23 julho 2011

A revista inglesa Economist faz o obituário de Chávez

Lula e Chávez em Caracas, em foto de 2005 (AP)
Modelo de jornalismo liberal, é com essas lentes que ela derrama suas críticas ao chavismo e elogia, com reservas, o lulismo. 

É preciso dar um desconto aos disparates conceituais que não fazem nenhum sentido, como o de "mistura de socialismo e populismo", que atribui a Chávez; na verdade, uma  miscelânea que fica por conta da publicação inglesa - seria muito melhor, mais prático e mais claro se a revista falasse em nacionalismo chavista. Outro problema (este grave) é a ausência absoluta de uma contextualização sobre o fenômeno chavista: por que ele surgiu e consolidou-se na sociedade venezuelana. Assim, a revista não explica bem nem quem é Chávez, nem o que é a Venezuela.


Chavismo 'perdeu' do lulismo e declina, diz 'Economist'

Fonte: BBC Brasil, 22 de julho, 2011 - 05:56 (Brasília) 08:56 GMT

O modelo de governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, está em “declínio terminal”, pelo menos fora da Venezuela, opina a revista Economist em reportagem desta quinta-feira que traça comparações entre a eficiência do chavismo e do lulismo.
“Em seu auge, cinco anos atrás, Chávez projetou sua ‘revolução bolivariana’, uma poção que mistura socialismo autoritário e populismo, como uma força continental. Não apenas Chávez usou o toque popular de um comunicador nato, como também estava armado de um aparente suprimento ilimitado de petróleo”, diz o texto.
“Hoje, o resto da América do Sul desfruta de crescimento econômico forte, mas a Venezuela está apenas emergindo de dois anos de recessão. (...) O dinheiro do petróleo está em queda, e cortes de energia são endêmicos. No que diz respeito a reduzir a pobreza, outros países superaram a Venezuela. O exemplo mais notável é o do Brasil.” A Economist defende que políticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mesclaram “estabilidade econômica, investimentos privados e programas sociais que se tornaram moda na região”.
Como exemplo de êxito do “modelo lulista” em relação ao chavista a revista cita o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, que, há cinco anos, fazia campanha como um aliado de Chávez.
Porém, na campanha eleitoral vitoriosa deste ano, Humala tentou se distanciar do presidente venezuelano e se aproximar do modelo brasileiro.
A Economist ressalta, em contrapartida, que a abordagem lulista tem “limites”. “A escala e o escopo do governo brasileiro continuam a crescer de formas que não necessariamente beneficiarão os mais pobres. A política fiscal de Lula contribuiu para o superaquecimento da economia."
A reportagem conclui que o modelo chavista pode manter sua base de apoio na Venezuela, mas opina que “a onda da história latino-americana se virou contra Chávez”.

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