2019), eles alcançaram seu maior patamar histórico: 89 deputados federais exerceram mandatos, entre titulares, suplentes e suplentes efetivados. 
Em 2018, ano da eleição de Bolsonaro, 84 evangélicos foram eleitos para a Câmara - um recorde.
Neste ano, o crescimento da extrema-direita retirou votos dos evangélicos, considerada a principal base social do bolsonarismo. Podemos considerar que houve migração do voto deste segmento para as candidaturas mais identificadas com Bolsonaro, independentemente da religião.
O bolsonarismo abarca inúmeras pautas que antes eram prioritárias dos religiosos: combate ao aborto, à "ideologia de gênero", restrição às drogas e aos jogos de azar, redução da maioridade penal, dentre outras questões morais e comportamentais.
Hoje, o bolsonarismo tomou para si estas pautas, somando a elas questões armamentistas e teorias conspiratórias sobre terraplanismo, liberdade religiosa e globalismo. Bolsonaro assume para si o maniqueísmo cristão: o mal precisa ser combatido, até com armas, se preciso.
O fato, portanto, está confirmado: os evangélicos, estimados em mais de 60 milhões de brasileiros, consolidaram-se como base socioeleitoral do bolsonarismo e do ultraconservadorismo político. Em 2018, o Datafolha apontou que quase 70% estiveram com Bolsonaro.
O Republicanos, partido do vice-presidente Mourão, concentrou os eleitos: 18, sendo 13 da Igreja Universal. Logo atrás vem o PL, partido de Bolsonaro, com 13 eleitos por diversas igrejas, principalmente a Assembleia de Deus, denominação com a maior representação: 21 deputados.
Apenas 2 parlamentares foram eleitos por partidos de esquerda, sendo 1 do PT e 1 do PSOL. Em 2018, foram 8 deputados eleitos por PT, PDT e PSB. A redução da fragmentação da Câmara também se refletiu neste segmento: em 2018, evangélicos se espalhavam por 23 partidos. Hoje, em 15.
A diminuição da bancada evangélica, ao contrário do que se pensa, não é uma demonstração de fraqueza, mas da força deste fenômeno político, mesmo que isto seja um desafio eleitoral para as lideranças evangélicas. Para Bolsonaro, o quadro não poderia ser melhor.
PS: Esqueci completamente da @MarinaSilva! 🤦🏼‍♂️ Então são 3 da esquerda.