06 junho 2017

A violência no Brasil

Pesquisa do Ipea revela as consequências da leniência e condescendência da sociedade brasileira com a criminalidade violenta letal. 

"... em três semanas são assassinadas no Brasil mais pessoas do que o total de mortos em todos os ataques 5 terroristas no mundo nos cinco primeiros meses de 2017, que envolveram 498 atentados, resultando em 3.314 vítimas fatais."

"O perfil típico das vítimas fatais permanece o mesmo: homens, jovens, negros e com baixa escolaridade. Contudo, nos chama a atenção o fato de que, na última década, o viés de violência contra jovens e negros tenha aumentado ainda mais."

O Atlas é resultado do trabalho dos pesquisadores Daniel Cerqueira, Renato Sergio de Lima, Samira Bueno, Luis Iván Valencia, Olaya Hanashiro, Pedro Henrique G. Machado e Adriana dos Santos Lima.

Leia no Atlas da Violência 2017


Junto com esta publicação estamos inaugurando o portal eletrônico , que nasceu de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).





















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05 junho 2017

Ditaduras não promovem desenvolvimento


Ditaduras não devem ser toleradas como um passo para se obter desenvolvimento. 

Primeiro, porque é extremamente controverso dizer que os países se desenvolvem mais rapidamente em ditaduras do que na democracias. 
A maioria dos países mais desenvolvidos alcançou o atual status de desenvolvimento a partir do momento em que eles se tornaram mais democráticos, e não mais autoritários do que eram. 
Mesmo a China, sob Deng Xiaoping, reconhecidamente se tornou mais aberta e descentralizada do que era nos tempos de Mao Tsé-Tung, e ainda mais na década de 2000 do que foi na década anterior.

Segundo que, mesmo em situações de crescimento acelerado de algumas ditaduras, o máximo que ocorreu foi exatamente isso: crescimento acelerado, com uma forte ampliação das desigualdades sociais. Isso nunca foi desenvolvimento.

Leia a respeito "O que mantém as democracias?" , de Adam Przeworski, Michael Alvarez, José Antonio Cheibub e Fernando Limongi (revista Lua Nova, nº 40/41, 1997


Segundo os autores, a teoria da modernização (Lipset, Huntington) estava errada ao supor que o desenvolvimento sob a ditadura necessariamente faria germinar a democracia. O que é certo é que, uma vez democrático, um país rico e mais igualitário tem mais possibilidade de fazer perdurar a democracia do que países pobres e extremamente desiguais. "A pobreza é uma armadilha". "A pobreza gera pobreza e ditadura". 

O texto ainda traz um conceito "minimalista" (como dizem os próprios autores) de democracia:
"Definimos a democracia como um regime no qual os cargos governamentais são preenchidos em consequência de eleições competitivas" e "se a oposição estiver autorizada a competir, vencer e tomar posse dos cargos."


Sobre o conceito de democracia, leia também o cientista político Kenneth Bollen, em "Political democracy: conceptual and measurement traps".  








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01 junho 2017

O líder dos sem teto fala que um novo campo político, com base de massas, pode gerar um novo partido de esquerda


BBC Brasil - Ainda que Lula venha a ser inocentado na Justiça, ele não traiu bandeiras da esquerda ao se aproximar tão intensamente de grandes grupos empresariais? Ainda há condições para que o PT, que teve tantos políticos presos e condenados, represente a esquerda?

Boulos - O Lula e o PT pagam o preço da opção que tomaram. Quando chegaram ao governo, poderiam ter enfrentado o sistema político. Esse sistema está baseado na corrupção: a corrupção não é um acidente, é a norma de funcionamento para obter maioria parlamentar, para conseguir dinheiro para o financiamento de campanha, favorecendo as empresas depois. Isso não foi o PT que inventou, é a natureza do sistema.
Poderiam ter dito "não dá assim, vamos chamar uma Constituinte, vamos mudar isso". Há quem diga "ah, mas aí não teriam maioria congressual". É óbvio que não teriam. Se alguma esquerda acha que vai fazer governo de esquerda no Brasil com maioria congressual, não está entendendo o que se passa.
Setores democráticos e progressistas nunca tiveram maioria no Parlamento brasileiro com esse modo de se eleger. A única forma de haver um governo de esquerda é apelando à mobilização popular para pressionar o próprio Congresso. Governabilidade não é só uma lógica tacanha, ela tem que ser construída nas ruas.
Lula e o PT optaram por outro caminho. Eles mantiveram o tipo de aliança com parte do empresariado que banca as campanhas eleitorais. Foi um erro brutal, e o fato de não terem inventado esse método não os isenta. Tudo que ocorreu depois é consequência dessa opção política profundamente equivocada.

BBC Brasil - O PSOL ou algum outro partido pode preencher o espaço outrora ocupado pelo PT na esquerda brasileira?

Boulos - O PT foi o partido hegemônico na esquerda nos últimos 35 anos. Hoje ele perde as condições de sê-lo. O PSOL é um partido importante, com parlamentares que têm tido atuação correta, mas ainda não ocupa esse papel.
E ainda assim, dentro do PT e na base do PT, há muita gente que quer ser parte de um projeto de esquerda renovado no Brasil.
Isso passa pela construção de um novo campo político que não nega o que foi, que tenha capacidade de reconhecer acertos, dialogar e compor com um conjunto do que foi a esquerda brasileira nos últimos 30 anos. Mas que aponte taxativamente para o novo, que reconheça os erros cometidos e os limites da trajetória da esquerda até aqui.

BBC Brasil - A Rede, da Marina Silva, entraria nesse campo?

Boulos - A Rede da Marina, não. Mas há setores na Rede, minoritários, como o (deputado federal Alessandro) Molon, (o senador) Randolfe Rodrigues, que são parte da construção de uma nova esquerda no Brasil.
Mas isso não pode ser um arranjo partidário. Se for, não funciona. Tem que vir com um caldo de mobilização social, de baixo, com participação ampla, com ativismo popular, com movimentos sociais que estão em luta. A construção de uma nova esquerda no Brasil é à quente, no calor da mobilizações.
Como a gente concretiza um projeto novo de esquerda no Brasil que, ao mesmo tempo, não perca a capacidade de sonhar, resgate a esperança que foi afogada por um pragmatismo tacanho, e que também seja viável, tenha pé no chão, no barro, na base social? Que seja capaz de mobilizar e influenciar setores da sociedade brasileira? Esse é o grande desafio.

BBC Brasil - Você considera se lançar na política?

Boulos - O desafio neste momento é produzir um processo de resistência popular e de luta social no Brasil.
A maior parte da esquerda cometeu um erro muito grande nos últimos 20 anos: paulatinamente, foi tratando as ruas como palco secundário, preocupando-se apenas com disputa institucional. Deixou de fazer trabalho de base e perdeu a sintonia com parte da sociedade. Temos de reconectar as pautas desse campo de esquerda à maioria do povo.
Isso pode passar também por processos eleitorais, não descarto isso. Mas tem muita gente já pensando em 2018, enquanto nosso desafio agora é ganhar 2017. O que está posto para o movimento social brasileiro é não deixar passar o conjunto de retrocessos que nos fariam voltar décadas.















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