15 dezembro 2011

A crise e a desigualdade dos municípios no Brasil

Um retrato com base em dados do IBGE.

Informações relevantes:
  • 10% dos municípios com maior PIB geraram 95,4 vezes mais renda que 60% com menor PIB
  • Onze municípios concentram aproximadamente 25,0% do valor adicionado bruto da indústria
  • Administração pública responde por mais de 1/3 da economia de 35,4% dos municípios do país

 

Em 2009, preços das commodities minerais influenciaram a participação de municípios no PIB

Fonte: IBGE

Entre os 25 municípios com pelo menos 0,5% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, 11 apresentaram variações na sua participação entre 2008 e 2009.
A queda de preços do barril de petróleo, associada às conseqüências da crise econômica de 2008, afetou o município de Campos dos Goytacazes (RJ), que perdeu 0,4 ponto percentual em sua participação no PIB, passando de 1,0% em 2008 para 0,6%.
A crise também causou a queda nos preços do minério de ferro, o que influenciou a perda de 0,2 ponto percentual de participação no PIB do município de Vitória (ES), que passou de 0,8% para 0,6% de participação.
Os municípios paulistas de Barueri, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santos e, ainda, Betim (MG), também tiveram variação negativa de 0,1 ponto percentual cada um, causada por retrações na indústria, redução na atividade comercial e, no caso de Barueri, em função do ganho de participação do município de São Paulo.
Os municípios que tiveram aumento de participação no PIB entre 2008 e 2009, todos com variação de 0,2 ponto percentual, foram São Paulo (de 11,8% para 12,0%), Brasília (de 3,9% para 4,1%), Rio de Janeiro (de 5,2% para 5,4%) e o município fluminense de Duque de Caxias (de 0,6% para 0,8%).
Em 2009, aproximadamente 25% de toda a geração de renda do país estava concentrada em cinco municípios: São Paulo (12,0%), Rio de Janeiro (5,4%), Brasília (4,1%), Curitiba (1,4%) e Belo Horizonte (1,4%). Juntos, eles representavam 12,6% da população nacional. Aproximadamente metade do PIB nacional se concentrava em 51 municípios, os quais representavam 30,8% da população. Por outro lado, na última faixa de participação relativa no PIB, 1.302 municípios respondiam por 1,0% do PIB e, juntos, representavam 3,3% da população.
Excluindo-se as capitais, 12 municípios geravam individualmente mais do que 0,5% do PIB, contribuindo, em conjunto, com 9,3% da renda gerada no país, quase todos no Sudeste: Guarulhos (SP), 1,0%; Campinas (SP), 1,0%; Osasco (SP), 1,0%; São Bernardo do Campo (SP), 0,9%; Barueri (SP), 0,8%; Duque de Caxias (RJ), 0,8%; Betim (MG), 0,8%; Santos (SP) e São José dos Campos (SP), ambos com 0,7%, Campos dos Goytacazes (RJ), 0,6% e Jundiaí (SP) e Canoas (RS), ambos com 0,5%.
Em termos de PIB per capita, São Francisco do Conde (BA) ocupou a 1ª posição, seguido de Porto Real (RJ), Triunfo (RS), Confins (MG) e Louveira (SP). Essas e outras informações estão disponíveis na publicação do Produto Interno Bruto dos Municípios, para os anos de 2005 a 2009, fruto de projeto desenvolvido em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais e a Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa. A publicação completa do PIB dos Municípios pode ser acessada na página http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2005_2009/default.shtm

RJ: Petróleo está relacionado à queda de participação de Campos dos Goytacazes e ao aumento de Duque de Caxias
Entre os 25 municípios com pelo menos 0,5% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, 11 apresentaram variações na sua participação entre 2008 e 2009, sendo quatro aumentos e sete reduções.
A crise internacional de 2008 teve impacto direto sobre a economia dos municípios de Campos dos Goytacazes (RJ), que caiu de 1,0% de participação em 2008 para 0,6% em 2009, e Vitória (ES), que passou de 0,8% para 0,6%. O desempenho econômico do município fluminense foi fortemente influenciado pela queda no preço do barril de petróleo, enquanto o decréscimo da capital capixaba foi devido aos baixos preços do minério de ferro.
Outras reduções de 2008 para 2009 ocorreram nos municípios paulistas de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Barueri e Santos e, ainda, o município mineiro de Betim, todos com redução de 0,1 ponto percentual. Guarulhos teve pequenas perdas de participação tanto na indústria de transformação como no comércio. As principais perdas de São Bernardo do Campo foram na indústria de artigos de perfumaria e cosméticos. No caso de Barueri, a variação negativa aconteceu, principalmente, em função do ganho de participação do município de São Paulo. Já em Santos, a queda foi devida à retração das indústrias alimentícias e de produtos químicos. Betim perdeu participação devido à retração do comércio, principalmente em razão do declínio acentuado das vendas no atacado de produtos siderúrgicos – porém, no segmento industrial, sua participação aumentou.
Dos municípios com pelo menos 0,5% de participação no PIB nacional e que tiveram aumento de participação, três são capitais. São Paulo passou de 11,8% para 12,0%, principalmente por causa da valorização do segmento de intermediação financeira, seguros, previdência complementar e serviços relacionados. O Rio de Janeiro passou de 5,2% para 5,4% de participação, em razão do bom desempenho de todos os setores industriais, em particular, da indústria de transformação, no segmento de alimentos e bebidas e, indiretamente, pela queda de participação do município de Campos dos Goytacazes (RJ). Brasília subiu de 3,9% para 4,1%, especialmente por causa das contratações no serviço público, que melhoraram o desempenho do setor de administração, saúde e educação públicas e seguridade social. Além deles, o município de Duque de Caxias (RJ) subiu de 0,6% para 0,8%, devido à queda do preço do barril de petróleo, que causou significativa redução do consumo intermediário da atividade refino do petróleo e coque e, consequentemente, aumento do valor adicionado bruto.

Produção de açúcar e álcool eleva posição de municípios paulistas
Considerando-se o ranking de participação de todos os municípios do país no PIB, os maiores ganhos de posição ocorreram nos municípios paulistas de Monções (da posição 4.502 para a posição 1.818), Brejo Alegre (de 4.334 para 2.373) e Borá (de 5.037 para 3.679), todos com crescimento relacionado à produção de açúcar e álcool. O aumento na participação do município pernambucano de Terra Nova (de 4.189 para 2.951) deu-se por conta do incremento no setor agropecuário; e no município catarinense de Mirim Doce (da posição 4.472 para a 3.255), por conta da instalação de empresas especializadas em usinagem de massa asfáltica com a finalidade de pavimentar cidades próximas.
Já as maiores perdas de posição foram detectadas nos municípios mineiros de Albertina (da posição 3.554 para 5.162) por causa da queda do comércio atacadista do café em grão, Catas Altas (de 1.423 para 3.018), pela queda no valor da produção do minério de ferro (que já vinha caindo desde 2005, mas se agravou com a crise, provocando o fechamento de algumas minas), e Prudente de Morais (de 2.488 para 3.645) pela queda expressiva na produção de cal e gesso, além do encerramento das atividades de empresa ligada à produção de ferro gusa; no município maranhense de São João do Carú (de 2.995 para 4.122), por causa da queda na produção de mandioca; e no município piauiense de Monsenhor Gil (da posição 2.917 para a 3.928), devido à queda na extração de britamento de pedras.

10% dos municípios com maior PIB geraram 95,4 vezes mais renda que 60% com menor PIB
Para medir a concentração da geração de renda na atividade produtiva, a pesquisa dividiu a média do PIB dos 10,0% dos municípios que mais contribuíram e a média dos 60,0%, 50,0%, 30,0% e 10,0% dos municípios com menor contribuição para o PIB. O indicador para o Brasil revelou que, em 2009, a média dos 10,0% dos municípios com maior PIB geraram 95,4 vezes mais renda que a média dos 60,0% dos municípios com menor PIB.
Considerando o período 2005 a 2009, observa-se que esse indicador vem apresentando sistematicamente pequenas quedas. Em 2005 era de 100,9 e nos anos seguintes passou para: 99,7; 99,3; 96,5 chegando a 95,4 em 2009.
Na análise por região, o Sudeste apresentou os maiores indicadores ao longo da série histórica. Em destaque, observou-se que, mesmo excluindo-se os municípios das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, o indicador do Sudeste continuou alto, o maior dentre todas as regiões, evidenciando concentração do PIB. Em outro extremo, as regiões Nordeste, Norte e Sul apresentaram mais dispersão. No Centro-Oeste, ficou evidente a concentração devido a Brasília.
O cálculo desse indicador, quando realizado para cada Unidade da Federação, mostrou as maiores concentrações nos estados de São Paulo (147,5), Amazonas (108,2) e Rio de Janeiro (98,5), enquanto as menores concentrações foram verificadas em Rondônia (19,1), Acre (24,1) e Tocantins (24,3).
Agregando-se os municípios por 8 faixas de população (Até 5.000 hab., de 5.001 a 10.000 hab., de 10.001 a 20.000 hab., de 20.001 a 50.000 hab., de 50.001 a 100.000 hab., de 100.001 a 500.000 hab. e mais de 500.000 hab.) observa-se que o maior ganho de participação ocorreu na faixa de 100.001 a 500.000 habitantes, que passou de 26,1% , em 2000, para 27,4% em 2009 e a maior perda, na classe de mais de 500.000 habitantes que em 2000 gerava 45,8% do PIB e passou a gerar 42,7% em 2009.

São Francisco do Conde (BA) apresenta o maior PIB per capita em 2009
Menos de 15% dos municípios brasileiros têm PIB per capita maior do que o PIB per capita brasileiro (R$16.918). Metade dos municípios brasileiros tem PIB per capita menor do que R$ 8.395 (aproximadamente metade do nacional). Três quartos dos municípios brasileiros tem PIB per capita menor do que R$ 13.317.
Os municípios com maior PIB per capita em 2009 tinham como característica em comum a baixa densidade demográfica. Em 1o lugar, São Francisco do Conde (BA), que abrigava a segunda maior refinaria em capacidade instalada de refino do país com PIB per capita de R$ 360.815,83 e uma população de apenas 31.699 pessoas. Em 2º lugar, Porto Real (RJ), com R$ 215.506,46 e 16.253 habitantes, cujo PIB per capita foi bastante influenciado pela indústria automobilística. Triunfo (RS), sede de um importante polo petroquímico na região metropolitana de Porto Alegre, ficou em 3º lugar com R$ 211.964,79 e 25.374 habitantes. A transferência da maior parte dos voos do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para o município vizinho de Confins (MG) fez com que este último ficasse em 4ª em 2009, com R$ 187.402,18 e 6.072 habitantes. Louveira (SP), com R$ 174.891,84 de PIB per capita e 33.251 habitantes, ocupava o 5º lugar graças aos seus centros de distribuição de grandes empresas.
O menor PIB per capita, em 2009, foi de R$1.929,97 no município maranhense de São Vicente Ferrer, com população de 20.463 habitantes. Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2009, o município teve perda de 77,6% da quantidade produzida e de 83,4% do valor de produção da mandioca, em função do grande período de excesso de chuva.
Os 56 municípios de menor PIB per capita (que correspondem a 1,0% dos 5.565 municípios do país) tinham PIB per capita inferior a R$ 2.728,79 e estavam localizados no estado do Pará (13) e no Nordeste, nos estados do Maranhão (14), Piauí (17), Ceará (2), Alagoas (4) e Bahia (6).
Entre os municípios das capitais, destacaram-se Vitória com o maior PIB per capita (R$ 61.790,59), seguido de Brasília (R$ 50.438,46), São Paulo (R$ 35.271,93), Rio de Janeiro (R$ 28.405,95) e Porto Alegre (R$ 26.312,45). Observa-se que apesar de Vitória ter o PIB per capita mais alto entre as capitais, correspondendo a 3,7 vezes o PIB per capita brasileiro (R$ 16.917,66), foi o terceiro maior dentro do estado do Espírito Santo, atrás dos municípios de Anchieta (R$ 108.431,27) e Presidente Kennedy (R$ 71.942,58).

Rio Verde (GO) tem o maior valor adicionado bruto da agropecuária
Em 2009, 188 municípios agregavam aproximadamente 25,0% do valor adicionado bruto (valor gerado menos o consumo intermediário) da agropecuária do Brasil, enquanto 655 municípios agregavam apenas 1,0%.
O município de Rio Verde (GO), grande produtor de soja, milho e sorgo, além da criação de aves, suínos e bovinos, foi o que obteve o maior valor adicionado bruto da atividade agropecuária no país em 2009 (R$ 676,2 milhões). São Desidério (BA), em 2º lugar, com R$ 662,5 milhões, foi o maior produtor de algodão herbáceo do país e também grande produtor de soja e milho. Em 3º lugar, ficou Sorriso (MT), com R$ 647,0 milhões e uma economia baseada na produção intensiva de soja, milho e algodão herbáceo, além de pecuária extensiva.

Onze municípios concentram aproximadamente 25,0% do valor adicionado bruto da indústria
Em 2009, apenas 11 municípios concentravam aproximadamente 25,0% do valor adicionado bruto da indústria. Esse grupo concentrava 13,7% da população brasileira. Com 62 municípios, chegava-se à metade do valor adicionado bruto da indústria e a 28,8% da população. No mesmo ano, 2.409 municípios responderam por 1,0% do valor adicionado bruto da indústria e concentravam 8,8% da população.
No ranking de participação dos municípios no valor adicionado da indústria, o município de São Paulo se manteve como o principal polo industrial do país, com participação relativa de 8,9%, ganhando participação em relação aos 8,7% registrados em 2008. O município do Rio de Janeiro, que estava em 3º lugar nesse ranking em 2008, com 2,0% de participação relativa, passou a ocupar a 2ª colocação, com 2,3%, em 2009.

Dos 37 municípios que respondem por 50,0% do valor adicionado bruto dos serviços, 17 são capitais
Em 2009, com 37 municípios, chegava-se à metade do valor adicionado bruto nacional dos serviços e a 28,2% da população. No mesmo ano, 1.315 municípios respondiam por 1,0% do valor adicionado bruto dos serviços e concentravam 2,9% da população. A concentração dos serviços nas capitais era bastante alta, chegando a totalizar 40,5% em 2009. Dos 37 municípios que agregavam 50,0% do valor adicionado bruto dos serviços, 17 correspondiam a capitais. Os municípios das capitais de São Paulo, com R$ 255,8 bilhões, e do Rio de Janeiro, com R$ 118,3 bilhões, continuaram como líderes no ranking do valor adicionado dos serviços.

Administração pública responde por mais de 1/3 da economia de 35,4% dos municípios do país
Dos 5.565 municípios brasileiros, 1.968 (35,4%) tinham mais do que 1/3 da sua economia dependente da atividade de administração, saúde e educação públicas e seguridade social. O peso do valor adicionado bruto dessa atividade no PIB nacional vem crescendo desde 2005. Em 2005, a participação no PIB brasileiro foi de 12,9%, em 2006, 13,1%, em 2007, 13,3%, em 2008, 13,4%, chegando em 2009 a participar com 14,1%. Entre os municípios com maior dependência da máquina administrativa na sua economia, destacam-se Uiramutã (RR), com 80,0%, e Areia de Baraúnas (PB) com 71,4%.

IBGE, 14 de dezembro de 2011

 
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